sexta-feira, 16 de abril de 2010

Atenção à Terceira Idade



Ao destacar o amor pela mãe – de 92 anos, saudável, que vive sozinha – , uma senhora da platéia perguntou se deveria levá-la para morar com ela. “Absolutamente não”, respondeu, enfático, o palestrante. Ele explicou que amar não significa tolher o idoso de sua individualidade e autonomia nem fazê-lo crer que deixou de ser útil, porque isto seria ferir de morte sua auto-estima. Exceto em função de problemas de saúde, não há motivo para tornar o idoso dependente de alguém. As orientações são do renomado médico Içami Tiba, que contou o caso durante uma palestra a que assisti.

Recordei-me do fato para abordar um assunto de extrema relevância: o despreparo do Brasil em relação à Terceira Idade. Tanto na oferta de serviços públicos quanto no aspecto cultural – especialmente, a maneira como a sociedade trata o idoso.

Fato é que nosso País está envelhecendo. De 1980 para cá, a taxa de envelhecimento saltou dos 19% para os 40%. Em outras palavras, os jovens têm menos filhos e os idosos vivem mais. Ocorre que muito pouco se tem feito para lidar com esta realidade e menos ainda para enfrentar o cenário que ela projeta para um futuro próximo.

Até a década de 70, era escasso o nível geral de conhecimento sobre os cuidados a serem dispensados à população de idade mais avançada. Políticas públicas dirigidas à Terceira Idade só faziam parte do vocabulário de nações desenvolvidas e estáveis. De 70 a 90, as autoridades começaram a legislar e aprovar projetos relacionados à proteção do idoso. Contudo, somente a partir dos anos 90, a promulgação de leis ganhou maior agilidade.

Foi assim que o Brasil passou a proporcionar à Terceira Idade concessões como transporte gratuito, prioridade em atendimentos públicos, voto e declaração de Imposto de Renda facultativos, EJA - Educação de Jovens e Adultos, estacionamento demarcado em vias e estabelecimentos privados (shopping centers, super e hiper mercados), créditos consignados e descontos na compra de determinados itens, entre outras. Também foi um avanço a criação dos Conselhos do Idoso, nos níveis nacional, estadual e municipal, que são fundamentais para pressionar as autoridades a atuarem na justa e legítima implantação de novos benefícios.

A missão de viabilizar políticas públicas adequadas à população da Terceira Idade não é exclusiva do governo federal. É preciso haver empenho do Executivo nas três esferas e a participação da sociedade.

Em Mogi das Cruzes, a partir da nossa primeira gestão à frente da Prefeitura, em 2001, implantamos programas para elevar a qualidade de vida da Terceira Idade. No campo fiscal, garantimos isenção de IPTU para idosos e aposentados de baixa renda. Visando facilitar e melhorar a locomoção, criamos o Cartão Conforto para permitir ao idoso usar o mesmo acesso que os outros passageiros e sentar-se em qualquer lugar do ônibus, em vez de ser obrigado a usar a porta dianteira, ficar confinado e em pé no pequeno espaço próximo ao condutor.

Nas áreas assistencial e de promoção da cidadania, implantamos o Conselho Municipal do Idoso, Centros de Referência para assistência dirigida e unidades do Posto de Atendimento ao Cidadão (PAC) no piso térreo, além de ampliarmos o repasse de verbas municipais a instituições que prestam atendimento à Terceira Idade, como Pró+Vida, Renascer e Sociedade São Vicente de Paula.

Já no setor de saúde, abrimos um leque de benefícios. Desde programas de Medicina Preventiva para orientar hipertensos, diabéticos e portadores de outras enfermidades até o Promeg – Programa de Medicamento Gratuito (veja http://junjiabe.blogspot.com/2009/11/e-preciso-remediar-de-graca.html), passando por consultas médicas domiciliares. Nas áreas sócio-educativa, cultural e esportiva, proporcionamos cursos e oficinas nos bairros, bailes carnavalescos, núcleos de ginástica especializada em centros esportivos e maior participação nos Jogos Regionais do Idoso (JORI).

Para concentrar os principais serviços públicos aos idosos num só endereço, implantamos o inédito Pró-Hiper, focado em cuidar da saúde física e mental de quem tem mais de 60 anos de idade. Com capacidade para atender até 1,5 mil pessoas por dia, o complexo abriga sala de ginástica com dois ambientes e modernos equipamentos de musculação, parque aquático com piscinas aquecidas, saunas e vestiário, área verde com quiosques e laboratório de informática. Reúne atividades de recreação – incluindo dança e karaokê, condicionamento físico e hidroterapia, além de serviços especializados, como a Delegacia do Idoso, instalada em parceria com o Estado.


A ideia de manter no Pro-Hiper uma sala de informática, dotada de dezenas de computadores com acesso à internet, visa garantir ao idoso a oportunidade de interagir com novas ferramentas do mundo moderno, estar apto a acompanhar a evolução e não acabar marginalizado, até pelos netos, por estar alheio à tecnologia. Tudo isto faz bem à mente e, consequentemente, melhora a saúde dos nossos veteranos.

Sei perfeitamente as transformações que a idade imputa. Sinto-as na pele. Mas, aceito-as naturalmente. Aprendi com a vida que temos de cuidar do corpo com pleno rigor e todo carinho. Podem me chamar de vaidoso, porque sou mesmo. Entendo que o corpo é dádiva divina onde Deus colocou minha vida, mente e alma. Em retribuição, tenho o dever de proteger meu templo pessoal e zelar por ele.

Aliás, modéstia à parte, apesar dos meus 69 anos, algumas vezes, guardas de shopping me proíbem de ocupar vagas de estacionamento reservadas aos idosos. Já tive até de mostrar a carteira de identidade – no fundo, fico contente. Fatos assim reafirmam que o corpo é o espelho da alma. Ou seja, mente equilibrada e espírito em paz.

Antes tarde do que nunca, o comportamento medieval em relação aos veteranos começou a sucumbir diante do envelhecimento da população brasileira, confirmado pelos indicadores demográficos. Hoje, Poder Público e sociedade enfrentam o desafio de lidar com as justas demandas da nossa Terceira Idade.

Um ponto-chave no processo é a péssima remuneração dos aposentados. 70% deles ganha apenas 1 salário mínimo (R$ 510,00, em valor atual). Quem recebe mais, tem reajustes inferiores aos daqueles que estão na ativa. Como a longevidade avança, a Previdência Social precisa de recursos cada vez maiores. Paradoxalmente, como a taxa de natalidade vem caindo, será menor a população economicamente ativa que contribui com o fundo previdenciário. Resultado: cresce a desproporção entre o que é arrecadado e o total de proventos a pagar, tornando mais distante ainda o sonho de uma aposentadoria digna.

A situação é ainda mais grave em tempos de crise econômica e desemprego em alta. O que se observa são avós, que vivem da parca aposentadoria, agasalhando filhos e netos desempregados. Não bastasse, será necessário ampliar a oferta de vagas em asilos públicos ou subvencionados para acolher idosos que dependem de assistência integral e cujos parentes trabalham fora o dia todo.

Como se vê, os desafios são gigantescos. Em que pesem todas as nuas e cruas dificuldades enfrentadas pelos idosos neste País emergente, tenho determinação e sou intransigente no zelo aos princípios de jamais abrir mão do dever de conceder à Terceira Idade o que ela merece: respeito, reconhecimento, gratidão, solidariedade, amizade, diálogo, carinho, atenção e amor, muito amor.
Junji Abe (DEM) é ex-prefeito de Mogi das Cruzes

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Imprensa amordaçada, fim da democracia

Nada pode ser generalizado. Tanto para o bem quanto o mal. Por mais que ainda haja falhas, tendências (explícitas ou não) e jogos de interesses, ninguém pode negar a importância da Imprensa na sociedade. É uma das dádivas da liberdade de expressão que permite à mídia esmiuçar fatos, investigar atos e colocar, às claras, muitas das práticas ilícitas, atos de corrupção e indecências que permaneceriam ocultas em mentes desprovidas de consciência.

Entendo que a Imprensa tem contribuído de modo grandioso para a moralização de condutas em diferentes campos de atividades, notadamente, na política. Ao criticar atitudes, força a execução de medidas corretivas. Ao denunciar ilegalidades, consegue estancar – ainda que temporariamente – a teia de negociatas podres e acelerar ações para combater a impunidade. Ao democratizar a informação, estimula o senso-crítico da população (mesmo que em processo gradativo) e impulsiona a evolução social.

Ao mesmo tempo em que erros grotescos levaram inocentes ao sofrimento da condenação prévia pela opinião pública, as denúncias da Imprensa bloquearam a célere expansão de uma prole de esquemas de corrupção – muitos, inimagináveis por gente de bem.

Longe de mim colocar a Imprensa acima do bem e do mal. Afinal, ela é feita por pessoas. Aos que padecem de alergia crônica a jornalistas e fogem deles como o diabo da cruz, devo lembrar que, até prova em contrário, eles são gente. Portanto, sujeitos a errar como qualquer ser humano. Por este mesmo motivo, são responsáveis por aquilo que produzem e, como tal, têm de arcar com as consequências de eventuais deslizes.

Outra coisa: governante que não suporta críticas da Imprensa precisa achar outra ocupação na vida. Via de regra, a mídia expõe opiniões e necessidades da população. Ser sensível às demandas e cobranças, sem encará-las como implicância pessoal, é atributo indispensável ao gestor público.

Por experiência própria como prefeito, digo que se aprende muito com as críticas da Imprensa. Algumas são até injustas, mas cabe ao alvo das reclamações corrigir equívocos. Quanto maior a transparência de um governo, menor é o desgaste causado por contestações. É preciso usar com sabedoria e bom senso o instrumento da comunicação, inerente ao ser humano.

Feliz o povo brasileiro que conquistou seu direito à liberdade de expressão. Não por menos, precisamos extirpar ocorrências deploráveis como a censura judicial imposta ao Estadão por causa das reportagens que colocavam a família Sarney em maus lençóis.

Repito: em que pese o fato de a Imprensa não ser infalível, temos de evitar, com todas as forças, que seja amordaçada. A Imprensa livre é um ícone da democracia. Se cerceada, não tardará para que venham outros tipos de censura até o ápice de um regime absolutista.

Não faz nem um mês que o governo federal tentou enfiar goela abaixo da Nação o Programa Nacional-Socialista dos Direitos Humanos, que embutia absurdas restrições da liberdade, típicas de um regime comuno-fascista. Basta citar a referência ao “controle dos meios de comunicação” e o artigo que previa a “transformação de invasor de propriedade privada em parte da comissão de negociação nos casos de reintegração de posse”. Graças aos acirrados protestos de jornalistas e de outros cidadãos de bem, a investida terrorista contra a liberdade não se concretizou.

No que se refere a Lula, repriso a frase de um editorial do Estadão: “... nunca antes neste País, em regime democrático, um presidente havia manifestado tanto ódio pela imprensa livre.”

Quem viveu os anos sombrios da ditadura brasileira tem gravado na alma o significado de privação da liberdade. Não há paisagens paradisíacas nem propaganda para turista que mudem o cotidiano de dor e revolta dos povos de países governados por tiranos. É assim em Cuba, na Venezuela, na China... Tamanha é a opressão que o populismo já não impede mais a insurreição de pessoas paupérrimas. O estimulado conflito de classes sociais não supera o ódio ao caudilhismo.

As prisões de Cuba estão abarrotadas de gente cujo único crime foi o de se opor à ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro. São prisioneiros políticos como Orlando Zapata, pedreiro negro de 43 anos, que morreu em 23 de fevereiro último devido a uma greve de fome.

Igualmente monstruoso foi ver o presidente do Brasil – lá em Cuba, ao lado dos ditadores – condenar pessoas em desespero que, como Zapata, recorrem à greve de fome. Também não posso concordar com o senhor presidente que comparou presos políticos cubanos aos bandidos recolhidos no sistema carcerário paulista. Não tem cabimento nivelar gente que luta pela liberdade e pela democracia com assassinos, estupradores, sequestradores, criminosos comuns.


Alheio aos flagelos do caudilhismo na ilha de Fidel, nosso presidente tentou justificar-se alegando a necessidade de não interferir com as questões de Cuba para que ninguém queira se meter nos assuntos do Brasil. Ora, mas não houve enorme interferência brasileira em Honduras, onde nossa embaixada serviu de quartel para o ex-presidente Manuel Zelaya, que queria se perpetuar no poder contrariando a legislação hondurenha? O mais espantoso é que o próprio Lula foi vítima do regime de exceção.

Por tudo isto, ninguém deve se esquecer do passado de ditadura que imperou no Brasil. Preservar a democracia, ter uma Imprensa livre e a garantia da liberdade conquistada neste País ao preço de muitas vidas ceifadas é dever de todo cidadão.
Junji Abe (DEM) é ex-prefeito de Mogi das Cruzes

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O vampiro MST: crime anunciado

A exemplo de tantos cidadãos de bem, condeno toda e qualquer forma de violência, sou defensor dos movimentos sociais legítimos, solidário com gente trabalhadora que sofre com o desemprego, combatente da desigual distribuição de renda e partidário incondicional do desenvolvimento com justiça social e prudência ambiental. Como a maioria dos mortais, entendo que nada justifica ações criminosas.

Baseado nesses princípios, não posso admitir, calado, as ocorrências que prometem povoar este mês com flagrantes violações dos direitos do cidadão comum, amparadas no universo de ilusões criadas para o povo miserável, desinformado e faminto. De um lado, a conduta do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que alardeia a realização de mais uma série de invasões de propriedades com apelo de marketing intitulado “abril vermelho”. De outro, a estarrecedora omissão das autoridades para o fato que, na minha humilde interpretação, é um crime anunciado.

O que seria do mundo se todos os carentes fossem praticar crimes para satisfazer suas necessidades? Seria uma bandalheira generalizada. Nem é preciso ir tão longe. Um pai de família desempregado que anunciasse o furto de leite para matar a fome dos filhos teria das autoridades a mesma condescendência dada ao MST? Óbvio que não. Estaria no xilindró antes de pensar em sair de casa. Invadir propriedade alheia é apropriar-se do patrimônio de outro. Logo, é tão criminoso quanto furtar.


A pergunta que se faz às autoridades é por quê o MST pode cometer crimes anunciados e sair impune?


O discurso de que se trata de um movimento social dos oprimidos contra os ricos fazendeiros improdutivos já ficou oco há tempos. Até porque, não justifica a maciça destruição de plantações, máquinas e outros bens das terras invadidas. E, claro, se fossem improdutivas, não teriam áreas plantadas. Mais que isso: mesmo que estivessem nuas, conforme a Constituição, ninguém teria o direito de invadi-las.


Há quem pergunte: e os fracos e oprimidos? Sim, pobre daqueles que se fiaram em ilusões vendidas pelo MST. A causa dos sem-terra pouco importa às lideranças da entidade e de suas coligadas que mamam fartamente em tetas públicas, nutrem múltiplos interesses próprios e nenhum objetivo social. São vampiros que sugam a fé de gente pobre e verbas do Poder Público.


A farsa do MST sobrevive com a exploração de famílias pobres, que são transformadas em massa de manobra em prol de negociações obtusas, e bem privadas, junto ao governo federal. Felizmente, a letargia que consome as autoridades ante às práticas criminosas do MST não contaminou a Imprensa. A Revista Veja escancarou os espúrios canais de abastecimento dos cofres da organização: http://veja.abril.com.br/020909/por-dentro-cofre-mst-p-64.shtml


Há de se dizer ainda do vácuo no conteúdo da reforma agrária que o suposto Movimento defende. Não existe adubo milagroso que produza lavoura rentável a partir da junção de um pedaço de terra com uma família de boa vontade. Sem vocação agrícola, conhecimento, assistência técnica e nem recursos para insumos e meios de comercialização, os resultados do plantio sequer garantem o sustento dessa gente. Principalmente, num mercado cada vez mais competitivo como o agronegócio. Numa comparação grosseira, seria como mandar um operário negociar ações na bolsa de valores.


Portanto, entregar um naco de terra a cada família pobre não será a solução para a miséria. Sem um conjunto de medidas que incluam adequado apoio aos futuros produtores, a simples distribuição de áreas é inócua. Tão estúpida quanto destruir árvores frutíferas, que levaram anos para alcançar o ápice de produção, para plantar meia dúzia de mudas de feijão.
Isto não é reforma agrária. É bandalheira institucional.


Com essa cegueira crônica, a liderança do MST fala de reforma agrária. Entende tanto de agricultura que deve pensar que alface dá em árvore. Conheço bem os pseudo-defensores dos sem-terra. Ao longo de dez anos de atuação como deputado estadual, presidi a Comissão de Agricultura e Pecuária da Assembléia Legislativa de São Paulo. Já naquela época os argumentos eram pífios, em contraste com o volume de invasões – em número e nível de violência. A diferença é que os agressores eram menos endinheirados.


Lembro-me, como se fosse hoje, das propriedades invadidas que visitei em regiões como a do Pontal do Paranapanema. Uma delas, de médio porte, a ação do MST transformara em cenário de guerra. Os invasores mataram o gado, queimaram celeiros e pastos, destruíram plantações de milho e fulminaram matrizes reprodutoras para melhoramento genético da pecuária de leite. Em poucas horas, dizimaram o trabalho de três gerações da família proprietária. Junto com ele, devastaram o sustento da família, o ganho-pão de dezenas de trabalhadores rurais e o futuro de uma propriedade, até então, extremamente produtiva. Restou ao proprietário pagar caro a advogados para mover uma ação de reintegração de posse e, por fim, abandonar o campo. O mérito do MST foi o de gerar mais sem-terra.


Atualmente, o MST está com os cofres cheios para multiplicar estragos no Brasil inteiro. Além de anunciar invasões, apresenta plano de metas: superar os números da jornada de 2009, quando comandou 29 invasões de terra. E avisa que, apesar de 2010 ser ano eleitoral, não haverá trégua em razão do descontentamento com a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST no Congresso; as denúncias do Tribunal de Contas União (TCU) sobre irregularidades no repasse de verbas públicas para organizações ligadas aos sem-terra; os pronunciamentos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, criticando as invasões; a ação das Polícias Militares nos Estados; e até com a mídia.


Pior é saber que as ações criminosas são patrocinadas pelo governo federal. Em outras palavras, o nosso dinheiro é usado para bancar a desumana fábrica de ilusões mantida pela organização, produzir invasores profissionais e engordar as contas bancárias de líderes pulhas. Até quando?

Junji Abe (DEM) é ex-prefeito de Mogi das Cruzes

sexta-feira, 26 de março de 2010

Vale a pena recordar


A notícia de que a GM do Brasil investirá R$ 50 milhões para elevar em 30% a produção na fábrica instalada em Mogi das Cruzes me fez rememorar a jornada que conduziu à Cidade uma unidade da multinacional americana. Foi deflagrada no início dos anos 90, enquanto o grupo sondava os quatro cantos do País em busca de local apropriado e melhores condições para erguer mais uma de suas plantas fabris.

Sedentos por desenvolvimento, os Estados se digladiavam numa guerra fiscal que parecia não ter fim. Os municípios brasileiros, por sua vez, acenavam com doações de áreas e incentivos fiscais. Eu exercia o segundo mandato como deputado estadual. Mogi das Cruzes sofria com a estagnação empresarial. A exemplo de tantas outras cidades, concentrava enorme contingente de desempregados e arrecadava bem menos que o necessário para atender as demandas da população.

Nesse cenário, conquistar a preferência da GM seria um prêmio para qualquer cidade. Tanto pela geração de empregos e aumento na arrecadação tributária quanto pelo efeito imã irradiado por uma unidade da General Motors. É que ela tem o poder de atrair para seu entorno muitas outras empresas, sejam ou não prestadoras de serviços da montadora. Resultado: mais empregos e maior receita municipal.

A localização privilegiada, no eixo Rio-São Paulo, com fácil acesso às Rodovias Ayrton Senna e Presidente Dutra, nas proximidades da malha ferroviária federal e de dois aeroportos internacionais, o de Cumbica, em Guarulhos, e o de Viracopos, em Campinas, conferiam à Mogi um naco de vantagem em relação às demais cidades. Até porque, o Distrito Industrial do Taboão seria um endereço perfeito, haja vista que, ainda hoje, é o maior (e único) espaço disponível para abrigar empresas de médio e grande portes na Região Metropolitana de São Paulo.


Mesmo assim, era preciso multiplicar atrativos, com doação de área, dotada de completa infraestrutura, incentivos fiscais e o principal: viabilizar a parceria entre Prefeitura e Estado para execução das obras viárias necessárias à logística do empreendimento. Representando o Alto Tietê, eu e outros políticos dedicamos corpo e alma à missão de fazer de Mogi a escolhida da GM.

Perdi a conta de quantas audiências tive em Secretarias de Estado, Sabesp (água e esgoto no Taboão) e Palácio dos Bandeirantes. Tanta era a insistência que o saudoso governador Mário Covas, ao me receber, se antecipava: “Já sei, Junji, não esqueci das obras para a GM”.


Assim foi até que o próprio Covas anunciou a liberação de recursos para construção do sistema viário no entroncamento das Rodovias Mogi-Dutra e Ayrton Senna, obra decisiva para que a General Motors instalasse sua fábrica em Mogi. Para completar, conseguimos a pavimentação da Estrada Municipal Taboão-Itapeti-Lambari, antiga reivindicação dos produtores rurais da região. Por uma providência divina, tive a oportunidade de mostrar a Covas, in loco, que, se o Estado implantasse asfalto em mais quatro quilômetros, beneficiaria toda a extensão da via, da Mogi-Dutra à Rodovia Presidente Dutra e ao município de Santa Isabel. Ele concordou.


Em 30 de janeiro de 1997, o grupo divulgou a decisão de implantar sua nova unidade em Mogi das Cruzes. A fábrica foi inaugurada em 1999 para produzir peças estampadas destinadas aos modelos GM em fabricação e também aos veículos já descontinuados da linha de montagem. Com o investimento recém-anunciado, a unidade mogiana passará a empregar 950 trabalhadores.

Na verdade, o destino pode nos reservar gratas surpresas. Em meados da década de 90, nem imaginava que seria prefeito de Mogi das Cruzes por oito anos seguidos. E que colheria, para a Cidade, muitos frutos plantados lá atrás, quando deputado estadual. Afinal, ao longo da minha gestão, a GM ampliou a produção, criou o segundo turno de trabalho, abriu novas vagas, desenvolveu importantes ações sociais, contribuiu para atrair novos empreendimentos e engrossou a receita municipal – figura entre as dez maiores fontes geradoras de arrecadação de ICMS no Município –, ajudando a viabilizar investimentos públicos que elevaram a qualidade de vida do povo mogiano.
Junji Abe (DEM) é ex-prefeito de Mogi das Cruzes

sexta-feira, 19 de março de 2010

Escola Ambiental: de Mogi para o mundo

Quero compartilhar a maravilhosa notícia que recebi, por e-mail, nesta semana. A Escola Ambiental de Mogi das Cruzes obteve aprovação para todos os projetos inscritos no II Congresso Internacional Escolar – Recursos Naturais, Sustentabilidade e Humanidade, que será realizado em Braga, Portugal, no mês de maio. Outros três estabelecimentos municipais (EM’s Dermeval Arouca, José Cury Andere e José Alves dos Santos) também aceitaram o desafio de terem seus trabalhos avaliados pela comissão científica do evento e receberam aval para participação. Mais uma vez, o ensino mogiano ganha projeção mundial e a oportunidade de irradiar bem-sucedidas ações no campo da educação ambiental.

Contou-me a professora Maria Inês Soares Costa Neves, coordenadora da Escola Ambiental, que o desempenho levou a Comissão Organizadora a propor a presença de uma delegação mogiana no Congresso. Mais: outras quatro unidades da rede municipal (EM’s Prof. Mário Portes, Narcisa das Dores Pinto, Dr. Sérgio Benedito Fernandes de Almeida e Benedito Ferreira Lopes) preparam trabalhos voltados ao Ano Internacional da Biodiversidade (Unesco) para retratar “Mogi – 450 Anos de Preservação Ambiental”, em alusão ao 450º aniversário de fundação da Cidade, comemorado em 1º de Setembro.

Fico duplamente satisfeito. De um lado, pela extraordinária performance dos educadores mogianos, o que não me surpreende porque bem conheço a dedicação e competência da equipe comandada pela brilhante secretária de Educação, Maria Geny Borges Avila Horle. De outro, pelo carinho da sempre batalhadora professora Maria Inês em me informar de tão valiosas conquistas. Mais que isso, em compartilhar comigo, o ex-prefeito, o justo orgulho e alegria dos profissionais da rede municipal.




Aos amigos que me dão o privilégio da leitura de minhas postagens, explico melhor o que é a Escola Ambiental de Mogi das Cruzes. Foi inaugurada durante meu segundo mandato como prefeito, em junho de 2006. Brotou do conceito elementar de que o conhecimento é a chave-mestra para atingir qualquer meta. Portanto, para preservar é preciso conhecer, porque ninguém cuida daquilo que desconhece.





Incluímos a educação ambiental no conteúdo disciplinar da rede municipal. Mas, não queríamos ficar limitados ao culto de paisagens bucólicas como num comercial de margarina e nem aprisionados em temas distantes do cotidiano do aluno, como a campanha para salvar os pandas da China. Afinal, a porção norte da Cidade abriga a Serra do Itapeti, um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do Brasil. Também é polo produtor de água em função dos vastos mananciais. Isto, para dizer o mínimo. Sem contar, por exemplo, a necessidade de ampliar a adesão popular à coleta seletiva de lixo que já havíamos implantado.



Nosso propósito: conduzir o aluno por uma trilha de conhecimento onde ele próprio desejasse mudar de comportamento para preservar os recursos naturais. E ao mesmo tempo, passasse a cobrar posturas adequadas daqueles com quem convive. Buscávamos sepultar práticas nocivas ao meio ambiente e consolidar a consciência ambiental por meio de atitudes. Tudo isto exige bem mais que boa vontade. Educar para a preservação ambiental é uma missão árdua. Tínhamos de garantir o preparo adequado dos profissionais e incentivá-los a pesquisar métodos cada vez mais eficientes. Para atingir o propósito, era vital um trabalho conjugado de todas as escolas, em todos os níveis de formação.

A Escola Ambiental surgiu para responder a essa demanda. Acredito que a viabilização do investimento teve influência divina. A área onde erguemos a instituição foi doada à Prefeitura pelo DAEE que, por sua vez, recebera o terreno como compensação ambiental de um empreendimento privado vizinho, às margens da represa do Rio Taiaçupeba.


A unidade de 440 metros quadrados construídos funciona como Centro de Pesquisa e Formação de Professores das redes municipal, estadual e particular, em parceria com universidades, instituições e ONGs. Também proporciona condições para que as escolas elaborem projetos em Educação Ambiental com foco em ações concretas de preservação. Além disso, oferece programas de capacitação em biotecnologia, educação científica e palestras para a comunidade. Em média, atende 1,5 mil pessoas por mês, entre alunos e educadores.


Bem equipada e com estrutura funcional, a Escola Ambiental tornou-se referência no País. Abriga laboratório, videoteca, biblioteca multimídia, viveiro de mudas, salas de estudo e de reuniões, e dependências administrativas (veja mais no site http://www.sme.pmmc.com.br/). Educadores de todo o Brasil procuram a instituição para conhecer a experiência inédita em educação ambiental. Não tardou para que o reconhecimento do trabalho da equipe mogiana cruzasse as fronteiras do território nacional. A mensagem da professora Maria Inês assinalou mais uma merecida conquista.

Aí está, portanto, um exemplo cristalino da importância de políticas públicas direcionadas ao ensino de qualidade sob uma ótica abrangente, capaz de formar cidadãos pró-ativos em relação aos desafios do desenvolvimento sustentável e capazes de ver a realidade, compreendê-la e criticá-la com o intuito de resguardar o bem-estar coletivo.
Junji Abe (DEM) é ex-prefeito de Mogi das Cruzes

quinta-feira, 11 de março de 2010

O perigo das grandes fusões e incorporações

Além das lições absorvidas nos bancos escolares, onde era notória a preocupação de formar futuros cidadãos – havia Educação Moral e Cívica entre as disciplinas –, a cada dia, me convenço de que sou um cidadão brasileiro privilegiado, em virtude da rígida educação que recebi dos meus pais e avós, imigrantes japoneses. Meus ancestrais cá vieram, no início do século passado, porque o Japão, empobrecido e atrasado, não lhes dava perspectiva melhor de vida e, principalmente, de constituir uma boa e sólida estrutura familiar.

Por outro lado, tinham nas raízes a filosofia budista, que prega a independência e auto-suficiência econômico-financeira, sem nunca resvalar para o individualismo e o egoísmo. Tudo, com plenas solidariedade e gratidão. O budismo ensina a não ser dependente nem incomodar os outros, já que é contra o paternalismo e assistencialismo. Aí estão os alicerces da minha formação, sintetizados nesta lição: “Amar este País, de todo coração, ajudar o povo em tudo que for possível e fazer mais pelo Brasil que os próprios brasileiros”.

Mais do que palavras na mente da criança que fui, são princípios gravados na alma do homem que sou. Isto me faz adepto da livre e sadia concorrência entre as pessoas e também no mercado – induzido, disciplinado, organizado e fiscalizado pelo Poder Público por meio de leis, normas e regulamentos. Porém, sem interferir ou operar as atividades. Entendo que cabe ao Estado, no máximo, gerir áreas prioritárias e essenciais, como educação, saúde, segurança, infraestrutura e habitação.

Ora, quando o Estado não exerce a fiscalização e o mercado, praticando o liberalismo e achando que, com a globalização, o “céu é o limite”, ocorre a escandalosa implosão em série de várias cadeias de atividades econômicas. Normalmente, deflagrada pelo setor financeiro, sob as rédeas de vorazes abusos, prejudica de forma grave e dramática os mais fracos e humildes, além de impor aos países sedes dessas instituições desequilíbrios de toda ordem. Em especial, maciço desemprego e quebradeira generalizada. Basta citar as crises: americana de 1929 e 2008; a japonesa de 1880, 1945 e 2008; e a brasileira de 1988 a 1.994 – período de inflação tresloucada.

O poder das instituições financeiras é tão forte e indutor que impulsiona não só fusões e incorporações entre si, mas também iguais transações em outros setores empresariais. Resultado: emergem os gigantes, sem concorrentes, que mandam e desmandam no mercado estabelecendo verdadeiro monopólio e prejudicando, comprovadamente, a população.


Vamos aos exemplos: Grupo Santander que incorpora o Banco Real, América do Sul, Banespa e outros; Grupo Itaú que adquire o Unibanco; Grupo Bradesco que fica com o Sudameris e BCN, entre outros; Banco do Brasil que abocanha a Nossa Caixa (do Estado de São Paulo); Grupo Pão de Açucar que se funde com Casas Bahia; Grupo Agco (americano) que agrega a Massey Ferguson e, agora, a Valtra. No campo das telecomunicações, a Telefonica espanhola quase assumiu o monopólio no Brasil, com as sucessivas aquisições de empresas nacionais e estrangeiras.

Os argumentos e justificativas são sempre iguais – reduzir custos, melhorar a qualidade de gestão e de produtos e preço mais acessível à população. Porém, a realidade é que as concordatas e falências estão na ordem do dia, os preços ao consumidor não baixam e pior, os governos têm socorrido essa organizações com verbas públicas. Portanto, com o dinheiro suado do trabalho de cada um de nós, que pagamos impostos.

No Brasil, o Cade – Conselho Administrativo de Defesa Econômica tem a responsabilidade de analisar, à luz da Constituição Federal, todos os prós e contras dos pedidos de fusões e incorporações de grupos empresariais. É fundamental salientar que a Carta Magna Brasileira alicerça-se na “Livre Concorrência”, “Proíbe o Monopólio”, “Proíbe o Monopólio Natural” (mercados de bens exclusivos com pouca ou nenhuma rivalidade e, em geral, regulamentados pelos governos) e “Proíbe o Monopsônio” (competição imperfeita com apenas um comprador e numerosos vendedores).

Vejo com muita apreensão as gigantescas fusões e incorporações irrompendo com celeridade cada vez maior neste mundo global. E, forçosamente, repetindo-se neste País. Não posso concordar com isto. Minha repulsa vem de berço e da vida, que me ensinaram o valor das pequenas e médias unidades produtivas, muito mais humanas, eficientes e que proporcionam tratamento personalizado aos consumidores. São elas, vale destacar, que respondem pelo maior percentual na geração de empregos.

Registro também a importância do associativismo e do cooperativismo, que são a união dos pequenos e médios na luta pela conquista de interesses comuns, sem perder a individualidade. Ademais, Deus, em Sua infinita sabedoria, fez as pessoas diferentes. É a diferença que nos permite a livre concorrência, a autoestima, a liberdade e a democracia. A sociedade é feita de empregados, profissionais autônomos e empresários.

Uma sociedade justa, fraterna e solidária é aquela que oferece oportunidades a todos, sem que a maioria – de pequeno e médio portes – seja obrigada a existir sob o jugo de gigantescas corporações, privada da capacidade individual e despojada do livre arbítrio que o Criador lhe concedeu.
Junji Abe (DEM) é ex-prefeito de Mogi das Cruzes

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma divindade chamada mulher

“Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher”
Gilberto Gil, em “Super-Homem, a Canção”
http://www.youtube.com/watch?v=jFBJ3U2uvN8

Não importa a ditadura do modelo ocidental de beleza. Todas são divas. Cada qual a sua maneira. Com os próprios atributos e peculiaridades. Seja Marilyn Monroe, a musa do sexy appeal; seja Zilda Arns, ícone da devoção ao próximo; sejam Maria, Ana, Helena, a minha amada Elza, todas divinas criaturas. O que quer que foi e venha a ser dito em homenagem à mulher ainda estará muito aquém do que ela merece. A mulher é mãe da vida. É dela o dom de gerar outro ser humano. De confortá-lo e nutri-lo ainda no ventre.

Em que pese meu respeito à igualdade dos sexos, não consigo admitir certas coisas. Por exemplo, a mulher carregando sacolas pesadas enquanto o homem fuma um cigarro. Ou, colocando os sacos de lixo para a coleta enquanto ele vê televisão. A meu ver, homem que maltrata mulher não serve nem para adubar tiririca.

Para mim, macho que é macho abre a porta do carro para a dama entrar, ajeita a cadeira no restaurante – e paga a conta, manda flores, declara seu amor e ajuda nas tarefas domésticas. Ah, sim! Lavar louça não faz cair as mãos de homem nenhum. Também não dói colaborar para manter a casa em ordem. Ninguém precisa largar roupas e sapatos espalhados para ser feliz. Nem jogar a toalha molhada em cima da cama. Muito menos, deixar levantada a bacia do vaso sanitário. Disciplina faz bem e não tem contraindicação.

Verdade seja dita: a mulher concilia tudo com a desenvoltura que nós, os mortais do sexo masculino, jamais teríamos. Amigo, você pode até fingir que não percebe, mas sabe que ela dá conta do recado – trabalha fora, cuida da casa e dos filhos (incluindo, ajudar nas lições), faz compras, bate-papo com as amigas, nos aconselha (felizmente, mesmo quando não queremos) e ainda nos salva no quesito vestuário corrigindo nossos deslizes e dando um jeitinho de sumir com aquela camisa horrorosa que insistimos em usar.


O que falarei agora pode ser doloroso para os companheiros. Se acham que não vão suportar, parem de ler aqui <<.


Com um pouco de empenho, dá para superar a obsessão de zapear canais no controle remoto, principalmente durante os intervalos dos programas prediletos dela. Mais uma coisa: diálogo é a ferramenta número 1 do bom relacionamento. Portanto, parceiro, precisamos, sim, conversar. Não vale fingir que presta atenção ao que ela diz enquanto se mantém vidrado no jogo de futebol transmitido pela TV. Pior: como se nada mais existisse, você dispara um xingamento ao juiz ou grita “Goooooooool”, junto com o Galvão Bueno.


Devo ressaltar que participar da vida doméstica não quer dizer só trocar a lâmpada queimada ou consertar o chuveiro. Significa compartilhar preocupações e batalhar em conjunto na busca de soluções. É preciso conviver mais e melhor.


O que parece banal aos olhos do homem pode ser pecado capital sob a aguçada visão feminina. Sei que é culpa da sensibilidade subdesenvolvida do sexo masculino, mas isto não justifica ignorar o penteado novo dela nem deixar de elogiar a comida que ela levou horas para preparar. Portanto, senhores, tratemos de ser mais cautelosos.


Se você, meu amigo, é destes que não ouve a mulher, antecipo-lhe meus sentimentos de pesar: dará muitas cabeçadas na vida... Atire a primeira pedra aquele que nunca se deu mal numa investida porque contrariou a intuição – afiadíssima, por sinal – de uma mulher. Elas quase sempre também têm razão. Não há motivo para ter vergonha de aprender com elas.


Todas essas considerações não se cingem ao Dia Internacional da Mulher. É uma verdade com provas cotidianas. Até porque, a mulher é especial demais para ser homenageada numa única data. E não torça o nariz, companheiro, alegando que o público masculino ficou desprovido de tal tributo. Inveja anoitece o coração. E, na realidade, o homem recebeu do Criador o maior prêmio já dado a um mortal: a divindade chamada mulher. Resta-nos, senhores, dedicar um bocado de esforço para, um dia, sermos dignos da mais bela obra Dele.
Junji Abe (DEM) é ex-prefeito de Mogi das Cruzes