#DiaDosPais – A figura paterna costuma
gerar uma profunda emoção, inspirando sabedoria, proteção e amor. Hoje,
homenageio todos os pais, presentes e em memória. Meu pai, Izumi Abe, que está
no universo celestial, chegou ao Brasil com 15 anos, em 1928, na condição de
imigrante japonês, ao lado dos meus avós Makie e Tokuji Abe e com a irmãzinha,
Tioko, de 12 anos, e se estabeleceram como colaboradores no sítio do senhor
Anan, na Porteira Preta, zona rural de Mogi das Cruzes/SP.
Como todos os imigrantes, sustentavam o
ideal de fincar raízes e melhorar as condições de vida da família. Trabalharam
intensamente, 16 horas por dia, sem domingo nem feriado, sob sol ou chuva. Em
1934, já haviam comprado 14 hectares na Vila Moraes. Aos 20 anos, papai Izumi
casou-se com a linda, trabalhadora e determinada Fumica, 18, primogênita da
família Daizen (casal na foto).
Meus avós e pais revelaram-se grandes
empreendedores e, em 1935, adquiriram uma gleba de 44 hectares em Biritiba Ussu,
a 15 km da zona urbana de Mogi, onde produziam verduras e legumes. Em 1940, já
eram proprietários de 330 hectares de terras e campeões do Alto Tietê na
produção de hortaliças e tubérculos (batata inglesa e batata doce), além do
cultivo de chá com estrutura de agroindústria. Construíram casas de alvenaria
para acomodar 30 trabalhadores rurais e adquiriram caminhões e tratores, assim
como máquinas e implementos para irrigação de forma inédita e pioneira.
A Fazenda Abe chegou aos anos de 1950 com
650 hectares, 50 casas para acomodar colaboradores (200 pessoas), uma igreja,
uma escola e um armazém terceirizado, tudo para proporcionar tranquilidade e
qualidade de vida para todos. Para escoar diariamente a colheita abundante,
havia dois caminhões próprios rumo a São Paulo e quatro (três de
transportadoras) com destino ao Rio.
Em tempos diferentes, vovô Tokuji e
papai Izumi foram homenageados pela Câmara Municipal com os Títulos de Cidadão
Mogiano, em reconhecimento aos serviços prestados como maiores produtores
rurais familiares do País e geradores de programas sociais aos colaboradores,
referências inexistentes no Brasil da época.
Lamentavelmente, nos anos de 1980, vieram
as desapropriações para dar lugar às represas destinadas ao abastecimento de
água da região metropolitana de São Paulo, atingindo cerca de 300 produtores e
resultando em 5 mil trabalhadores desempregados. A Fazenda Abe teve 260
hectares de terras produtivas desapropriadas pelo governo paulista. As
indenizações, que deveriam ser pagas nos anos de 1990, transformaram-se em
precatórios em 1994. Muitos produtores faleceram sem receber esses valores.
Injustiça total!
“Amar este País, de todo o coração,
ajudar o povo em tudo que for possível e fazer mais pelo Brasil que os próprios
brasileiros”. Mais do que palavras na mente de uma criança que fui, são
princípios gravados na alma do homem que sou. É parte do legado fecundo,
brilhante e eterno que herdei de meus pais e avós. #LegadoPaterno
Junji Abe, produtor e líder rural, é
ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo












