quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Caríssimos amigos:

"Lembrem-se sempre de que não podemos
nos aposentar das nossas almas."
Obrigado, muito obrigado pela companhia, pela participação assídua, pela tão nobre interação! Chego nesta reta final de janeiro de 2015 com a certeza de haver fortalecido os laços com cada um de vocês que me honraram com suas mensagens, sua cumplicidade, suas valiosas manifestações e, acima de tudo, sua confiança.

Venho da roça. Pertenço à terceira geração da família Abe na agricultura. Registro mais de 50 anos de atuação como líder rural e tenho orgulho de ser reconhecido como defensor da agropecuária nacional. Contudo, graças a vocês, extrapolei os limites do agronegócio. Recebi a dádiva de aprender sobre os mais variados temas e de agir em favor dos diferentes anseios da coletividade, exercendo a função suprema de servir à população como homem público.

Fui vereador (1973-1976), deputado estadual por três vezes (1991-2000), prefeito municipal de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, por oito anos seguidos (2001-2008) e, em 31 de janeiro próximo, encerro o atual mandato de deputado federal. Não consegui a reeleição e sou o segundo suplente da coligação PMDB-PROS-PP-PSD. A experiência na vida pública, somada à extraordinária participação popular – em especial, por meio das redes sociais de que participo – me brindaram com a possibilidade de atuar em todos os segmentos da sociedade.  

O futuro a Deus pertence. No momento, peço a compreensão de vocês para a realidade. Como suplente na Câmara dos Deputados, não poderei interferir diretamente em questões de interesse social, assim como encampar no Parlamento lutas pelas nobres causas que se apresentam. Não será possível propor projetos, indicações e requerimentos nem fazer pronunciamentos na tribuna da Casa ou audiências em órgãos públicos para tratar dos mais diversos assuntos, como fiz, até agora, em resposta as suas manifestações.  

Independentemente de voltar a assumir uma vaga na Câmara Federal ou de enfrentar novos desafios na política, reafirmo plena disposição de continuar defendendo os anseios da população, como cidadão brasileiro. Mantenho abertos os canais de comunicação para continuarmos interagindo. Contudo, espero sua compreensão para as limitações que tenho na atualidade.

Aproveito para invocar a contínua participação popular nos rumos do nosso País. É a melhor postura visando pavimentar um caminho mais próspero, confortável e seguro para as gerações futuras. Conclamo os cidadãos de bem para que exerçam com vigor o direito de fiscalizar e exigir de seus representantes. Juntos, defendamos nossos ideais, batalhemos pela concretização dos nossos sonhos e tenhamos fé de que somos capazes de mudar o Brasil para melhor. Lembrem-se sempre de que não podemos nos aposentar das nossas almas. Então, façamos valer nossos anseios. E cobranças também.  

Se Deus permitir que eu retome as funções de deputado federal, resgatarei imediatamente os trabalhos para atendimento às demandas que vocês me trazem. Afinal, tenho agido em sintonia com a comunidade ao longo das décadas de vida pública. Trata-se da conduta que me rendeu o meu maior patrimônio: enorme aprendizado e verdadeiras amizades. Muito obrigado de coração!
 
Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mestres do saber

Houve um tempo em que investir em educação se resumia em abrir escolas. Tudo gravitava em torno de obras. Se faltava dinheiro para erguer um prédio, contêiner virava unidade escolar. Mais de 40 alunos e o professor, literalmente, enlatados no espaço improvisado. Essa visão simplista, típica da miopia aguda que acometeu o poder público, marginalizava os agentes da missão de educar. Era como se uma orquestra pudesse existir só com instrumentos. Sem músicos. Foi a política adotada pelo governo paulista até meados dos anos 90 – e só mudou a partir da gestão do saudoso Mário Covas. 

Anos a fio de rotina de trabalho sem a devida valorização, longe dos cursos de reciclagem e de outras atividades para o aperfeiçoamento profissional minam a disposição e embotam a criatividade do mais abnegado trabalhador. Paralelamente, sedimentam a acomodação e fomentam a resistência para inovações. 

Ninguém que trabalha insatisfeito produz bem. E não vive bem. Um professor desmotivado pode gerar estudantes desinteressados. Igualmente, pode ser até indiferente com os pais dos alunos. Um educador desatualizado corre o risco de perder o respeito da classe, dos colegas e, por tabela, de quem mora na região onde atua. Resultado: aprendizado comprometido e relacionamento ruim com a comunidade. 

Para alavancar o processo de evolução do ensino, é preciso ter prédios bem planejados, equipamentos de ponta e remuneração compatível dos profissionais. Mas, também é fundamental o esforço mútuo do poder público e dos educadores, com a participação da comunidade. Neste quesito, é vital resgatar a educação familiar. Os pais precisam saber pregar aos filhos o senso de responsabilidade, do que é correto, ético e moral. Antigamente, havia rigor na chamada criação. A conduta começou a mudar e, aos poucos, a carga acabou transferida para os educadores, o que sobrecarregou os profissionais do ensino. E isto não é certo. 

Enquanto prefeito de Mogi das Cruzes, com mais de 400 mil habitantes, investimos pesado nos profissionais para alcançar a meta do ensino de qualidade, sempre baseados no conceito que descrevi. Lidamos com o ser humano que é cada integrante do Sistema Municipal de Ensino. Não se obriga um professor a aprender a ensinar melhor. Esse desejo precisa ser despertado e cultivado. 

Deixamos a administração em 2008 com a certeza de que 100% dos educadores perseguem o objetivo de ensinar cada vez melhor. Em apenas um ano, os mais de 1,5 mil profissionais da rede municipal preencheram as perto de 10 mil vagas oferecidas em cursos, oficinas, palestras e workshops, todos voltados à capacitação profissional. 

A construção do prédio do Cemforpe (Centro Municipal de Formação Pedagógica) coroa o bem-sucedido plano de ações para o desenvolvimento e aprimoramento profissional. É um equipamento apropriado para os educadores orquestrarem o ensino de qualidade. Vem de Mogi das Cruzes o exemplo que pode e deve ser aproveitado em nível nacional. 

"Significa profissionais valorizados e qualificados para uma ação pedagógica
 cada vez mais eficiente numa rede escolar integrada com a comunidade
e capaz de consolidar avanços necessários na educação"
Significa garantir que os alunos sejam atendidos por profissionais valorizados e qualificados para uma ação pedagógica cada vez mais eficiente numa rede escolar integrada com a comunidade e capaz de consolidar os avanços necessários na educação. Não apenas em estrutura física. Mas, principalmente, na dinâmica de ensinar e aprender. Com prazer. E todo dia, porque o aprendizado do ser humano é infinito. E vamos combinar: não há como tornar real a implantação do tempo integral nas escolas, do Infantil ao Ensino Médio, sem a devida valorização do professor. Afinal, é ele quem constrói os futuros profissionais. Parabéns, professora! Parabéns, professor!


Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP

sábado, 4 de outubro de 2014

Voto e confiança

                                                           "Com as certezas que trago na alma, peço muito mais que o seu voto. Peço que me doe a sua confiança"
Neste domingo, cada brasileiro tem nas mãos o único caminho para mudar o que tanto critica e tornar real aquilo de que precisa para viver melhor. É o meio de cada um exercer seu sagrado direito de escolher seus representantes no poder. E de fazer valer sua vontade. 


Todo cidadão de bem deseja viver num País melhor, num Estado bem estruturado, numa cidade agradável. Quer atendimento decente em todos os serviços públicos, por meio de gestão eficiente. O instrumento ideal de manifestação com efeito prático chama-se voto. É fundamental dedicar um tempinho para analisar os candidatos, conhecer seu passado, suas propostas, seu jeito de fazer política. A transparência é um ponto crucial para quem quer que se proponha a atuar na vida pública, porque não pode se dar ao luxo de manter suas ideias e atos em segredo.


Na véspera da prova das urnas, recordo-me com emoção das enormes demonstrações de carinho que recebi durante a campanha. Significam confiança – a palavra mais importante no vocabulário eleitoral. Ela simplesmente brota. Pode prosperar ou morrer. Muitas vezes, nem desabrocha. Confiança é sublime. Não se arranca nem se empresta. Confiança só existe quando é doada. 



Ao longo da jornada política, recebi preciosas lições. De todas, as mais importantes sempre vieram do povo. Fazer da população minha principal consultora foi meu ato mais acertado na vida pública. Não por menos, sete em cada dez projetos que apresentei na Câmara dos Deputados – e que me colocaram como o 13º melhor deputado do Brasil entre 513 parlamentares, segundo a Revista Veja – vieram de sugestões da comunidade. 

Sempre valorizei o relacionamento humano com todas as glórias e dificuldades que ele traz. Nunca me privei da dádiva de interagir com as pessoas para compartilhar ideias, buscar soluções, discutir planos, avaliar ações, tratar dos mais variados assuntos. Acredito que a conciliação verdadeira só pode sair da diversidade. 

Ao pedir uma oportunidade para continuar representando você em Brasília, sou o único responsável pela avaliação que fará de mim. Continuo acreditando que a confiança é o bem maior que um político pode conquistar e tem de preservar. Continuo acreditando na força do povo, na sua capacidade de escolher e de fazer valer sua vontade. 

Metade de mim traz a experiência, as lições extraídas dos quase 40 anos de dedicação à vida pública, a certeza de aprender mais e mais, uma gigantesca força de trabalho, o inesgotável desejo de servir sempre melhor o meu povo e a fé inquebrantável de que sou capaz de corresponder às expectativas de cada um que confia em mim. A outra metade de mim é tudo isto também.

Com esses sentimentos, caminho para o domingo de eleições. Com as certezas que trago na alma, peço muito mais que o seu voto. Peço que me doe a sua confiança. E deposite em mim a fé de que eu continue fazendo o meu melhor no exercício das funções públicas. Sou candidato a Deputado Federal e meu número é 5566.


 Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP e candidato à reeleição #Federal5566

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Hora de retribuir

A pessoa trabalha a vida inteira, honra suas contribuições mensais com a Previdência Social e, por fim, se aposenta com benefício equivalente a cinco salários mínimos. Com o passar dos meses, vai vendo o valor recebido representar cada vez menos salários mínimos. Não tarda para perceber que o sonho da tranquila aposentadoria virou um grande pesadelo. 
"O sistema previdenciário nacional ainda é um poço de distorções" 

O sistema previdenciário nacional ainda é um poço de distorções. Como um ilusionista, cria falsas expectativas para o segurado que, quando mais precisa, descobre a dura realidade. Um ponto-chave para acabar com o engodo que penaliza milhões de brasileiros é recuperar o número de salários mínimos a que tinha direito o aposentado no momento da concessão do benefício. 

Muitos podem não saber, mas tramita no Congresso um projeto de Lei (4434/2008), do Senado, que pretende por fim à distorção. A proposta estabelece um índice de correção previdenciária para assegurar o reajuste dos benefícios de acordo com o aumento do valor mínimo pago pelo Regime Geral da Previdência Social. 

Na prática, como o valor mínimo é igual ao salário mínimo, o projeto cria uma regra para viabilizar um reajuste próximo ao do salário mínimo. Paralelamente, restabelece o número de salários mínimos pagos na época da concessão do benefício. Ou seja, elimina o cálculo perverso que só serve para empobrecer o aposentado.

Evidente que o caixa capenga da Previdência Social necessitará de prazo para comportar o ajuste. O projeto traz uma regra de transição de cinco anos até que a proporção entre benefício e valor mínimo seja totalmente resgatada. O índice, então, que será individual, passará a ser usado para cálculo dos reajustes por toda a vida do beneficiário.

A proposta já foi aprovada pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Falta apenas o parecer da Comissão de Finanças e Tributação, que deverá se manifestar no momento em que a matéria for votada pelo Plenário. É uma iniciativa eficiente e benéfica para todos os aposentados e trabalhadores que venham a se aposentar no Brasil. 

Ocorre que está pronta para votação há quatro anos. E não avança, apesar de insistentes pedidos, como o meu, para que seja incluída na pauta da Ordem do Dia da Câmara. Infelizmente, o governo tenta frear toda e qualquer medida que gere impacto sobre o orçamento. Mas, é perfeitamente possível cortar gastos supérfluos para resgatar a dignidade dos aposentados. É um compromisso moral que todo gestor tem obrigação de honrar, retribuindo a confiança do trabalhador que contribuiu sua vida inteira com a Previdência Social. 

Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Hino cantado à capela

"Imagino como seria formidável se este valioso patriotismo
impregnasse as entranhas do povo no cotidiano"
Impossível ser brasileiro e não se emocionar ao ouvir o Hino Nacional cantado à capela pela torcida que lota os estádios a cada jogo da Seleção Canarinho nesta Copa do Mundo. Canto também, diante da tevê, e imagino como seria formidável se este valioso patriotismo impregnasse as entranhas do povo no cotidiano.

Movida pelo amor incondicional à Nação, a população teria em suas mãos o inimaginável poder de sepultar práticas nocivas, defender seus direitos, disseminar atos de bondade e cobrar seus representantes. Mais do que isto, construiria, dia após dia, uma sociedade melhor, justa e mais fraterna. Efetivamente livre de desigualdades e preconceitos; absolutamente respeitosa com a diversidade.

Filho e neto de imigrantes japoneses, desde a infância, recebi dos meus ancestrais a missão de amar este País, de todo coração, ajudar o povo em tudo o que for possível e fazer mais pelo Brasil que os próprios brasileiros. Mais do que palavras na mente da criança que fui, são princípios gravados na alma do homem que sou. É um legado cultural e espiritual que não tem preço e precisa ser perpetuado. 

Por ocasião dos 106 anos de Imigração Japonesa no Brasil, comemorados em 18 de junho, reflito sobre como seria providencial transmitir às pessoas um pouco do legado dos nipônicos. Falo de dignidade, patriotismo, responsabilidade, trabalho duro, disciplina, respeito, ética, moralidade e amor ao próximo. É no lar que começa o processo de formação do cidadão, daquilo que ele classifica como certo e errado, de suas crenças e filosofia de vida.

A prática cotidiana desses ensinamentos é o melhor instrumental para ajudar a resolver os graves problemas que o País enfrenta, como os altos índices de violência, greves com vandalismo, crime organizado, drogas, corrupção, o preocupante desequilíbrio econômico com o retorno da inflação, ausência de infraestrutura, alta tributação e a falta de qualificação pessoal e profissional, que inibem a competitividade das empresas nacionais no atual mundo globalizado.

A Língua Japonesa acolhe expressões de profundo significado, que traduzem bem a formação cultural do povo nipônico e funcionam como bússola para nortear a postura do ser humano no lar e na sociedade. Aí vão algumas e seus respectivos significados: gaman (suportar, resistir), shimbô (paciência), kyoroku (solidariedade), shinyô (credibilidade), doryoku (trabalho), sekinin (responsabilidade), yakussoku (compromisso), seikaku (pontualidade), kenson (humildade), mudanishinai (não desperdiçar), okague sama (graças a Deus), gambarê (avante), Oya kôkô (amor aos pais), kansha (gratidão) e aijô (amor).

Interpretados com a força das ações que representam, esses conceitos fariam toda a diferença em nosso País, convertendo nossa energia e talento em atitudes para vencer as dificuldades. Mais do que honrar os ancestrais, a incorporação desse legado tornaria melhor e mais promissor o futuro dos nossos descendentes. Assim, estaríamos cantando o Hino Nacional à capela o tempo todo. Não só na Copa. 

Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Prevenção sempre faz bem

Na teia de frequentes incidentes danosos decorrentes da falta de previdência e de descuidos, está o rompimento de duto de combustíveis no Distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes. Ocorrido em 2010, o acidente causou o vazamento de 180 mil litros de gasolina e nafta, contaminando cerca 40 mil metros quadrados de área da várzea do Tietê. No local, havia poços artesianos para abastecer as casas de moradores, que mantinham hortas e criavam pequenos animais.

Não bastasse, foi desastrosa a resposta da Transpetro, subsidiária da Petrobrás e responsável pela operação do duto. A empresa expôs a população afetada a riscos inadmissíveis, dificultou o pagamento de indenizações e deixou de informar, de imediato, as autoridades competentes. O rompimento da tubulação derivou de um conjunto de falhas, incluindo a ausência de sinalização apropriada na área por onde passava o duto. 

Pensando em prevenção, apresentei o projeto de lei (5508/2013), que obriga as companhias transportadoras de petróleo e seus derivados, de gás natural e de álcool etílico combustível a instalarem placas de identificação e de orientação ao longo das áreas por onde passam os dutos. Tudo deverá ser detalhado: espessura, comprimento, profundidade e demais características dos dutos, além do nome da companhia responsável pela operação da estrutura e número de telefone de acesso gratuito para comunicação em caso de acidentes ou de eventuais dúvidas.

Se virar lei, as transportadoras de petróleo e seus derivados serão obrigadas a informar, em até 24 horas, a ocorrência de vazamentos de substâncias químicas nas tubulações sob sua responsabilidade. Terão de cumprir o prazo fixado para notificar as autoridades do município onde fica a instalação atingida pelo incidente, o órgão ambiental competente e a população que pode ser afetada pelo problema.

"Não é tolerável que a companhia crie embaraços ao socorro das pessoas,
ao pagamento das indenizações e à recuperação dos espaços atingidos"
Acidentes podem ocorrer. O que não pode acontecer é a empresa responsável não prestar informações necessárias à população afetada, à prefeitura e ao órgão ambiental competente. Também não é tolerável que a companhia crie embaraços ao socorro das pessoas afetadas, ao pagamento das indenizações devidas e à recuperação dos espaços atingidos. 

Com o aval da Comissão de Minas e Energia da Câmara, meu projeto seguiu para o colegiado de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se for aprovado, irá direto para o Senado, sem necessidade de apreciação no Plenário da Câmara. Defendo máxima urgência na adoção de medidas capazes de reduzir os riscos de acidentes em dutos, assim como de viabilizar a rápida tomada de providências saneadoras diante das ocorrências.

Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Somos todos brasileiros

Estrategistas militares como Sun Tzu, Maquiavel e Hitler ensinaram – ou comprovaram – que um caminho certo para a vitória é a divisão do seu oponente. A traição, o conflito e a desconfiança devem ser fomentados no íntimo do inimigo, com o objetivo de amortecer suas estruturas, combater suas resistências e dissolver sua força. Ocorre que tal raciocínio, incutido no seio de um povo, só gera confrontos.

No Brasil de tanta diversidade e de invejável pluralidade de ideias, apregoar a existência de uma suposta luta do bem contra o mal é uma violência. A propagação da guerra de torcidas traz apenas dissabores aos contendores. Exceto por trôpegos (e insensatos) ganhos políticos, não há razão para estimular o antagonismo entre pobres e ricos, entre patrões e empregados, entre torcedores de times diferentes, entre negros e brancos, entre índios e produtores rurais, entre gente com opiniões divergentes.

Não são raras as notícias de assassinatos de produtores rurais por índios e vice-versa. A briga é por terras? Sim e não. O potente motor dos confrontos tem sido a difusão do conceito equivocado de que um é inimigo natural do outro. Assim, as partes não se entendem. Sequer, se permitem conversar. E sem diálogo, não há possibilidade de entendimento.

Precisamos acabar com inverdades e contos da carochinha empurrados sobre a questão indígena. O setor agrícola não é um feudo comandado por coronéis interessados em sacrificar indígenas. Mas sim, é o resultado do suor de gente tão brasileira como os índios. A comunidade indígena, por sua vez, não pode ser largada nas terras, como se não fizesse parte do País, sem acesso à saúde, educação, segurança, enfim, ao mínimo de dignidade humana.

Enquanto os confrontos crescem, o governo é ineficaz na missão de conter os rompantes de ambos os lados. Em meio à guerra de torcidas, ganham poder e dinheiro os oportunistas. É sabido e provado que muitas organizações empresariais de inúmeros países financiam entidades representativas dos indígenas para fomentar a animosidade com os produtores. Afinal, prejudicando o agronegócio brasileiro, tais corporações ficam livres do seu principal concorrente no mercado internacional.
"Em que pesem nossas diferenças, somos todos brasileiros"

Falo da questão indígena porque, na sexta-feira passada, mediei a conferência paulista, no Auditório Paulo Kobayashi da Assembleia Legislativa de São Paulo, para discutir a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 215/2000, que transfere do Executivo para o Congresso a prerrogativa de demarcar áreas indígenas. Sou o 3º vice-presidente da comissão especial encarregada de analisar a matéria.

O objetivo da comissão é promover amplos debates no País, com representatividade de indígenas – pública, privada e religiosa – e produtores rurais, para colher subsídios necessários à emissão de parecer. Tenho plena convicção de que o diálogo conduz à conciliação. Basta que as comunidades envolvidas se disponham a participar e que o governo não atrapalhe. Em que pesem nossas diferenças, somos todos brasileiros. 

Junji Abe é deputado federal pelo PSD-SP