sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ano de pessoas melhores

Perdão e gratidão. Duas palavras simples de significado amplo e profundo. Porém, nem sempre praticadas com as merecidas frequência e intensidade. Estamos prestes a encerrar mais um ciclo de 365 dias. A Terra se prepara para completar mais uma volta em torno do Sol. E nós, pequeninos na imensidão do cosmos, ficamos envoltos por preocupações cotidianas.

Às vésperas da virada do ano, é normal a lembrança das urgências. Daquelas pendências, gigantescas ou minúsculas, que precisam ser eliminadas. Na expectativa dos dias vindouros, nada custa rememorar questões fundamentais, inexplicavelmente deixadas em aberto. Sim, é a correria que conduz à falta de tempo. Mas, o que justifica um perdão não pedido nem concedido? Ou um ‘muito obrigado’ não dito?

Aqui, entram as duas palavrinhas de valor inestimável. Penso que nossos esforços precisam ser dirigidos à meta de sermos pessoas melhores. Não mais ricas e nem mais poderosas. Apenas – e isto é de nobreza ímpar – pessoas melhores. Tanto os bens materiais quanto o poder são efêmeros. Passarão e se transformarão num piscar de olhos da eternidade. O que fica é a bagagem de conhecimentos. E o que cada um traz na alma.

Sob a ótica do que é fundamental, a matemática de perdas e ganhos se desprende do sentido convencional. O balanço passa a ter outro contorno. Estar no verde ou no vermelho depende diretamente do bem que se faz ou se deixa de fazer a alguém. São ações que enriquecem ou empobrecem a alma humana. E isto independe do saldo na conta bancária e das posses.

A cada dia, reafirmo minha convicção de que o ser humano foi criado para ser bom. Nenhuma obra de Deus poderia ser ruim. Mas, com o privilégio do livre arbítrio, nem sempre a escolha é o caminho do bem. As opções erradas vão corroendo a alma até não restar sequer o pó.

Da mesma forma, é possível fazer escolhas certas. E ficar do lado do bem. Não requer prática nem habilidade. Apenas o desejo sincero e o trabalho firme de cultivar as dádivas recebidas do Criador. Acredite: o mundo precisa de pessoas melhores, cada vez melhores.

Para levar adiante essa revolução interior, vale começar pelos pequenos acertos. Agradecer sempre, todo o tempo, por tudo. Até as situações aparentemente adversas merecem gratidão. Elas trazem grandes lições e até o sofrimento necessário para despertar a força interior, passaporte para a superação. Sim, a capacidade de se erguer e seguir em frente, sem lamentar ou sucumbir à autopiedade.

Ainda focando os pequenos acertos, pinço a necessidade do perdão. Em mão dupla! Ser indulgente e também pedir perdão. Nenhum mortal está imune aos erros. Portanto, a regra é a mútua compaixão.

Falo de perdão e gratidão em todos os sentidos. São palavras que precisam ser traduzidas em atos no dia a dia. Nada de deixar para amanhã. Peça e aceite desculpas sempre. Faz bem ao coração perdoar e agradecer. É muito importante dizer obrigado à atendente de uma loja. É fundamental agradecer a Deus pela família maravilhosa, pelos amigos leais, pela vida.

Na jornada pela evolução da alma, saímos com a vantagem da essência divina, concedida a cada um. O restante é boa vontade e prática cotidiana. Que em 2012 tenhamos fé, saúde, determinação, paz, coragem, sabedoria e bondade para fazer de nós mesmos pessoas sempre melhores.

Muito obrigado! Feliz Novo Ano!
Junji Abe é deputado federal – PSD-SP

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Hoje é dia de viver, bebê



Ao sempre amigo Ale Rocha,

com toda força e luz!


A vida é muito mais que “para ser vivida”. A vida é para quem sabe viver. E ele soube, como poucos. Dia após dia; e de novo, até o último. Apesar da dor, da falta de ar, das restrições que a doença impunha, apesar dos pesares.

Lembro-me da primeira vez que nos falamos. Foi pelo Twitter. Assim, de tanto contato virtual, ficamos próximos. E tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente. Jovem inteligente, culto, audaz, solidário, politizado, crítico, dono de um altruísmo ímpar e em pleno exercício da cidadania – sempre enfronhado com ações para melhorar o País, o Estado, a nossa cidade de Mogi das Cruzes.

Conhecer uma pessoa como ele é uma experiência valiosa. Tê-lo como amigo é uma dádiva divina. Faz a gente perceber o quanto é pequenino perto de alguém com tamanha força interior. Mas, também faz a gente se sentir um gigante pela energia positiva que recebe.

Ao longo do nosso convívio, tive cada vez mais motivos para admirá-lo. Acompanhei momentos difíceis que ele atravessou. Sempre com otimismo, fé, bom humor, um largo sorriso no rosto e, por incrível que pareça, o desejo de ajudar. Bem maior que o de ser ajudado. Aos mortais que não tiveram a mesma sorte que eu, só posso dizer que perderam uma grande oportunidade de aprendizado. Mais que isto: não tiveram a chance de conviver com um amigo leal, destes com quem a gente troca confidências, diz sempre o que pensa e sabe que estará ao seu lado. Mesmo que seja para cobrar ações e posturas. Ele cobrava bem. E, como político, digo que era uma honra ser cobrado por ele.

Jornalista brilhante, comentarista de TV coerente e antenado em tudo, blogueiro de primeira linha, um grande empreendedor, tudo isso e bem mais é o que mundo já sabia sobre ele.

Este menino de 34 anos, homem como poucos, era um pai de família dedicado e amoroso. Penso no pequeno João Vitor, seu filho. Sinto um nó enorme na garganta... Escrevo aqui de Brasília. Não pude me despedir do amigo mais guerreiro que já tive, um samurai armado com as palavras. Ele foi atender ao chamado de Deus. Decerto, a esta altura, já deve estar dando pitacos para melhorar as coisas por lá.

Aqui embaixo, ficamos com a saudade. E, ao mesmo tempo, com a certeza de que seu legado será preservado por todos aqueles abençoados por conhecê-lo. Das suas lições, extraio a melhor: viver. Intensamente, com todas as forças, com a alma inteira. Sim, viver cada dia como se fosse o último. Mas, com a alegria de ser o primeiro.

Adaptando da sua última frase no Twitter, digo: “Hoje é dia de viver, bebê”


Junji Abe (PSD-SP) é deputado federal

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Domingo de Páscoa



Meus filhos já são crescidos, mas tenho três netos pequenos que, com certeza, aguardam ansiosos o Domingo de Páscoa. Quem tem crianças na família sabe da expectativa em torno dos ovos de chocolate, trazidos pelos coelhinhos felpudos – leiam-se pais e avós. O apelo comercial é pesado. Começa semanas antes em tudo que é mídia. A meninada fica ouriçada, cobiçando as doces delícias, cada vez mais atraentes aos olhos dos pequeninos. E de muitos marmanjos também.

Para a economia de mercado, é formidável. Aquece a indústria e movimenta o comércio. Para o bolso dos coelhinhos felpudos, nem tanto. Haja pai de família fazendo das tripas coração para adoçar os pequenos na Páscoa.

Com todo respeito ao chamariz comercial da data e aos olhinhos brilhantes da criançada, peço uma pausa para falar do real significado da Páscoa.

Longe das maravilhas do cacau, o Domingo de Páscoa marca a ressurreição de Jesus Cristo. É a festa do renascimento Daquele que deu a vida para derramar o perdão divino sobre o nosso mundo de mortais pecadores.

Então, antes de saborear a tradicional bacalhoada ou uma deliciosa sardinha nesta Sexta-Feira Santa, vamos refletir um pouco sobre o sofrimento de Jesus. Visto como ameaça pelos poderosos, Ele foi crucificado por ser diferente. Por ser um líder imbatível, porque pregava o amor incondicional. Amor a Deus, aos pais, aos filhos, aos amigos, aos companheiros, aos desconhecidos, aos inimigos.

A Sexta-Feira da Paixão deve nos inspirar a refletir. E mais que isso. Deve nos conduzir à reconciliação. Com aqueles a quem magoamos, com aqueles que nos magoaram. É um dia para o perdão. Na cruz, à beira da morte física, Jesus elevou o pensamento ao Pai e pediu que Deus perdoasse seus algozes. Quem somos nós para negar perdão? Ou para não pedir perdão?

Lembro-me de Judas, o traidor que vendeu o Mestre. A criançada faz a farra no Sábado de Aleluia, faturando balas com um boneco de pano – surrado aos montes e, às vezes, com a identidade de alguém visto como vilão. Brincadeira à parte, porque a vingança jamais seria um ensinamento de Jesus, vamos, nós também, malhar os ‘Judas’ das nossas almas. Vamos expulsar a pauladas todo e qualquer sentimento ruim que habite em nossos corações. Vamos fazer uma faxina interior e tirar de nós tudo o que seja contrário à bondade, paz, solidariedade e ao amor.

Aí, sim, no Domingo de Páscoa, estaremos preparados para celebrar a ressurreição de Jesus. Com ou sem ovos de chocolate, tanto faz. O fundamental é acalentar nossas almas com o mais puro sentimento de felicidade. Jesus está vivo em nós. E que Ele renasça, a cada dia, em nossos corações, fazendo-nos praticar as lições que ensinou. É com este profundo e sincero desejo que envio a vocês meus votos de Feliz Páscoa!



Junji Abe é deputado federal - DEM

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Espaço para a vida


Uma amiga costuma dizer que é preciso abrir espaço na vida para as boas coisas entrarem. Se elas chegam e se deparam com lotação geral, desistem e vão embora. Isto vale para tudo. Aqueles trajes e calçados enchendo o armário sem que você se sinta confortável para usar são bons exemplos de guardados desnecessários. Às vésperas do ano que chega, seria muito proveitoso – e solidário – juntar os pertences inúteis para você e doá-los à finalidade que lhes deu origem. Traje foi feito para vestir e sapato para calçar. Nenhum deles, para guardar.

Importante: nada de se ressentir das doações. Doe de coração e perceberá o quanto é bom se desfazer de itens que serão festejados por quem tanto precisa. Não é só. Sentirá a alegria de livrar-se de apegos tolos que povoavam seu cotidiano sem acrescentar nada a sua vida.

Já que o tema é faxina, vale uma profunda reflexão sobre os habitantes da sua alma. Mágoas, rancor, desprezo e tantos outros sentimentos ruins ocupam o dobro do espaço das emoções positivas. Pior. São uma carga muito pesada que espanta a alegria, o carinho, o amor, a vontade de viver mais e melhor. Então, aproveite os momentos finais do ano que se despede para aparar as arestas com o que quer que tenha gerado ocupantes indesejáveis no seu interior.

Se vai vestir branco na virada do ano, pular sete ondas, dar três tapinhas no poste mais próximo ou fazer qualquer outra simpatia, ótimo. Mas, tome uma atitude de bem para 2011: limpe sua alma, derramando sobre todas as dores e sentimentos ruins o sagrado bálsamo do perdão. Isto mesmo. Perdoe quem lhe causou frustrações, faça as pazes com os amigos que se distanciaram, reate os laços com familiares de quem você se afastou e restabeleça a harmonia no seu cotidiano. Você vai se sentir livre e leve.

A Terra se prepara para completar mais uma volta de 365 dias em torno do Sol. Festeje o momento com a alma lavada, livre de qualquer carga inútil, sensível à beleza das coisas simples e aberta à felicidade. Sonhar é sempre bom. Como diz a canção, “alimenta o tempo acordado de viver”. Mas, não adianta guardar planos velhos que, você sabe, não sairão do papel nem do seu cenário mental. Revigore as energias da mente, formulando planos que tenha vontade de realizar. E batalhe por eles. Verá que os antigos e empoeirados projetos não lhe interessavam mais. De novo, sentirá o alívio de deixar de carregar peso morto e passará a respirar a vontade imensa de lutar pelos novos rumos que traçou.

Não sou nenhum destes célebres escritores de livros de auto-ajuda nem profissional especializado em tratar de conflitos psicológicos. Sou apenas alguém compartilhando com você boas lições que tive ao longo da minha vivência.

Esta mensagem foi o modo que encontrei de manifestar meu profundo desejo de que você tenha um ano maravilhoso. Livre para amar e receber amor, forte para lutar pelos seus ideais, sensível para compartilhar os bons acontecimentos, hábil para lidar com situações não tão positivas, paciente para esperar dias melhores, solidário para confortar quem sofre, aberto para receber as boas coisas da vida e grato a cada amanhecer. Tudo, com muita fé, paz, saúde e as bênçãos de Deus. Feliz 2011!

Imagens produzidas pela minha amiga, a fotógrafa Mônica Antunes, no Parque Centenário, em Mogi das Cruzes.
Junji Abe é deputado federal - DEM

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Tempo de despertar

Penso em José e Maria nos dias atuais. Em meio à insegurança que atormenta os cidadãos de bem, haveria uma boa alma para acolher o casal pobre para o nascimento da criança que seria o nosso Salvador? Se a grávida Nossa Senhora batesse à porta junto com o marido e pedisse abrigo, você daria e lhes ofereceria comida? Ou os expulsaria feito doença ruim com medo de que fossem bandidos?

Todos estão muito atolados nos próprios problemas que têm dificuldades ou quase incapacidade de enxergar o sofrimento alheio. E para agravar a situação, existe o medo. De ser assaltado, usurpado, de ser feito de bobo, assassinado.
Esses pensamentos me vêm à cabeça às vésperas de mais um 25 de dezembro, o dia de comemorar o nascimento de Jesus Cristo. Mas, na atualidade, qual de nós daria abrigo a José e Maria para que os herdeiros deste planeta pudessem, no futuro, festejar o Natal? A resposta é um imenso ponto de interrogação.

A alma humana ainda guarda mistérios insondáveis. Em meio às árvores com bolas coloridas, recheadas de pacotes de presentes e reluzentes pisca-piscas, deixo-me absorver pelo clima natalino. Mas, a beleza que emerge do período não apaga da memória lembranças sombrias da agonia de tantos.

Dizem que o convívio com a violência e suas mazelas anestesiam o coração, fazendo com que a dor dos outros seja encarada como banal, mera notícia de jornal amanhecido que serve para embrulhar banana na feira. Não é verdade. Tanto, que me vêm à cabeça os rostos de vítimas das enchentes na virada do ano passado, de inocentes brutalmente chacinados nos conflitos entre traficantes e policiais, de amantes do futebol mortos nas guerras de torcidas, de universitários mutilados nos abomináveis trotes e tantas outras atrocidades que adoecem o cotidiano de gente de bem.

Enquanto muitos preparam o peru e os quitutes para a maravilhosa ceia natalina, não posso me furtar de pensar naqueles que amargam a falta de tudo. E, sequer, terão um pedaço de pão para comer neste Natal. A miséria é uma forma de violência tão cruel como as outras. Igualmente, tira do ser vivo a chance de sobreviver. Reflito sobre quanto sofre Jesus ao ver tanta desigualdade social. Uns com tanto; outros sem nada...

Dia destes recebi um e-mail para coletar assinaturas no abaixo-assinado em repúdio à crueldade contra animais na China. O link para a filmagem feita com câmera escondida trazia imagens que, até agora, parecem arrancar lascas da minha alma. Não bastasse a matança, os cães têm sua pele retirada enquanto ainda estão vivos. Por cerca de 10 minutos, o coração ainda bate, os olhos piscam e as patas tremem naqueles corpos decepados. A brutalidade é tamanha que tive de conferir se os carrascos eram mesmo seres humanos. Melhor seria que não fossem. Gostaria de acreditar que um ser humano é incapaz de cometer um ato tão abominável.

Não pensei meia vez em aderir ao abaixo-assinado, apelar aos meus contatos que também o fizessem e distribuíssem para seus amigos pedindo adesões. Em meio a meus pensamentos sobre o comportamento individual e a conduta social na atualidade, fui surpreendido. A maciça maioria das pessoas a quem pedi que engrossasse o rol de indignados com a prática selvagem na China aderiu ao abaixo-assinado.

A solidariedade dessas pessoas fez surgir no horizonte um feixe de esperança. Percebi que a sensibilidade ainda não foi engolida pela correria e problemas de cada um no cotidiano. Estávamos, todos nós, formando uma corrente do bem na expectativa de ajudar a combater uma tremenda injustiça.

Assim, me recordei da legião de cidadãos que se dedicam a levar um pouco de alegria às crianças pobres das favelas, distribuindo brinquedos no Natal. Também me lembrei daqueles que, o ano inteiro, servem comida aos necessitados. E de tantos que se esforçam para arrecadar mantimentos e roupas a serem doados às famílias necessitadas. E ainda de outros anônimos que doam seu tempo e dedicação para confortar quem sofre nos hospitais, asilos e abrigos. Sim, os humanos de verdade são bons. Procuram ajudar, buscam construir um mundo mais justo e mais humano.

De repente, a árvore de Natal a minha frente transmitiu uma nova leitura. A alma humana não está soterrada pelos atos criminosos que assolam o dia a dia. Ainda somos capazes de sentir, amar, protestar contra as injustiças, fazer valer a força do amor.
Com a esperança de que haveremos de ter sucesso na gigantesca luta contra as iniquidades sociais, deixo a cada um o apelo para que neste Natal façamos, em oração, uma corrente do bem. Vamos pedir ao Criador alívio para as dores dos que sofrem, alimentos para quem tem fome, abrigo para os sem-teto, conforto espiritual para os desconsolados, fé para os incrédulos e bondade na alma de gente ruim.

É tempo de despertar. E de orar. Pela paz mundial, pelo futuro do planeta, pelo fim das desigualdades sociais, pelo resgate do ser humano. Façamos neste mundo o que viemos fazer, sem desvios nem quedas. Assim, com nossos esforços e as bênçãos de Deus, José e Maria sempre terão acolhida. E Jesus poderá renascer sempre em cada um de nós, todos os dias. Feliz Natal!
Junji Abe é deputado federal - DEM

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Voto de confiança

Passaram-se pouco mais de dois meses do início da campanha eleitoral. Para candidato, uma verdadeira maratona contra o tempo. Às vésperas da prova das urnas e a poucas horas do início da proibição para que eu me comunique por via eletrônica, faço uma reflexão. Ou melhor, uma série de perguntas a mim mesmo.

Teria conseguido transmitir minhas propostas? Nas centenas de reuniões de que participei, será que falei com clareza para que todos entendessem? Assumi compromissos e tenho convicção de que, se eleito, irei cumpri-los. Mas, será que passei às pessoas a mesma segurança? Em meio ao emaranhado de questões, penso em como seria bom se o eleitor tivesse em mãos um espelho da alma de cada candidato.

Sim, porque as palavras correm o risco de serem perdidas ao vento. Mas, aquilo que cada um traz na alma é autêntico, cristalino e completo. Fala por si. Agora, recordo-me com emoção das enormes demonstrações de carinho que recebi ao longo deste período de campanha. É uma sensação indescritível sentir que o seu trabalho ajudou alguém. E que este alguém passou a querê-lo bem.

Igualmente, não existe definição para os sentimentos que afloram ao receber, por e-mail, a declaração de voto de alguém que nunca teve contato com você. Mas, aprovou suas propostas e, principalmente, depositou confiança em você.

Confiança – a palavra mais importante no vocabulário eleitoral. Pena que nem sempre seu significado receba a devida acolhida por parte de todos os concorrentes. Entendo que a confiança é muito mais que um tesouro. Não dá para enxergar, ouvir, tocar, cheirar, pegar e muito menos colocar preço. Ela simplesmente brota. Pode prosperar ou morrer. Muitas vezes, nem desabrocha. Fato é que confiança é sublime. Não se arranca nem se empresta. Confiança só existe quando é doada.

Escrevo o que sinto neste exato momento. Desculpe, se for desconexo.
Não sou marinheiro de primeira viagem. Mas, confesso que estou ansioso por domingo. Só quem já enfrentou o teste das urnas sabe direito do que estou falando. Delas, sairão a voz do povo, os termos da sua vontade. Eis a beleza suprema da democracia.

Sou um candidato ficha limpa, devidamente cadastrado no site Ficha Limpa. Sinceramente, gostaria que isto não fosse um diferencial. Esta deveria ser a obrigação de todo aquele que se propõe a atuar na vida pública. Da mesma forma que um agricultor precisa de vocação para lidar com a terra, o político tem de ser vocacionado a trabalhar pela sociedade e a lutar para atender seus anseios. Aí, deve residir sua fonte de inspiração.

Com a graça de Deus e pelos dons que Ele me deu, tenho cerca de 30 anos de experiência na vida pública. Já fui vereador, três vezes deputado estadual e prefeito por dois mandatos. Aprendi muito. E quero aprender sempre, porque quem para de aprender, morre por dentro. Extraí inúmeras lições da vivência como político. Mas, meu entendimento do significado de ser político não muda.

Continuo acreditando que é preciso ter vocação para atuar na vida pública. Continuo acreditando que a confiança é o bem maior que um político pode conquistar e tem de preservar. Continuo acreditando na força do povo, na sua capacidade de escolher e de fazer valer sua vontade.

Com esses sentimentos, caminho para o domingo de eleições. Com as certezas que trago na alma, peço muito mais que o seu voto. Peço que me doe a sua confiança. E deposite em mim a fé de que eu faça o meu melhor no exercício das funções públicas. Sou candidato a Deputado Federal e meu número é 2545.

Junji Abe é candidato a Deputado Federal pelo DEM - 2545

sábado, 24 de julho de 2010

Cultura, uma necessidade social

Décadas atrás, os governantes costumavam tratar a cultura como artigo de luxo. Portanto, supérflua para o povo. Não havia a menor preocupação em proporcionar opções gratuitas de eventos culturais, esportivos e de lazer. Muito menos de oferecer atividades que desenvolvessem o gosto pelas manifestações artísticas. O foco das ações públicas concentrava-se em obras. De preferência, as grandes, com alta visibilidade.


Essa visão míope de que as pessoas não precisam de cultura, nem de esportes e muito menos de lazer é responsável por um bocado dos males que tanto afligem a sociedade de hoje. É claro que a culpa maior é da má distribuição de renda que coloca o Brasil entre os países recordistas em desigualdade social do planeta.


O descaso com áreas essenciais ao bem-estar físico e mental do ser humano tem muito a ver com o alto nível de agressividade que as pessoas carregam. Basta olhar o comportamento dos motoristas no trânsito. São xingamentos por todo lado, reações exageradas – até tiros já saíram – e a incapacidade de, simplesmente, se desculpar por um erro cometido ou perdoar a falha do outro.


Na sociedade moderna, onde a pressão por causa do emprego ou pela falta dele está na veia de todo cidadão comum, as atividades culturais, artísticas, esportes e lazer tornaram-se fundamentais. Como a maioria da população não pode pagar por eles, cabe ao Poder Público oferecer opções gratuitas. E para todas as idades.


Repare como são bem mais tranquilas e disciplinadas as crianças que tocam um instrumento musical, participam de um grupo de teatro, enfim, têm acesso aos bens culturais ou praticam algum esporte. Certamente, serão adultos mais sensíveis, equilibrados, produtivos, menos propensos a ataques de raiva e problemas de saúde. Serão bem mais saudáveis.


Igualmente, os adultos também precisam ter a chance de participar de manifestações culturais e artísticas ou de, pelo menos, apreciá-las. Ou de praticar esportes. Ou de, no mínimo, contar com um parque público onde possa ir com a família no fim de semana, fazer um piquenique, ter momentos de descontração e lazer. Para a Terceira Idade, então, é vital ter acesso a atividades que permitam a socialização e tirem da cabeça do idoso a terrível sensação de ser um peso para alguém. São iniciativas que fazem bem ao corpo e à mente.


Outra bobagem é achar que o povo não gosta de arte. Gosta sim. Só precisa conhecer. Ninguém pode gostar do que não conhece. Senão, fica que nem a música do Zeca Pagodinho sobre o caviar: “Nunca vi nem comi; eu só ouço falar”.


Fique claro que quando se fala em cultura e artes não pode haver preconceitos. Nem da sociedade; muito menos do Poder Público. Ao longo da minha gestão como prefeito de Mogi das Cruzes, notamos o interesse dos adolescentes por rap, hip hop e dança de rua (a street dance dos americanos). Resolvemos criar oficinas culturais dessas modalidades. Muita gente criticou dizendo que eram ritmos da marginalidade. Ora, que sandice. É tão arte quanto música erudita e balé clássico. No caso, era mais. Era o que os jovens queriam.


A verdade é que a iniciativa foi um sucesso. Em vez de gastar o tempo ocioso nas ruas, a meninada ia, entusiasmada, para as oficinas. Em eventos, os grupos se apresentavam e arrancavam aplausos de quem antes criticava. A arte é plural. Aliás, na minha campanha à reeleição, fui presenteado com um jingle no estilo rap e coreografia de dança de rua. Fizemos um videoclipe, exibimos nos programas de tevê e todo mundo adorou.


Igualmente, eu e minha equipe das áreas de Cultura e Cidadania enfrentamos muita ironia e descrédito para criar a Orquestra Sinfônica Jovem “Minha Terra Mogi” com crianças pobres da Cidade. Bem, os queixos caíram no primeiro concerto. Meninos e meninas humildes, com violinos, violoncelos, piano e tudo mais, paralisaram a platéia durante a execução de uma série de músicas clássicas.


Nossa meta era proporcionar ocupação saudável para crianças e adolescentes. Dentro deste propósito, idealizamos uma Sala de Música sem igual na Região, com estrutura e acústica integralmente planejadas para a finalidade. O projeto foi realizado na Escola Municipal Professor Mário Portes, localizada em Jundiapeba. É o Distrito onde vive a maior parcela da população carente de Mogi. Ouvi uma porção de comentários maldosos. Para se ter ideia, diziam que o local seria destruído em menos de uma semana e outros absurdos típicos de gente preconceituosa.

Aos humanos de pouca fé, mais um show de cidadania. Ali, naquele espaço, os alunos aprenderam, ensaiaram e constituíram a Banda Sinfônica que coleciona prêmios em competições no Estado. Sim, tanto a Sala de Música como a própria escola são muito bem cuidadas. Há canteiros floridos, paredes intactas, nenhuma sujeira no chão e tudo mais que caracteriza o território de cidadãos de verdade.


É uma minúscula amostra de tantas outras ações públicas que difundem a cultura, promovem a cidadania e evitam que os menores fiquem nas ruas, à mercê das teias da criminalidade e das drogas. Houve muitos outros bem-sucedidos programas públicos para todas as idades, seguindo o raciocínio de que é indispensável a oferta gratuita de atividades culturais, artísticas, esportivas e de lazer à população. Mas, para não me alongar, falarei deles em outra ocasião. Só queria mostrar que, quando há vontade política em sintonia com os anseios da população, o Poder Público desenvolve iniciativas de valor inestimável para a sociedade do presente e do futuro.

Junji Abe
Candidato a Deputado Federal pelo DEM - 2545