sexta-feira, 8 de maio de 2026

Pesquisadora mil

 

(Foto: Luciano Pascoal/Arquivo Embrapa Soja)

#DestaqueMundial – A revista norte-americana Time publicou a lista de 100 pessoas mais influentes do mundo. Nela, constam três brasileiros:

- Wagner Moura: ator, aclamado internacionalmente, com destaque pela sua atuação no filme “O Agente Secreto”.

- Luciano Moreira: pesquisador da Fiocruz que lidera o World Modquito Program no Brasil, utilizando a técnica Wolbachia para combater doenças como dengue, zika e chikungunya.

- Mariângela Hungria: pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Soja, reconhecida por seu trabalho com micro-organismos do solo, que aborda o uso de biofertilizantes reduzindo a dependência de fertilizantes químicos que têm no Brasil um dos maiores consumidores.

 

Destaco a Doutora Mariângela Hungria, vencedora do World Food Prize 2025, considerada a mais importante premiação da agricultura mundial e reconhecida como o Nobel da Alimentação e Agricultura. Residente há 30 anos em Londrina/PR, ela dedicou a carreira a insumos biológicos para substituir os fertilizantes químicos, com pesquisas em fixação biológica do nitrogênio. Segundo a Embrapa Soja, essa substituição gera uma economia ao Brasil de até US$ 25 bilhões por ano em fertilizantes químicos, além da redução de impactos ambientais com a diminuição da emissão de gases de efeito estufa.

 

O trabalho se concentra em selecionar microrganismos benéficos, como bactérias e fungos, e torná-los mais eficientes, sendo aplicados nas sementes ou no solo. Funcionam como fertilizantes naturais, diminuindo a necessidade de produtos químicos. “Eu queria trabalhar com agricultura ou com meio ambiente, produzir alimentos, porque ficava muito triste quando eu via uma pessoa na rua passando fome”, conta ela, relembrando a infância.

 

Engenheira Agrônoma pela USP, Mariângela fez mestrado e doutorado com teses em fixação biológica do nitrogênio e ingressou na Embrapa em 1982. Essa tecnologia fez do Brasil o país que tem a maior taxa de inoculação do mundo na produção de soja, com 85% da cultura usando insumo biológico. Somente com a soja, em 2025, foram 230 milhões de toneladas de CO2 a menos. Os agricultores brasileiros economizaram cerca de US$ 25 bilhões e deixaram de emitir 230 milhões de toneladas métricas equivalentes de dióxido de carbono.

 

“Produzir alimentos é importante, mas não basta para enfrentar a fome, por isso defendo um esforço interdisciplinar. Como legado desejo deixar uma homenagem às mulheres na agricultura, que passam da avó pra mãe e pra filha o cultivo das ervas medicinais, pois elas cuidam das hortas comunitárias”, observa a pesquisadora a quem manifesto extrema gratidão pelo grande trabalho em prol da humanidade, diferentemente dos pseudolíderes que só pensam em poder e deflagram conflitos e guerras. #PesquisadoraMil

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

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