(Foto: Arquivo/STJ)
#Supersalários – Segundo o IBGE, 9,5 milhões de
brasileiros enquadram-se no perfil de “extrema pobreza”, com rendimento mensal
de R$ 209,00, e 59 milhões na faixa da pobreza, com ganho mensal de R$ 665,00.
Infelizmente, é o cruel retrato do nosso abismo social. Em contraste com este
quadro, está o foco da notícia do Uol (18/2): “Com dois anos no cargo, novatos
do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) já ganham mais que
ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)”. Ora, como pode, se a Constituição
Federal dispõe que o maior salário mensal de um servidor público no Brasil é
regrado pelos ministros do STF (R$ 46.366,19, em 2025)? Ou seja, é o teto e nenhum
servidor deveria ganhar mais que esse valor.
O UOL esclarece que dos 99 juízes que entraram para
o TJ-SP em 2023, pelo menos 93 já recebiam mais do que um ministro do STF dois
anos após empossados. O juiz iniciante com a maior média atingiu R$ 75 mil por
mês. Para comparação, o ministro Gilmar Mendes recebeu R$ 36 mil líquidos por
mês, com os descontos de IR, Previdência e Abate-teto.
Onde está a deturpação? Apesar de ser legal, a
situação é imoral. Ocorre por conta dos denominados “penduricalhos e
adicionais”, que são as gratificações, como auxílio moradia, auxílio por
acúmulo de função, gratificação natalina, diferenças retroativas, indenizações
de férias-prêmio, férias anuais, férias vendidas e etc.
Isso não é privilégio de juízes paulistas. No TJM-MG,
a remuneração média mensal em 2024 foi de R$ 123 mil, que é a soma do salário
mais os penduricalhos e adicionais. Há também o TJ-MT, que ficou conhecido pelo
“Caso do vale-peru”, com a remuneração mensal mediana de R$ 110 mil, com
adicionais relacionados ao acúmulo de processos.
Esses fatos decorrem de uma exceção à regra
constitucional: verbas classificadas como “indenizatórias” não contam para
cálculo de estouro do teto. Penduricalhos e adicionais foram criados e
regulamentados nos últimos anos. Dados da Transparência Brasil mostram que, em
2024, a venda de férias custou ao menos R$ 1,1 bilhão aos cofres públicos. O UOL
levantou que os ministros do STF e do STJ não são beneficiados por esses
recursos vergonhosos.
Estupefato e indignado com as imoralidades
acobertadas pelo manto da legalidade, faço coro aos demais brasileiros, em
respeito aos que vivem na pobreza, para clamar que os parlamentares do
Congresso Nacional acabem com os penduricalhos e aditivos e que, constitucionalmente,
restabeleçam o teto de salário mensal do servidor brasileiro, que já é bem alto
(R$ 46.366,19)! #NãoAosPenduricalhos
Junji Abe, produtor e líder
rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo
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