#Representatividade – O machismo impera
desde a antiguidade na maioria das nações. Atualmente, tem sinônimos como sexismo,
patriarcado e misoginia, e nosso Brasil
não foge à regra. Em atividades comuns do cotidiano, o machismo já aparece prejudicando
o relacionamento em sociedade, e ganha evidência gigantesca no campo da
representação pública e política, o que gera perdas enormes.
Vejam os resultados oficiais das eleições
de 2024:
a) Câmaras Municipais: Homens 82% -
Mulheres 18%. b) Assembleias Legislativas: Homens 82,2% - Mulheres: 17,8%. c)
Câmara Federal: Homens 82,7% - Mulheres 17,3%. d) Senado Federal: Homens 80,2%
- Mulheres: 19,8%. e) Governos Estaduais: Homens 22% - Mulheres: 5%.
Em 129 anos de regime republicano com
eleições para Presidente da República, tivemos a 1ª mulher eleita em 2010. Foi
Dilma Roussef, reeleita em 2014. O desempenho, entretanto, foi graças ao apoio
total do presidente Lula, que visou a continuidade político-administrativa.
A ausência de mulheres competitivas na
corrida presidencial reflete barreiras estruturais dos partidos políticos
brasileiros. Embora o público feminino represente mais de metade do eleitorado
nacional, as principais chapas ao Palácio do Planalto concentram-se em
candidaturas masculinas, evidenciando a lentidão na renovação e na inclusão
igualitária de lideranças femininas em posições de poder real.
Segundo analistas, as principais causas
são: a) falta de espaço nas grandes legendas, que evitam lançar mulheres como
cabeças de chapa; b) concentração de homens no comando dos recursos de campanha
e do fundo eleitoral; c)- escassez de nomes viáveis para o Executivo
federal; d) hostilidade sistêmica nas redes sociais e em espaços institucionais
contra candidatas e ocupantes de cargos políticos e públicos; e) mulheres têm
mais obstáculos e desistem ou deixam de se eleger com maior frequência em
cargos legislativos de base.
Isso contrasta com o perfil de votantes
no Brasil: são 83.877.126 (52,84%) mulheres e 74.845.001 (47,16%) homens, totalizando
158.745.463. Neste ano, nem teremos uma candidata à Presidência da República.
Em 2022, havia quatro candidatas: Simone Tebet, Soraya Thronicke, Sofia Manzano
e Vera Lúcia.
A falta de equilíbrio na
representatividade político-eleitoral gera prejuízos. O primeiro é de ordem
prática, pois as mulheres imprimem melhor como construir e eleger políticas
públicas. Conforme pesquisas, mulheres em cargos de liderança política tendem a
alocar mais recursos para saúde e educação. Chega a 7% a mais, com impactos
positivos no combate à mortalidade infantil e acesso à educação. A segunda é
que metade da população fica condenada a ver homens decidindo seus futuros.
Conclamo os homens para, com sabedoria,
respeito e reconhecimento, trabalharem intensamente pelo aumento gradativo de
mulheres como candidatas aos cargos políticos e às lideranças de funções
públicas. É pelo bem da sociedade e da nação brasileira! #MaisMulheres
Junji Abe, produtor e líder rural, é
ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo
























