(Foto: Fiama Tonhá)
#CampanhaDaFraternidade – A Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou em Brasília a Campanha da
Fraternidade 2026, com o lema "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14),
que norteia o tema "Fraternidade e Moradia", realidade de
milhões de brasileiros ainda sem acesso a uma casa adequada.
O objetivo é provocar uma reflexão
sobre a habitação como um direito fundamental e a porta de entrada para outros
direitos, como saúde, segurança, educação, transporte e dignidade. "Não
podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em
áreas de risco. A moradia não é privilégio, é condição básica para o exercício
de outros direitos", defendeu o secretário-geral da CNBB, dom
Ricardo Hoerpers.
O secretário-executivo de Campanhas
da CNBB, padre da Diocese da Campanha em Minas Gerais, Jean Poul
Hansen, leu a mensagem do Papa Leão XIV, recordando que a Sagrada Família
viveu o drama da falta de abrigo em Belém e o menino Jesus nasceu em uma
manjedoura, o que o identifica com aqueles que não têm um teto digno. "Deve
ter uma atitude constante que nos compromete a ir ao encontro de Cristo,
presente naqueles que não têm onde morar."
"Não é apenas oferecer muros e teto,
mas é oferecer o aconchego de um lar; de poder continuar a acompanhar a saúde, estar
presente na geração de renda; ajudar a pessoa a se encontrar", disse o Irmão
Henrique Peregrino, da comunidade católica de Trindade, em Salvador (BA).
A Campanha da Fraternidade 2026 destaca
que cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua (2025). Outras 5,9
milhões de famílias que não possuem casa própria e 20,9% da população vivem em
imóveis alugados. Jean Hansen cobrou o cumprimento do papel do Estado na
redução do déficit habitacional brasileiro. "A política é a forma mais
excelente da caridade... Nós devemos também fazer ações sociopolíticas em todos
os âmbitos de governo e da sociedade, no município, no Estado, na Nação. O
Brasil espera de nós ações que promovam políticas públicas de habitação em
todos os âmbitos."
Dom Hoerpers também reforçou que as
políticas públicas habitacionais não são concessões, mas deveres do Estado.
"A crise habitacional deve mobilizar a sociedade como um todo. Nos âmbitos
municipal, estadual e federal, que a moradia digna seja prioridade nas agendas
e nos orçamentos”.
Dados do Ministério das Cidades
apontam que, entre 2022 e 2023, houve recuo de 3,8% na quantidade de famílias
sem imóvel próprio. Com isso, o deficit habitacional absoluto teria baixado de
6,21 milhões de domicílios para 5,9 milhões, no período.
Segundo o governo federal, o Minha
Casa, Minha Vida contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com
investimento público superior a R$ 300 bilhões. Atualmente, a meta do programa
é chegar a 3 milhões de moradias contratadas no fim de 2026, 50% a mais que a
meta original. #DignidadeDeMorar
Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo











