sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Memórias de um líder rural

Junji: presidente do Sindicato Rural de 1980 a 2000

Beneficiadas pelas condições climáticas que caracterizam o microclima, Mogi das Cruzes e demais cidades da Região do Alto Tietê foram palco do cultivo de verduras, legumes, tubérculos e bulbos, desde o século 19. Imigrantes italianos e espanhóis comandavam as plantações que tinham a batata inglesa como carro-chefe. Era chamada de batatinha. A popularidade do cultivar moldou a expressão “batateiro”, no lugar de bataticultor, para designar o produtor deste item. Também ganhava atenção a batata doce. No segmento de hortaliças, predominava o repolho. 

Era uma época em que o preparo do solo se dava com arados e grades de tração animal (burros e bois) para gerar os cultivos considerados extensivos, de grandes dimensões. Até então, não se podia imaginar pulverizações ou irrigações para o manejo das culturas. 

Os imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil a partir de 1908 foram praticamente todos deslocados para o Interior paulista, na condição de colonos, à disposição de grandes fazendas de café e, posteriormente, de algodão. De 1920 para cá, começaram a seguir o exemplo de italianos e espanhóis na seara das hortaliças. Da mesma forma, utilizavam o processo rudimentar de tração animal e capinação manual, com enxadões e enxadas. 

Entretanto, diferentemente das imigrações europeias, os imigrantes japoneses iniciaram uma agricultura baseada em seu país de origem, com glebas pequenas, ao contrário das usuais culturas extensivas. Ficaram famosas práticas como o “arranca-toco” para desbravar terras na região da Mata Atlântica. Mesmo sem energia elétrica e, muitas vezes, sem estradas de acesso, eles enfrentaram com bravura o desafio de modelar a Região do Alto Tietê, de forma pioneira, como minifúndios altamente produtivos. 

Mais que isso. O modelo nipônico multifacetou as lavouras, que deixou de ter poucas culturas anuais. Os imigrantes introduziram uma série de diferentes verduras, legumes e bulbos. Era a estratégia para que tivessem renda, senão o ano inteiro, pelo menos, maior que uma ou duas safras anuais. Com dedicação extraordinária e reduzidos apoios dos órgãos governamentais, evoluíram. 

Já naquela época, o Estado de São Paulo se destacava dos demais, porque o governo tinha a famosa estrutura de apoio e assistência técnica aos produtores que, diga-se, uma maioria de pequenos, por meio das Casas da Lavoura. Estas unidades agrupavam engenheiros agrônomos profundamente integrados aos pequenos lavradores. 

A estreita relação entre produtores e técnicos de assistência técnica e extensão rural impulsionou a constituição de associações capazes de representar a laboriosa classe produtora de alimentos. Não tardou para que surgisse a Associação Rural de Mogi das Cruzes, fundada em 14 de maio de 1950. O primeiro presidente foi Arnaldo Andreucci, sucedido por Kotaro Watanabe em 31 de janeiro de 1954. Na sequência, até 31 de dezembro de 1957, o comando da entidade ficou sob a responsabilidade do engenheiro agrônomo Edison Consolmagno. O ex-prefeito Rodolpho Jungers ocupou o cargo até 31 de dezembro de 1962 e teve como sucessor Kenji Neguishi. De 1º de janeiro de 1965 a 12 de junho de 1980, Minor Harada esteve à frente da instituição. 

Cada um deles desempenhou de forma magnânima suas funções, ao lado de agricultores eleitos como membros da diretoria, para garantir união na conquista dos direitos da classe junto ao governo e à sociedade, principalmente no que tange ao respeito e reconhecimento pela produção de alimentos. 

A famosa Associação Rural de Mogi das Cruzes sofreu uma transformação em função da Revolução de 1964. Foi quando o governo militar converteu as associações classistas de atividades econômicas no Brasil em sindicatos, patronais ou de trabalhadores. Assim, teve início uma nova fase da representação dos produtores rurais por meio do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes. 

Lutas memoráveis e de grande demonstração de unidade fazem parte do histórico do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes. Dentre algumas façanhas, vale citar a mobilização para combater os efeitos catastróficos da transformação do IVC – Imposto sobre Vendas e Consignações em ICM – Imposto sobre Circulação de Mercadorias. O novo tributo colocava em cheque a continuidade das atividades agrícolas e a sobrevivência dos produtores que se dedicavam a culturas perecíveis e sazonais. Enquanto os agricultores eram praticamente isentos do IVC, passaram a ter de recolher 28% do valor da venda bruta como ICM. 

Para protestar contra a medida fulminante, em meados da década de 60, o então presidente do Sindicato Rural, jovem líder rural Minor Harada, convocou a manifestação. Os produtores saíram às ruas com tratores da época para uma concentração na antiga Cooperativa Agrícola Mista de Mogi das Cruzes, localizada na Rua Dr. Deodato Wertheimer, esquina com a Avenida Francisco Rodrigues Filho. Naquela ocasião, a mobilização reuniu aproximadamente 10 mil pessoas e 300 tratores de 25 bairros e distritos rurais da Cidade. 

O megaprotesto teve uma repercussão tão forte que fez o governo voltar atrás. Graças ao Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, todos os demais municípios paulistas com economia agrícola ficaram livres do impostaço. A isenção permanece até hoje, apesar de o ICM ter agregado os Serviços passando a ser chamado de ICMS. 

É uma pequena amostra das dezenas de feitos empreendidos pelo Sindicato Rural de Mogi das Cruzes. O Município se destacava como o maior polo produtivo de olerícolas – verduras, legumes, bulbos e tubérculos –, avicultura e fruticultura. O cenário inspirou o saudoso e extraordinário engenheiro agrônomo Edison Consolmagno a criar a expressão hortigranjeiros. Mais tarde, com a expansão do setor e a introdução de novos e fortes itens no processo produtivo, o termo agregou as frutas, tornando-se hortifrutigranjeiros. Já era a nossa gestão à frente do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, na década de 80. 

A história do Sindicato Rural é tão fecunda que o espaço fica pequeno para tantas conquistas em prol da categoria. Sob os incentivos da entidade, vieram os avanços no processo produtivo. Saíram de cena os animais para tração e as ferramentas manuais. Sempre na vanguarda da olericultura, pioneiramente, Mogi das Cruzes estreou na irrigação. Da mesma forma, a pulverização deixou as costas dos trabalhadores para com o auxílio de implementos apropriados, puxados por tratores. 

Parece um videotape, mas todas as dificuldades que os produtores enfrentam nos dias atuais são reprises de tantas crises já vividas. Se hoje existe a incerteza dos prejuízos que advirão do novo Código Florestal, comparável ao ICM já relatado, não se pode esquecer do longo período inflacionário iniciado em 1978. A sequência de governos irresponsáveis destruiu uma das maiores riquezas da área produtiva rural, marcada pela continuidade de geração após geração no campo, com a sucessiva transferência de conhecimentos e experiência aos sucessores. 

Na esteira da espiral inflacionária que sacrificou a sociedade brasileira ao longo de mais de 16 anos, os produtores acabaram mutilados em sua atividade. Tiveram penhorados seus bens e sepultadas suas chances de permanecer na produção, em função de financiamentos impagáveis. Paralelamente, foi a mesma tragédia que liquidou as cooperativas agrícolas. 

O governo militar, iniciado em 1964, motivou e moldou os agricultores a utilizarem os financiamentos rurais, acenando com subsídios imensos. Como exemplo, destacam-se os fertilizantes subsidiados. Quem financiava a compra, era beneficiado com descontos que permitiam ao devedor devolver ao banco apenas 60% do valor contratado para adquirir o insumo. Tanto para custeio como para investimento, os produtores ficaram viciados no crédito rural. 

Com a inflação chegando a patamares da ordem de 100% ao mês, os financiamentos tiveram correção monetária na amortização, tornando-se impagáveis. A maioria dos imigrantes e seus descendentes foram praticamente dizimados. Daí, em 1988, após o naufrágio do Plano Cruzado, veio o fenômeno dekassegui que levou milhares de descendentes de japoneses a fazer o caminho inverso de seus ancestrais, em busca de sobrevivência no Japão. Foi um período de triste memória.

Junji Abe, deputado federal - PSD-SP


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Amadurecimento da democracia

Costumo dizer que eleição é que nem casamento. Precisa de um namoro sólido e de um noivado bem articulado para, com a bênção de Deus, chegar ao matrimônio e evoluir para um final feliz. Conhecimento mútuo é a expressão de ordem no processo. Um tem de conhecer bem o outro. Saber das suas expectativas, das suas necessidades, daquilo que gosta e do que não gosta. É nesse tempo de aprendizado de mão dupla que se sacramenta as bases de um relacionamento promissor.

O período de campanha eleitoral tem finalidade semelhante. Os três meses que antecedem o dia da votação precisam ser utilizados com sabedoria. Pelos candidatos e pelos eleitores. É a etapa do conhecimento mútuo. Os concorrentes aos cargos públicos deverão mostrar quem são e o que pretendem. Já o eleitorado precisa usar o tempo para expressar o que deseja, o que não quer e, principalmente, para investigar aqueles que pedem seu voto.

Quanto mais criterioso e exigente for o eleitor nessa investigação, maiores serão suas chances de tomar boas decisões no dia da votação. Nosso povo precisa caminhar com rapidez para o amadurecimento da democracia. Significa usar com sabedoria a grande arma do voto. Por uma Cidade melhor, por um Estado melhor, por um País melhor.

Ao desperdiçar o poder do seu voto, o eleitor perde a grande oportunidade de conseguir aquilo que deseja para viver melhor. Votar não se resume ao simples ato de catar um santinho qualquer a caminho do local de votação e digitar os números na urna eletrônica.

Votar é escolher seus representantes. É dar a alguém o direito de falar por você e de agir em seu nome. Votar é dizer que o candidato escolhido reúne as melhores qualidades, tem as propostas mais eficientes e a capacidade para fazer aquilo que você espera. Nunca é demais lembrar que nas urnas, assim como no casamento, uma escolha malfeita trará decepções.

Ao longo dos meus quase 40 anos de vida pública, como gestor público e legislador, pratico a filosofia de que o foco de toda e qualquer ação deve ser o ser humano – ainda na barriga da mãe e até seus últimos dias na Terra. 

Sempre aprendi com as pessoas. Ainda hoje, tenho a população como minha principal consultora. E garanto: o povo sabe o que quer e tem poder para exigir. Cabe aos políticos terem a dignidade de ouvir as pessoas. Cabe ao eleitor usar seu direito de manifestar sua vontade.

Com o voto consciente, estaremos fazendo mais do que melhorar o presente. Estaremos deixando um futuro melhor para as próximas gerações. Sim, porque votar com maturidade é respeitar e valorizar a vida. 


Junji Abe, deputado federal - PSD-SP

terça-feira, 19 de junho de 2012

PEC 185: questão de organização


Amigas e amigos sempre conectados com nosso trabalho: recebam as cordiais saudações e toda minha gratidão pela produtiva parceria no desenvolvimento das nossas ações na Câmara Federal. É com imensa satisfação que registro uma síntese da nossa primeira PEC – Proposta de Emenda à Constituição (185/2012), preparada para facilitar o entendimento do projeto, os motivos da sua elaboração e alcance da medida, se for transformada em lei.

A ideia de formular a PEC 185/2012 surgiu para acabar com a histórica distorção do acúmulo de anos para reajuste da remuneração dos servidores públicos, responsável por altos índices de correção e indignação generalizada da sociedade. O ponto principal da proposta é garantir revisão geral anual da remuneração dos funcionários públicos, criando meios para o cumprimento do que já estabelece a Constituição Federal no inciso X do artigo 37.

De acordo com a proposta, se o chefe do Poder Executivo – municipal, estadual ou federal – não enviar, até 1º de julho de cada ano, a proposta de revisão dos salários dos funcionários públicos que valerá para o ano seguinte, qualquer membro do Congresso Nacional poderá fazer isso.

Hoje, o funcionalismo passa quatro, cinco anos, sem reajuste. Quando vem, a correção considera todo esse tempo. Daí, o índice é gigante e a população fica indignada. Mas, não sabe que isso aconteceu por desorganização do poder público. Se a nossa PEC for aprovada, isso acaba. Todo ano, o servidor público teria reajuste, assim como qualquer trabalhador. E de acordo com o índice de correção para repor as perdas inflacionárias. Do mesmo jeito que ocorre com o Salário Mínimo.

No final das contas, é justo e melhor para todos. Acabam os índices de correção gigantes dos salários do funcionalismo no País inteiro. Ao mesmo tempo, os funcionários públicos deixam de amargar anos de salários represados. Quanto mais valorizados forem os servidores, melhor a qualidade dos serviços que prestam à população.

Além disso, precisamos reduzir cada vez mais a quantidade de pessoal não concursado no serviço público. Para contar com profissionais de alto nível, é fundamental ser justo com a remuneração. Quando falamos de funcionalismo, estamos falando também do professor das escolas públicas, do médico da rede pública, de funcionários concursados que fazem revisão de aposentadoria, do servidor que conserta vazamento de esgoto e assim por diante.

Outra inovação contida na PEC: a sessão legislativa não poderá ser interrompida enquanto os parlamentares não aprovarem o projeto de Lei de revisão geral anual do funcionalismo. Isto evita que a discussão do assunto sofra constantes interrupções, arraste-se por várias sessões do Poder Legislativo e acabe atropelada pela morosidade do sistema. O impedimento de interrupção é o mesmo que já vale para a aprovação da LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias, como determina o parágrafo 2º, artigo 57 da Constituição Federal.    

Se aprovada, a medida atingirá os servidores dos três poderes – Legislativo, Executivo e Judiciário? Outra pergunta frequente que tenho recebido: uma vez aprovada, a PEC valerá para os funcionários públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios? A resposta é sim para as duas questões. Se virar lei, abrangerá o funcionalismo dos três poderes de todos os entes da Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, conforme estabelece a Constituição Federal no caput (início) do artigo 37, inciso X.

Como a PEC se refere ao chefe do Poder Executivo, está falando do presidente da República (no caso da União),  dos governadores (dos Estados ou do Distrito Federal) e dos prefeitos (gestores dos Municípios). Já a expressão Congresso Nacional deve ser entendida como Poder Legislativo. Isto significa que, na esfera federal, são os deputados federais e senadores. No âmbito estadual e do Distrito Federal são os deputados estaduais ou distritais, respectivamente. Nos Municípios, são os vereadores.    

Tal compreensão encontra amparo em entendimento pacificado do STF – Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o disposto no artigo 61 da Constituição Federal. O texto faz referência à iniciativa privativa do “Presidente da República”. Contudo, a análise sistemática levou a Suprema Corte a concluir que, no caso dos demais membros da Federação (Estados, Distrito Federal e Municípios), a expressão deve ser lida como “Governadores” e “Prefeitos”, conforme o caso.

Após a apresentação, a PEC 185/2012 passou por conferência de assinaturas. Explico: para apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição, o autor precisa obter o apoio de 171 deputados. Recebemos o aval de 188 parlamentares. Agora, a matéria será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se houver parecer favorável pela admissibilidade, será constituída uma Comissão Especial para examinar o mérito da proposição. Por fim, haverá apreciação no Plenário, com votação em dois turnos. Havendo aprovação, o assunto seguirá para avaliação do Senado.


       Junji Abe, deputado federal – PSD-SP

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Luta por Justiça – PEC 270

Amigas e amigos do ambiente cibernético: apesar de não conhecê-los pessoalmente e, sequer, saber de onde são, permitam me chamá-los assim, carinhosamente. Afinal, a amizade tem por alicerce, sentimentos sagrados e fundamentais, como respeito, justiça, solidariedade, reconhecimento, companheirismo, compreensão, admiração e carinho, entre outros, mas, principalmente, o amor.

Após a nossa posse, em fevereiro de 2011, como deputado federal de 1º mandato, me coloquei à disposição do povo brasileiro em tempo integral, levando na bagagem as lições de vida que Deus me proporcionou. A começar pelos maravilhosos avós e pais – imigrantes japoneses –, que me ensinaram a importância dos sentimentos descritos e inseriram na minha conduta tantos outros princípios, igualmente essenciais. Falo de trabalho, determinação, responsabilidade, ética, moral, religiosidade, compromisso, igualdade e patriotismo.

Não há preço que pague uma boa formação cultivada no seio do lar. Tenho colhido tal comprovação ao longo da caminhada como produtor rural, líder sindical, cooperativista e integrante assíduo de movimentos associativos da nossa sociedade. Estas participações, e os frutos gerados do contínuo aprendizado, somaram-se às funções e cargos de representação político-partidária exercidos – vereador, deputado estadual, prefeito municipal e, atualmente, deputado federal.

Apesar de haver-se passado quase um ano, lembro-me, como se fosse hoje, das primeiras mensagens que recebi, pelo famoso miniblog chamado Twitter. Vieram de pessoas que, repito, não conhecia no mundo real, mas que se tornaram muito próximas, identificadas na minha linha do tempo pelos seus codinomes. É o caso de @zbrun e também de movimentos, como @coesao_PEC270. Pediam minha contribuição em favor da aprovação da “#PEC270”.

A tag (ou rótulo) #PEC270, sucessivamente repetida nos processos de interação, focava a PEC – Proposta de Emenda à Constituição 270/2008. Pedi a minha assessoria, no gabinete, que levantasse todas as informações sobre o assunto. Fiquei profundamente surpreso e indignado com a dimensão da injustiça que já durava oito anos e atingia os funcionários públicos aposentados por invalidez.

Imediatamente, coloquei-me em campo para tentar colaborar, tendo plena consciência das dificuldades que encontraria para acelerar a tramitação da PEC 270. Mas, se Deus é Grande, também é verdade que Ele ajuda. À medida que comecei a conversar com parlamentares recém-chegados, todos mostravam-se solidários à causa.Igualmente, os reeleitos diziam que, desta vez, precisavam encerrar tamanha injustiça.

O clima de convergência era excelente. Em especial, como reflexo da legítima batalha que vocês, amigos do ambiente virtual, deflagraram e sustentaram. As mensagens contendo o apelo pró-PEC 270 se robusteceram e se multiplicaram, fazendo evoluir um movimento nacional que envolveu, com intensidade, os parlamentares, consolidando sua adesão à causa.

Portanto, ao render minhas homenagens à luta heroica de milhares que, ansiosamente, esperavam a aprovação
da #PEC270, permitam-me citar alguns destes que me dão o privilégio e honra de tê-los como amigas e amigos no Twitter: @A1Rhodes, @AbilioAMoreira, @JMarceloNasc, @#PEC270, @DignidadePEC270, @PEC270, @grupopec270, @ramospedagogo, @edishiro, @gizeleseabra, @cidasgodoy, @marliocastelo, @silasdantas63, @EduardoMendes30, @eligxa, @beatrizbranco, @Tchilla_Candido, @thelmaabreu, @jeliasteofilo, @anadiasoliveira e @GARROCHOOMAR.

Tenho recebido, com emoção, mensagens de gratidão. Mas, confesso-lhes, de coração, que sou eu quem agradeço. Foram vocês, caros amigos, que me proporcionaram a honra e o entusiasmo de trabalhar por uma causa tão nobre: o resgate da dignidade daqueles que se dedicaram à administração pública e, aposentados por invalidez permanente, são tolhidos do direito de receber proventos integrais com paridade.

A Câmara Federal aprovou, em dois turnos, a #PEC270. A batalha ainda continua no Senado. E havemos de
sair vitoriosos. A justiça já se faz tarde, porque muitas vítimas da distorção nos proventos já nos deixaram. Porém, nunca é tarde para defender uma causa nobre. A luta de vocês é a nossa luta. Devemos, mais que nunca, intensificar a mobilização junto aos senadores e seguir adiante até a promulgação da #PEC270 pela presidente Dilma Rousseff.

Aos parlamentares da atual Legislatura, manifestamos sinceros agradecimentos pela participação que garantiu a aprovação unânime da proposta na Câmara Federal. Aqui, rendemos também uma menção especial de reconhecimento ao trabalho da deputada Andreia Zito (PSDB-RJ), autora da #PEC270, e do relator da matéria, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

Termino a presente consideração agradecendo, uma vez mais, a Deus que me proporcionou a dádiva de uma relação tão sublime e humana de amor e amizade com vocês. Amparado nesta sinergia, reafirmo minha convicção de que sempre vale a pena lutar por Justiça.

Um forte, fortíssimo abraço a vocês!

Junji Abe, deputado federal – PSD-SP

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ano de pessoas melhores

Perdão e gratidão. Duas palavras simples de significado amplo e profundo. Porém, nem sempre praticadas com as merecidas frequência e intensidade. Estamos prestes a encerrar mais um ciclo de 365 dias. A Terra se prepara para completar mais uma volta em torno do Sol. E nós, pequeninos na imensidão do cosmos, ficamos envoltos por preocupações cotidianas.

Às vésperas da virada do ano, é normal a lembrança das urgências. Daquelas pendências, gigantescas ou minúsculas, que precisam ser eliminadas. Na expectativa dos dias vindouros, nada custa rememorar questões fundamentais, inexplicavelmente deixadas em aberto. Sim, é a correria que conduz à falta de tempo. Mas, o que justifica um perdão não pedido nem concedido? Ou um ‘muito obrigado’ não dito?

Aqui, entram as duas palavrinhas de valor inestimável. Penso que nossos esforços precisam ser dirigidos à meta de sermos pessoas melhores. Não mais ricas e nem mais poderosas. Apenas – e isto é de nobreza ímpar – pessoas melhores. Tanto os bens materiais quanto o poder são efêmeros. Passarão e se transformarão num piscar de olhos da eternidade. O que fica é a bagagem de conhecimentos. E o que cada um traz na alma.

Sob a ótica do que é fundamental, a matemática de perdas e ganhos se desprende do sentido convencional. O balanço passa a ter outro contorno. Estar no verde ou no vermelho depende diretamente do bem que se faz ou se deixa de fazer a alguém. São ações que enriquecem ou empobrecem a alma humana. E isto independe do saldo na conta bancária e das posses.

A cada dia, reafirmo minha convicção de que o ser humano foi criado para ser bom. Nenhuma obra de Deus poderia ser ruim. Mas, com o privilégio do livre arbítrio, nem sempre a escolha é o caminho do bem. As opções erradas vão corroendo a alma até não restar sequer o pó.

Da mesma forma, é possível fazer escolhas certas. E ficar do lado do bem. Não requer prática nem habilidade. Apenas o desejo sincero e o trabalho firme de cultivar as dádivas recebidas do Criador. Acredite: o mundo precisa de pessoas melhores, cada vez melhores.

Para levar adiante essa revolução interior, vale começar pelos pequenos acertos. Agradecer sempre, todo o tempo, por tudo. Até as situações aparentemente adversas merecem gratidão. Elas trazem grandes lições e até o sofrimento necessário para despertar a força interior, passaporte para a superação. Sim, a capacidade de se erguer e seguir em frente, sem lamentar ou sucumbir à autopiedade.

Ainda focando os pequenos acertos, pinço a necessidade do perdão. Em mão dupla! Ser indulgente e também pedir perdão. Nenhum mortal está imune aos erros. Portanto, a regra é a mútua compaixão.

Falo de perdão e gratidão em todos os sentidos. São palavras que precisam ser traduzidas em atos no dia a dia. Nada de deixar para amanhã. Peça e aceite desculpas sempre. Faz bem ao coração perdoar e agradecer. É muito importante dizer obrigado à atendente de uma loja. É fundamental agradecer a Deus pela família maravilhosa, pelos amigos leais, pela vida.

Na jornada pela evolução da alma, saímos com a vantagem da essência divina, concedida a cada um. O restante é boa vontade e prática cotidiana. Que em 2012 tenhamos fé, saúde, determinação, paz, coragem, sabedoria e bondade para fazer de nós mesmos pessoas sempre melhores.

Muito obrigado! Feliz Novo Ano!
Junji Abe é deputado federal – PSD-SP

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Hoje é dia de viver, bebê



Ao sempre amigo Ale Rocha,

com toda força e luz!


A vida é muito mais que “para ser vivida”. A vida é para quem sabe viver. E ele soube, como poucos. Dia após dia; e de novo, até o último. Apesar da dor, da falta de ar, das restrições que a doença impunha, apesar dos pesares.

Lembro-me da primeira vez que nos falamos. Foi pelo Twitter. Assim, de tanto contato virtual, ficamos próximos. E tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente. Jovem inteligente, culto, audaz, solidário, politizado, crítico, dono de um altruísmo ímpar e em pleno exercício da cidadania – sempre enfronhado com ações para melhorar o País, o Estado, a nossa cidade de Mogi das Cruzes.

Conhecer uma pessoa como ele é uma experiência valiosa. Tê-lo como amigo é uma dádiva divina. Faz a gente perceber o quanto é pequenino perto de alguém com tamanha força interior. Mas, também faz a gente se sentir um gigante pela energia positiva que recebe.

Ao longo do nosso convívio, tive cada vez mais motivos para admirá-lo. Acompanhei momentos difíceis que ele atravessou. Sempre com otimismo, fé, bom humor, um largo sorriso no rosto e, por incrível que pareça, o desejo de ajudar. Bem maior que o de ser ajudado. Aos mortais que não tiveram a mesma sorte que eu, só posso dizer que perderam uma grande oportunidade de aprendizado. Mais que isto: não tiveram a chance de conviver com um amigo leal, destes com quem a gente troca confidências, diz sempre o que pensa e sabe que estará ao seu lado. Mesmo que seja para cobrar ações e posturas. Ele cobrava bem. E, como político, digo que era uma honra ser cobrado por ele.

Jornalista brilhante, comentarista de TV coerente e antenado em tudo, blogueiro de primeira linha, um grande empreendedor, tudo isso e bem mais é o que mundo já sabia sobre ele.

Este menino de 34 anos, homem como poucos, era um pai de família dedicado e amoroso. Penso no pequeno João Vitor, seu filho. Sinto um nó enorme na garganta... Escrevo aqui de Brasília. Não pude me despedir do amigo mais guerreiro que já tive, um samurai armado com as palavras. Ele foi atender ao chamado de Deus. Decerto, a esta altura, já deve estar dando pitacos para melhorar as coisas por lá.

Aqui embaixo, ficamos com a saudade. E, ao mesmo tempo, com a certeza de que seu legado será preservado por todos aqueles abençoados por conhecê-lo. Das suas lições, extraio a melhor: viver. Intensamente, com todas as forças, com a alma inteira. Sim, viver cada dia como se fosse o último. Mas, com a alegria de ser o primeiro.

Adaptando da sua última frase no Twitter, digo: “Hoje é dia de viver, bebê”


Junji Abe (PSD-SP) é deputado federal

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Domingo de Páscoa



Meus filhos já são crescidos, mas tenho três netos pequenos que, com certeza, aguardam ansiosos o Domingo de Páscoa. Quem tem crianças na família sabe da expectativa em torno dos ovos de chocolate, trazidos pelos coelhinhos felpudos – leiam-se pais e avós. O apelo comercial é pesado. Começa semanas antes em tudo que é mídia. A meninada fica ouriçada, cobiçando as doces delícias, cada vez mais atraentes aos olhos dos pequeninos. E de muitos marmanjos também.

Para a economia de mercado, é formidável. Aquece a indústria e movimenta o comércio. Para o bolso dos coelhinhos felpudos, nem tanto. Haja pai de família fazendo das tripas coração para adoçar os pequenos na Páscoa.

Com todo respeito ao chamariz comercial da data e aos olhinhos brilhantes da criançada, peço uma pausa para falar do real significado da Páscoa.

Longe das maravilhas do cacau, o Domingo de Páscoa marca a ressurreição de Jesus Cristo. É a festa do renascimento Daquele que deu a vida para derramar o perdão divino sobre o nosso mundo de mortais pecadores.

Então, antes de saborear a tradicional bacalhoada ou uma deliciosa sardinha nesta Sexta-Feira Santa, vamos refletir um pouco sobre o sofrimento de Jesus. Visto como ameaça pelos poderosos, Ele foi crucificado por ser diferente. Por ser um líder imbatível, porque pregava o amor incondicional. Amor a Deus, aos pais, aos filhos, aos amigos, aos companheiros, aos desconhecidos, aos inimigos.

A Sexta-Feira da Paixão deve nos inspirar a refletir. E mais que isso. Deve nos conduzir à reconciliação. Com aqueles a quem magoamos, com aqueles que nos magoaram. É um dia para o perdão. Na cruz, à beira da morte física, Jesus elevou o pensamento ao Pai e pediu que Deus perdoasse seus algozes. Quem somos nós para negar perdão? Ou para não pedir perdão?

Lembro-me de Judas, o traidor que vendeu o Mestre. A criançada faz a farra no Sábado de Aleluia, faturando balas com um boneco de pano – surrado aos montes e, às vezes, com a identidade de alguém visto como vilão. Brincadeira à parte, porque a vingança jamais seria um ensinamento de Jesus, vamos, nós também, malhar os ‘Judas’ das nossas almas. Vamos expulsar a pauladas todo e qualquer sentimento ruim que habite em nossos corações. Vamos fazer uma faxina interior e tirar de nós tudo o que seja contrário à bondade, paz, solidariedade e ao amor.

Aí, sim, no Domingo de Páscoa, estaremos preparados para celebrar a ressurreição de Jesus. Com ou sem ovos de chocolate, tanto faz. O fundamental é acalentar nossas almas com o mais puro sentimento de felicidade. Jesus está vivo em nós. E que Ele renasça, a cada dia, em nossos corações, fazendo-nos praticar as lições que ensinou. É com este profundo e sincero desejo que envio a vocês meus votos de Feliz Páscoa!



Junji Abe é deputado federal - DEM