sexta-feira, 8 de março de 2013

Aos homens de bem

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. E minha mensagem vai para os homens. Para os homens de bem. Aqueles que fazem justiça ao nome que têm, aceitam a diversidade, estão livres de preconceitos, têm fé e lutam por tudo em que acreditam. Lembremos, meus caros, que não nascemos de uma árvore, nem brotamos impunemente dos campos. Nossa existência se deve à mulher, mãe da vida. É dela o dom de gerar outro ser humano. De confortá-lo e nutri-lo ainda no ventre. 

Pergunto ao amigo: já homenageou as mulheres da sua vida hoje? Falo da sua amada, da sua mãe, sua avó, suas filhas, netas, sobrinhas, noras, irmãs, amigas, de todas as figuras femininas que povoam e iluminam seu universo. Não me venha com a desculpinha de que se trata apenas de uma data comercial. É mais que isso. É um dia para lembrar (e reconhecer) a importância delas em nossas vidas. 

Fique claro: o que quer que foi e venha a ser dito em homenagem à mulher ainda estará muito aquém do que ela merece. Somos seres errantes em busca de acertos na trajetória da vida. Temos de nos esforçar para falhar cada vez menos. A mulher, com sua sensibilidade, força (não se engane: elas são poderosíssimas!), jeitinho e intuição ímpares podem tornar nossa jornada menos sofrível. 

Se você, meu amigo, é destes que não ouve a mulher, antecipo-lhe meus sentimentos de pesar: dará muitas cabeçadas na vida... Atire a primeira pedra aquele que nunca se deu mal numa investida porque contrariou a intuição – afiadíssima, por sinal – de uma mulher. Elas quase sempre também têm razão. Não há motivo para ter vergonha de aprender com elas. 

Hoje também é um dia de reflexão para nós, do sexo masculino. As mulheres trabalham fora, lidam com pressões e carregam, tanto quanto nós, o estresse do mercado de trabalho. Na verdade, a mulher faz muito mais. Também cuida da casa e dos filhos (incluindo, ajudar nas lições), faz compras, administra problemas domésticos que nem sonhamos existirem, cultiva bons bate-papos com as amigas, arruma tempo (às vezes, não sei como) de participar do Facebook e fazer postagens no Twitter, nos aconselha (felizmente, mesmo quando não queremos) e ainda nos salva no gosto duvidoso do vestuário corrigindo nossos deslizes e dando um jeitinho de sumir com aquela camisa horrorosa que insistimos em usar. 

Portanto, o que custa respondermos com um pouquinho de atitude e boa vontade? Ah, sim! Lavar louça não faz cair as mãos de homem nenhum. Também não dói colaborar para manter a casa em ordem. Ninguém precisa largar roupas e sapatos espalhados para ser feliz. Nem jogar a toalha molhada em cima da cama. Nem deixar de abastecer o porta-papel higiênico. Usar o banheiro e deixar a bobina de papel vazia é uma afronta, certo? Igual abuso é largar levantada a bacia do vaso sanitário. 

Nem pense em dizer que tarefa doméstica é serviço de mulher. Não é, não. Disciplina faz bem e não tem contraindicação. Aí, meu amigo, vai me dizer que troca as lâmpadas, abre potes emperrados (para a refeição que você não irá preparar), tira as cortinas sujas e as põe de volta limpas (mas, não foi você que as lavou), conserta o chuveiro e apara a grama. Ora, meras obrigações para nós, com um pouco mais de músculos. 

Para mim, macho que é macho abre a porta do carro para a dama entrar, ajeita a cadeira no restaurante – e paga a conta, manda flores, declara seu amor, elogia sempre e, claro, ajuda a manter a casa em ordem. Colaborar é atribuição de todos. 

Evidente que ninguém é perfeito. Também, não precisa ser tão imperfeito. Em meio às reflexões da data, dá para melhorar em ações cotidianas. Por exemplo, superar a obsessão de zapear canais no controle remoto, principalmente durante os intervalos dos programas prediletos dela. Ou ainda, aprender a ser inteiro na hora de conversar. Não vale fingir que presta atenção ao que ela diz enquanto se mantém vidrado no jogo de futebol transmitido pela TV. O diálogo é a ferramenta número 1 do bom relacionamento. Isto vale para tudo. 

No Dia Internacional da Mulher, rendamos nossa homenagem de modo diferente. E permanente. Afinal, a mulher é especial demais para ser homenageada numa única data. Sejamos, nós, homens um pouco melhores, mais participativos, sensíveis e colaboradores. Saibamos ser gratos e honrar o maior prêmio já dado a um mortal pelo Criador: a divindade chamada mulher.

Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP

sexta-feira, 1 de março de 2013

Dinheiro obrigatório para a saúde

Já perdi a conta das ações desenvolvidas, desde que chegamos à Câmara, em fevereiro de 2011, para tentar reverter o caos financeiro que atola santas casas e hospitais filantrópicos, fazendo da saúde pública um fosso infindável onde a população cai doente, com baixas perspectivas de atendimento e chances seminulas de cura. Nem os sucessivos apelos dos colegiados do Congresso, de que fazemos parte, receberam um lampejo de esperança vindo do Planalto.

Chegamos ao limite da ameaça de suspensão da assistência eletiva nas santas casas e filantrópicas da saúde no País. São elas que realizam cerca de 10 milhões de atendimentos por ano e respondem por 45% de todas as internações feitas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). É fácil entender por que acumulam dívidas impagáveis: recebem apenas R$ 65 para cada R$ 100 gastos em serviços prestados. 

A tabela SUS, que dita a remuneração das conveniadas, está absurdamente defasada. Estamos carecas de cobrar a nunca atendida correção dos valores. O buraco é mais embaixo. Não adianta determinar o reajuste, se o Ministério da Saúde não tiver recursos em caixa para bancar a atualização. 

O governo precisa colocar mais dinheiro no setor. Não significa abrir linhas de financiamento, com juros e correção. Mas sim, injetar verbas públicas para resgatar a dignidade do paciente do sistema público, incluindo repasses coerentes pelos atendimentos prestados pelas santas casas e hospitais filantrópicos. 

Junji integra Frente em Apoio às Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas ligadas à Saúde
Estamos preparados para dar um ultimato na União. Autorizada pelo presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), a Comissão Especial do Financiamento da Saúde Pública ouvirá provedores das santas casas, dirigentes de hospitais filantrópicos e especialistas para elaborar o projeto de Lei contendo ações e valores a serem aplicados no sistema para restabelecer o equilíbrio financeiro e melhorar a qualidade dos serviços prestados aos pacientes do SUS. 

A proposta tramitará em regime de urgência no Congresso. Nosso objetivo é obrigar o governo a investir dinheiro na saúde. Isso envolve adequação de estruturas, equipamentos, medicamentos e pessoal, além dos repasses coerentes às conveniadas. 

Por mais absurdo que seja, o governo federal é quem menos contribui para manter a saúde pública. Municípios são obrigados a investir o mínimo de 15% da receita corrente líquida no setor, enquanto estados têm de aplicar 10% e a União põe parcos 6% no SUS. Há recursos federais para viabilizar os investimentos. Basta estabelecer a prioridade. E, sem criar qualquer outro imposto que aumente a já estratosférica carga tributária no País.

Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Pelejas do ensino médio

Junji é sub-relator do Estado de São Paulo na comissão especial da Câmara dos Deputados, que estuda a reformulação do ensino médio
Cinco em cada dez alunos brasileiros não concluem o ensino básico. A coisa fica bem pior no ensino médio, vitimado por um vírus detectado no Pará, mas que se alastra por todo o País. A chamada “onda paraense” decorre do fato de que 70% dos estudantes do nível médio abandonam a escola sem terminar os estudos. Não bastasse, só cerca de 3% dos formandos do estado deixam os bancos escolares com domínio aceitável de disciplinas, como a matemática. 


A situação acaba criando um “exército de excluídos”. Desmotivados para os estudos e sem perspectivas de vida, os jovens ficam propensos a buscar nas drogas e na marginalidade aquilo que não conquistaram pelos canais da educação formal. É um quadro cruel que agrava nossa preocupação. 

Como sub-relator do Estado de São Paulo na comissão especial da Câmara dos Deputados, que estuda a reformulação do ensino médio, temos participado assiduamente dos debates para a busca de soluções. É uma missão árdua no sentido de alcançar um objetivo simples, porém, decisivo para o desenvolvimento do País. Nas palavras da professora Wanda Engel, representante do Movimento Todos pela Educação, repito: “É preciso que os alunos entrem na escola, permaneçam, completem os estudos e aprendam com nível de competência para o mercado de trabalho e para a vida”. 

Desnecessário lembrar que o apagão da mão de obra qualificada já é realidade. Na China, o índice de evasão escolar é inferior a 10%. Aqui, ultrapassamos 70%. Pior: falta qualidade na formação de quem termina os estudos. Se nada for feito com celeridade, estaremos enterrando o capital humano da Nação e, junto com ele, o capital social. 

Há duas carências básicas: uma é a de número de educadores e a outra é de nível de formação dos profissionais de ensino. Em geral, não se formam professores capacitados sob os aspectos de conteúdo, de metodologia de dar aulas e de habilidades gerais para o ofício. Ao mesmo tempo, há cada vez menos interessados em seguir carreira no Magistério. 

O resgate da nobreza da arte de ensinar não ocorrerá com poesia. É preciso valorizar os educadores, com salários dignos, plano de carreira adequado, escolas estruturadas e bem equipadas, enfim, com o respeito que a categoria merece, além de ampla participação das associações de pais e mestres porque a educação só se completa com a formação recebida no lar. 

O desafio da comissão especial é apresentar uma proposta de alteração na legislação atual sobre o ensino médio, com a reformulação do currículo e outras providências. A participação da sociedade também é fundamental e toda colaboração é muito bem-vinda.


Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Esquadrão social contra o lixão zumbi

Mogi está com sinal de alerta ligado, por conta de um fenômeno zumbi que insiste em ressuscitar, à revelia do repúdio generalizado da população do Alto Tietê. Trata-se do resgate da malfadada ideia de instalação de um aterro sanitário no Distrito Industrial do Taboão. 

Quando a Cidade parecia estar livre da ameaça de sediar o nefasto empreendimento, em sua remanescente e mais preciosa localidade para expansão empresarial, eis que ressurge o fantasma do lixão. 

Como cidadão mogiano, ex-prefeito e deputado federal, convido as pessoas de bem, que defendem o desenvolvimento sustentável e zelam por um futuro digno para as gerações vindouras, a integrarem o esquadrão antilixão. 

Desde que terceirizamos a limpeza pública e desativamos o deplorável Lixão da Volta Fria, nossa Cidade deixou de ter necessidade de um depósito de lixo. Ganhou condições para buscar uma solução sustentável para o destino final dos rejeitos domésticos. 

Numa iniciativa louvável, o governo paulista, por meio da Sabesp, passou a trabalhar na instalação de uma usina regional de incineração e transformação em energia do lixo gerado em Mogi e nas vizinhas Biritiba, Salesópolis, Guararema e Arujá. Conhecido por sua eficiência ambiental, técnica e energética, o modelo proposto vem ao encontro da substituição da prática arcaica de enterrar lixo por métodos de tecnologia limpa. Tem tudo para ser exemplar no Brasil onde o governo federal, lamentavelmente, ainda deixa cidades paupérrimas atoladas com o problema do lixo doméstico. 

Efetivar o nefasto projeto no Taboão implica sepultar a única área disponível para expansão empresarial. Leia-se a geração de milhares de empregos para a Região, e de arrecadação de tributos. Não bastasse, inviabiliza os produtores que fazem do local um significativo polo de flores e fruticultura, inclusive o assentamento consolidado do Incra. Também acena com a contaminação dos mananciais que servem ao abastecimento de cidades de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, em detrimento da saúde pública, agressão à biodiversidade e outros sérios problemas. 

A área usada para enterrar lixo fica contaminada e sua recuperação – se acontece, porque as empresas costumam largar os ônus para a sociedade – demora quase um século. Assim, um aterro sai dez vezes mais caro que uma usina de incineração. 

É fundamental a mobilização social que continuará forte, alavancada pelo Movimento Aterro Não! e pelas autoridades públicas do Alto Tietê – prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais. A nobreza da causa conquistou também o importante apoio do representante máximo da Igreja Católica na Região, o bispo diocesano dom Pedro Luiz Stringhini. Sabiamente, ele questionou os “interesses” que levam a empreiteira a insistir tanto no licenciamento do projeto, contra a vontade da sociedade mogiana. 

Igualmente, me solidarizo com os parlamentares da Câmara Municipal de Mogi, que assinaram a moção de repúdio ao aterro sanitário, proposta pelo vereador Juliano Abe. Nossa Cidade não deseja este câncer para seu povo, seu solo, seu futuro. Engrosso o esquadrão antilixão e conclamo: vamos, juntos, de novo, reforçar as trincheiras contra o lixão zumbi!

Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Folia com responsabilidade


Gosto de Carnaval. Sou entusiasta do desenvolvimento cultural e do fortalecimento das comunidades propiciados pelo espetáculo realizado em nosso Brasil multirracial, evento único no planeta. Tanto aprecio que, ao assumir a Prefeitura em 2001, fiz questão de resgatar os desfiles carnavalescos, oficializando a Folia de Momo na avenida.

Graças ao trabalho incansável de abnegados, a plateia pode se deleitar com as apresentações. A melhor forma de retribuir é aproveitar a grande diversão, sem excessos. Carnaval é festa, é alegria, é momento de dar vazão à energia. Mas, também é responsabilidade, organização e disciplina. Engana-se quem pensa que, em nome da Folia de Momo, tudo é permitido. Adulto tomar uma cervejinha é uma coisa. Encher a cara, ficar violento, bater na mulher, dirigir, causar acidentes ou tudo isto junto é criminoso. 

Faço essas considerações porque a bebida alcoólica, embora lícita, também é uma droga. Se ingerida sem moderação, vira arma letal. Para os que estão em volta e para quem consome. Tão deprimente e perigoso quanto haver adultos embriagados é encontrar adolescentes alcoolizados. Nos últimos tempos, virou triste rotina ver meninos e meninas bêbados, principalmente, em bailes de Carnaval. 

Comerciante sabe que não pode vender bebida alcoólica para menores. Dá cadeia. Agora, se um adulto comprar o produto para distribuir a crianças e adolescentes estará cometendo uma simples contravenção penal. Aí está uma das distorções que pretendo corrigir. 

Em 2011, apresentei o projeto de Lei (2649/2011) para estabelecer que o ato de servir bebida alcoólica a menores seja crime punido com penas que variam de dois a quatro anos de detenção e multa. A proposta ainda está em análise nas comissões da Câmara. Porém, tenho fé de que será aprovada em Plenário. 

Apesar dos esforços para ajustar a legislação, há necessidade de ampliar a fiscalização. Não bastasse, existe um fator preponderante para inibir abusos e má conduta: nenhuma lei suplanta os princípios de ética e moral que o cidadão traz do lar. A união e valorização da família, associadas à fé em Deus, independente do credo, são o mais poderoso armamento contra os males das bebidas, das outras drogas e da violência. 

Neste Carnaval, além de resguardarem a conduta da diversão sem excessos, peço aos pais que se dediquem a repassar aos filhos os bons princípios de práticas saudáveis e de convivência social harmoniosa. É uma tarefa que não cabe aos professores. Assumamos nossa missão de educar para a vida. E aproveitemos o espetáculo multicolorido da Folia de Momo, com responsabilidade!

Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013


Três andares de eficiência e devoção


 “Se as cidades forem destruídas e os campos preservados, as cidades ressurgirão, mas se os campos forem destruídos e as cidades preservadas, estas sucumbirão.”
Benjamin Franklin


Por 20 anos seguidos, tive a honra de presidir o Sindicato Rural de Mogi das Cruzes. Ao lado da abnegada diretoria e de produtores rurais da Cidade e do município vizinho de Biritiba Mirim – área abrangida pela entidade –, encampamos lutas memoráveis em defesa do setor agrícola. Houve tensão, momentos de agonia, sofrimento, mas também vitórias, avanços, conquistas que, apesar de tantos dissabores e do descaso governamental, ainda garantem ao Alto Tietê hegemonia nacional na produção de cogumelos comestíveis, frutas, como caqui e nêsperas, e de flores como orquídeas, além do honroso título de referencial brasileiro em tecnologia na horticultura. 

Tive a oportunidade de rememorar, em artigos anteriores, algumas das grandes batalhas travadas sob o estandarte do quase septuagenário Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, nascido em 14 de maio de 1950, como Associação Rural. Ao longo dos meus 72 anos de vida, registrei fatos inesquecíveis. As lembranças são como um bálsamo para a alma. E, principalmente, resgatam imprescindíveis lições na dura cruzada pela valorização e desenvolvimento do agronegócio brasileiro. 

As incontáveis variedades de verduras, legumes, tubérculos, bulbos, champignon, frutas, flores e outros itens saem das terras cultivadas de Mogi das Cruzes para abastecer o País. São presença cotidiana nos lares brasileiros. Tão incorporadas a sua rotina que poucos param para pensar sobre o gigantesco cordão humano existente por trás deles. Lamentavelmente, o produtor rural ainda amarga a falta de reconhecimento. Por parte da sociedade, por parte do governo. 

O Sindicato Rural de Mogi das Cruzes está às vésperas de ocupar um novo prédio, que deverá ser inaugurado no próximo mês de março. Quando surgiu, a entidade funcionava em duas modestas salas alugadas num imóvel da Rua José Bonifácio, número 35. 

As primeiras instalações próprias do Sindicato vieram por nossa iniciativa. Primeiro, a entidade foi locatária do atual endereço da Rua Ipiranga, 1.335, esquina com a Avenida Japão. Como o imóvel era de propriedade da nossa família Abe, não tardou para que a instituição ganhasse sede própria. 

Pouco antes da aquisição, sugeri ao então presidente da Cooperativa Rural de Telecomunicações de Mogi das Cruzes, Masaro Nakasato, meu sucessor naquela entidade, que transferisse a sede da cooperativa, do Centro, para parte do prédio onde já funcionava o Sindicato. 

Definitivamente, o Sindicato Rural adquiriu o imóvel em meados dos anos 80, após aprovação em assembleia geral. Lembro-me como se fosse hoje que, na inauguração da primeira sede própria, mandamos confeccionar uma placa com o célebre e sempre contemporâneo pensamento de Benjamin Franklin: “Se as cidades forem destruídas e os campos preservados, as cidades ressurgirão, mas se os campos forem destruídos e as cidades preservadas, estas sucumbirão”. 

A frase sintetiza um raciocínio lógico, certeiro para a trajetória da humanidade que precisa despertar, efetivamente, para a preservação do ambiente agrícola. A história do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes exibe a prática do pensamento de Franklin. Quero aqui registrar os profundos agradecimentos a todos os dirigentes da entidade. Em especial, aqueles que me sucederam na presidência da instituição, zelando pelo desenvolvendo do agronegócio e pelos interesses da comunidade agrícola, com a garra e determinação de verdadeiros samurais. 

Deixei a presidência do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes em dezembro do ano 2000 porque, em 1º de janeiro de 2001, assumiria a Prefeitura mogiana. Os produtores e todo o agronegócio regional tiveram a felicidade de contar com o talento, a dedicação e a força de trabalho voluntário dos meus sucessores: Jorge Ikuta, Minoru Mori e o atual presidente Fernando Ogawa. A eles, aos diretores, funcionários e colaboradores, muito obrigado por acreditarem na causa agrícola! 

Mais uma vez, a vida prova que fé e trabalho duro produzem resultados. O Sindicato Rural de Mogi das Cruzes dá mais um gigantesco passo para fortalecer suas ações e incentivar um entrosamento cada vez maior dos seus associados. O objetivo é instalar, a 100 metros da atual sede, três andares de pura eficiência, dedicação, envolvimento e participação de todos que trabalham dia e noite na sagrada missão de alimentar este País.

Junji Abe, deputado federal pelo PSD-SP, presidiu o Sindicato Rural de Mogi das Cruzes de 1980 a 2000.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Contra tempestades e tormentos

Junji: união contra tempestades e tormentos

Final dos anos 80, início da década de 90. Presidia o Sindicato Rural de Mogi das Cruzes e já acumulava vários anos na presidência da Comissão Técnica de Hortigranjeiros da Faesp – Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, assim como era um dos vice-presidentes da entidade, ao lado de Fábio de Salles Meirelles, líder de grande expressão nacional. 

Enquanto fervilhavam greves de trabalhadores dos mais variados setores, no Brasil inteiro, o agronegócio mogiano tentava superar a evasão de descendentes de japoneses no fenômeno dekassegui e a queda da da atividade agrícola, assim como resgatar o equilíbrio longe das paralisações. Eis mais uma conquista capitaneada pelo Sindicato Rural de Mogi das Cruzes. 

O bom relacionamento da entidade com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, comandado pelo batalhador Antonio Duarte, serviu como exemplo nacional de que patrões e empregados podem e devem caminhar juntos em benefício de objetivos comuns. A Cidade fez valer o slogan que criamos: “Capital e trabalho unidos pela agricultura”. 

Nem naqueles momentos caóticos de crise econômica decorrente da serpente inflacionária, nem nunca, Mogi das Cruzes viveu uma greve de trabalhadores rurais. O entrosamento da categoria prossegue até os dias atuais. É um mérito do trabalho abnegado da presidência e da diretoria do Sindicato Rural, que dedicam seu tempo e talento ao fortalecimento do setor sem receber um único centavo. Não são agraciados, sequer, com verba de representação. 

Dez dos meus 20 anos à frente da presidência do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes coincidiram com o período em que exerci o cargo de deputado estadual, de 1991 a 2000. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, presidi a Comissão de Agricultura e Pecuária durante todo o tempo em que lá atuei. Em meu primeiro mandato, início da década de 90, desencadeamos mais uma etapa da incessante luta em favor dos produtores de olerícolas, ameaçados de falência. 

Já se prenunciava a liquidação das cooperativas agrícolas. Foi quando fundei a Associação Nacional Pró-Horti. Contudo, apesar de todo esse esforço classista, como protagonista e impotente diante do caos do cenário nacional, assisti ao fim das cooperativas de hortifrutigranjeiros, como a gigante CAC – Cooperativa Agrícola de Cotia, Sul Brasil, Bandeirante e Itapeti, entre outras. 

Pinçando um evento positivo, vale lembrar a reforma agrária realizada a pedido do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, nos anos 80. O Ministério da Agricultura comandou a operação numa área de aproximadamente 2 mil hectares nos bairros do Itapeti, Taboão e Parateí, beneficiando mais de 600 pequenos produtores rurais com a legitimidade de suas propriedades. 

Outro fato marcante foi o esforço descomunal do Sindicato Rural de Mogi frente às desapropriações de vastas áreas da Cidade e de Biritiba Mirim para a implantação das barragens destinadas ao controle de enchentes e ao abastecimento de água na Região Metropolitana. Diante das indenizações de glebas e produções, que eram ínfimas e injustas, a entidade apresentou à Justiça local metodologia adequada para o pagamento justo e atualizado pelas terras e plantas dos expropriados. O processo foi absorvido como cálculo meritório e se tornou jurisprudência nacional para as indenizações seguintes pagas aqueles que perdem áreas e plantações em função de desapropriações. 

A inundação de áreas férteis foi catastrófica para o setor produtivo. Em especial porque, em 1976, décadas antes do projeto de execução das barragens, o governo do Estado havia promulgado a Lei de Proteção aos Mananciais, que proibia a abertura de novos espaços agrícolas, assim como a expansão de propriedades rurais no Alto Tietê. O achatamento da atividade rural está expresso em números. Se, até 1980, a Associação e, posteriormente, o Sindicato Rural representava cerca de 5 mil produtores – entre sindicalizados ou não – em Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim, hoje, este número caiu para menos de 1,5 mil, como saldo da insensibilidade de governos e órgãos públicos. 

Em que pesem todas as adversidades, os produtores do Alto Tietê, coordenados pelo Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, são responsáveis pela classificação da Região como referência nacional em tecnologia na produção de olerícolas, frutas e flores. Este crescimento deu origem ao novo termo, largamente difundido por nós: hortifrutiflorigranjeiros. Os males que atingem a agricultura regional, somados à diminuição quantitativa de produtores, tornam cada vez mais árdua a tarefa da instituição classista. 

O desempenho dos produtores da Região deve-se, em boa parte, ao trabalho diuturno do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes que, em parceria com Senar – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, Sebrae – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e Cati – Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, entre outras instituições, oferece cursos especializados nas mais diferentes áreas agrícolas, transformando lavradores do passado em competentes empresários rurais, capazes de dominar todo o processo produtivo. Porém, enfrentando um problema antigo, de décadas atrás: a comercialização e seus gargalos. Trata-se do ponto frágil para os esperados avanços do setor. 

Na tentativa de substituir a lacuna deixada pelo sistema cooperativista, tempos atrás, constituíram-se entidades como a Aprodesp – Associação dos Produtores Rurais e Distribuidores do Estado de São Paulo. 

Em sintonia com as exigências do mercado consumidor, o Sindicato Rural ingressou no SAI – Sistema Agroindustrial Integrado e, em parceria com o Sebrae, idealizou o selo AgroAlt. Trata-se de um sistema de garantia de qualidade e procedência dos produtos, com base no treinamento, monitoramento e certificação dos cultivares. Foi um importante avanço no processo de rastreamento da origem dos itens, assim como um incremento às ações para segurança alimentar. 

Igualmente, o Sindicato Rural impulsionou a formação e dá integral respaldo às associações que visam defender interesses de segmentos agrícolas específicos, como a de produtores de cogumelos e de fruticultores. É de vital importância para o fortalecimento do agronegócio que os dirigentes rurais reconheçam as especificidades de cada área, fomentando o surgimento de instituições capazes de abranger as necessidades peculiares a essas cadeias produtivas. 

A força rural do Alto Tietê também se reflete na grandiosidade de exposições agrícolas que despontam entre as mais concorridas do País. Mogi das Cruzes sedia duas delas: a Festa de Outono – Akimatsuri, realizada no Bairro de Porteira Preta, e o Festival Agrícola – Furusato Matsuri, no Cocuera. Em Arujá, os floricultores mogianos do Itapeti garantem o sucesso da ExpoAflord, promovida pela Associação dos Floricultores da Região da Dutra. 

Por maior que seja a dedicação dos diretores de um Sindicato Rural atuante, que fez história e continua na vanguarda dos avanços registrados na representação da classe rural, mais do que nunca, o grande trabalho da entidade é conscientizar os produtores para rechaçarem sentimentos individualistas e se unirem sob o guarda-chuva desta entidade contra as tempestades e tormentos. O segredo ainda é a participação. Diga-se, participação consciente e antenada com a força do sistema sindical. 

Junji Abe, deputado federal pelo PSD-SP, presidiu o Sindicato Rural de Mogi das Cruzes de 1980 a 2000.

Leia mais sobre o tema em “Memórias de um líder rural”