(Foto: Vinícius Sobreira/Brasil de Fato)
#PerigoÀSaúde – O Brasil é referência mundial na
geração de energia elétrica limpa e renovável, por usinas hidrelétricas, com
gigantescas barragens nos rios. Isso favorece o meio ambiente porque,
diferentemente das termoelétricas, não usam petróleo, gás e carvão mineral, os combustíveis
fósseis responsáveis diretos pelo aquecimento global e pela mudança drástica do
clima.
Além das hidrelétricas, o Brasil vem criando
oportunidades para a iniciativa privada desenvolver energia solar e eólica. Já está
na 5ª colocação entre os países. São parques de energia eólica construídos em
estados do Nordeste, como Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia, entre
outros. Lamentavelmente, não levaram em consideração a distância mínima com
relação às habitações. Segundo nota técnica do Ibama, os países europeus exigem
distância mínima de até 1,2 km entre aerogeradores e residências. Em nível
mundial, a distância média é de 780 metros. Porém, os empreendimentos na região
nordestina estão a apenas 200 metros das residências, causando ruídos
ininterruptos acima de 120 decibéis, quando o recomendável é de 40 decibéis
durante o dia.
“Parece um avião, só que nunca pousa”, resume o
agricultor Leonardo de Oliveira Morais (36), que mora a 180m de uma torre de
energia eólica, em Venturosa/PE. Um dos casos mais emblemáticos é o do produtor
Simão Salgado da Silva (77), que em 2014 morava a 220m de oito torres do parque
eólico São Clemente. A esposa adoeceu e o casal deixou o sítio de 33 hectares. Silva
cobra na Justiça indenização pela perda do sossego e por doenças. O processo
segue sem decisão.
A ONG Escola de Ventos reúne agricultores na luta
por reparação. A empresa São Clemente reconhece o erro, mas se recusa a
indenizar aproximadamente 700 famílias impactadas somente por esse parque
eólico. A Agência Estadual de Meio Ambiente negou a renovação da licença
operacional do complexo que tem 126 aerogeradores funcionando por decisão
liminar do Tribunal de Justiça de Pernambuco.
O Brasil possui 1.131 complexos eólicos instalados
e potência capaz de gerar 34,5 GW, ou seja, 16% de toda a energia elétrica
produzida. Com um ritmo acelerado, em 2024, foram inaugurados 76 novos parques
eólicos , sendo 73 no Nordeste, com investimento de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,5
bilhões).
Segundo estudo da Fiocruz, o ruído permanente gera
o quadro associado à síndrome da turbina eólica, causando insônia (73%),
ansiedade (64%), perda da qualidade do sono (75%), irritação nos olhos (68%), dor
de cabeça (61%), tontura/vertigem (59%), diminuição da audição (57%),
palpitações (55%) e estresse (77%), além da irritação e aumento da pressão
arterial, entre outros.
Aplaudimos os projetos de geração de energia
elétrica limpa e renovável. Porém, faço coro às famílias prejudicadas, cobrando
ação imediata e concreta do governo federal para regulamentar a distância
mínima entre parques eólicos e residências, além de prover as justas
indenizações aos afetados. Rogo a Deus que não se repitam tragédias como o
rompimento da Barragem de Brumadinho, em 25/1/2019. #TragédiaAnunciada
Junji
Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São
Paulo

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