terça-feira, 29 de setembro de 2026

Representatividade feminina

 


#Representatividade – O machismo impera desde a antiguidade na maioria das nações. Atualmente, tem sinônimos como sexismo, patriarcado e misoginia,  e nosso Brasil não foge à regra. Em atividades comuns do cotidiano, o machismo já aparece prejudicando o relacionamento em sociedade, e ganha evidência gigantesca no campo da representação pública e política, o que gera perdas enormes.

 

Vejam os resultados oficiais das eleições de 2024:

a) Câmaras Municipais: Homens 82% - Mulheres 18%. b) Assembleias Legislativas: Homens 82,2% - Mulheres: 17,8%. c) Câmara Federal: Homens 82,7% - Mulheres 17,3%. d) Senado Federal: Homens 80,2% - Mulheres: 19,8%. e) Governos Estaduais: Homens 22% - Mulheres: 5%.

 

Em 129 anos de regime republicano com eleições para Presidente da República, tivemos a 1ª mulher eleita em 2010. Foi Dilma Roussef, reeleita em 2014. O desempenho, entretanto, foi graças ao apoio total do presidente Lula, que visou a continuidade político-administrativa.

 

A ausência de mulheres competitivas na corrida presidencial reflete barreiras estruturais dos partidos políticos brasileiros. Embora o público feminino represente mais de metade do eleitorado nacional, as principais chapas ao Palácio do Planalto concentram-se em candidaturas masculinas, evidenciando a lentidão na renovação e na inclusão igualitária de lideranças femininas em posições de poder real. 

 

Segundo analistas, as principais causas são: a) falta de espaço nas grandes legendas, que evitam lançar mulheres como cabeças de chapa; b) concentração de homens no comando dos recursos de campanha e do fundo eleitoral; c)- escassez de nomes  viáveis para o Executivo federal; d) hostilidade sistêmica nas redes sociais e em espaços institucionais contra candidatas e ocupantes de cargos políticos e públicos; e) mulheres têm mais obstáculos e desistem ou deixam de se eleger com maior frequência em cargos legislativos de base.

 

Isso contrasta com o perfil de votantes no Brasil: são 83.877.126 (52,84%) mulheres e 74.845.001 (47,16%) homens, totalizando 158.745.463. Neste ano, nem teremos uma candidata à Presidência da República. Em 2022, havia quatro candidatas: Simone Tebet, Soraya Thronicke, Sofia Manzano e Vera Lúcia.

 

A falta de equilíbrio na representatividade político-eleitoral gera prejuízos. O primeiro é de ordem prática, pois as mulheres imprimem melhor como construir e eleger políticas públicas. Conforme pesquisas, mulheres em cargos de liderança política tendem a alocar mais recursos para saúde e educação. Chega a 7% a mais, com impactos positivos no combate à mortalidade infantil e acesso à educação. A segunda é que metade da população fica condenada a ver homens decidindo seus futuros.

 

Conclamo os homens para, com sabedoria, respeito e reconhecimento, trabalharem intensamente pelo aumento gradativo de mulheres como candidatas aos cargos políticos e às lideranças de funções públicas. É pelo bem da sociedade e da nação brasileira! #MaisMulheres

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

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