terça-feira, 17 de março de 2026

Dignidade de morar

 

(Foto: Fiama Tonhá)

#CampanhaDaFraternidade – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou em Brasília a Campanha da Fraternidade 2026, com o lema "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14), que norteia o tema "Fraternidade e Moradia", realidade de milhões de brasileiros ainda sem acesso a uma casa adequada.

 

O objetivo é provocar uma reflexão sobre a habitação como um direito fundamental e a porta de entrada para outros direitos, como saúde, segurança, educação, transporte e dignidade. "Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco. A moradia não é privilégio, é condição básica para o exercício de outros direitos", defendeu o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoerpers.

 

O secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre da Diocese da Campanha em Minas Gerais, Jean Poul Hansen, leu a mensagem do Papa Leão XIV, recordando que a Sagrada Família viveu o drama da falta de abrigo em Belém e o menino Jesus nasceu em uma manjedoura, o que o identifica com aqueles que não têm um teto digno. "Deve ter uma atitude constante que nos compromete a ir ao encontro de Cristo, presente naqueles que não têm onde morar."

 

"Não é apenas oferecer muros e teto, mas é oferecer o aconchego de um lar; de poder continuar a acompanhar a saúde, estar presente na geração de renda; ajudar a pessoa a se encontrar", disse o Irmão Henrique Peregrino, da comunidade católica de Trindade, em Salvador (BA).

 

A Campanha da Fraternidade 2026 destaca que cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua (2025). Outras 5,9 milhões de famílias que não possuem casa própria e 20,9% da população vivem em imóveis alugados. Jean Hansen cobrou o cumprimento do papel do Estado na redução do déficit habitacional brasileiro. "A política é a forma mais excelente da caridade... Nós devemos também fazer ações sociopolíticas em todos os âmbitos de governo e da sociedade, no município, no Estado, na Nação. O Brasil espera de nós ações que promovam políticas públicas de habitação em todos os âmbitos."

 

Dom Hoerpers também reforçou que as políticas públicas habitacionais não são concessões, mas deveres do Estado. "A crise habitacional deve mobilizar a sociedade como um todo. Nos âmbitos municipal, estadual e federal, que a moradia digna seja prioridade nas agendas e nos orçamentos”.

 

Dados do Ministério das Cidades apontam que, entre 2022 e 2023, houve recuo de 3,8% na quantidade de famílias sem imóvel próprio. Com isso, o deficit habitacional absoluto teria baixado de 6,21 milhões de domicílios para 5,9 milhões, no período.

 

Segundo o governo federal, o Minha Casa, Minha Vida contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com investimento público superior a R$ 300 bilhões. Atualmente, a meta do programa é chegar a 3 milhões de moradias contratadas no fim de 2026, 50% a mais que a meta original. #DignidadeDeMorar

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

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