sexta-feira, 3 de julho de 2026

Nobel da educação

 

(Imagem: Reprodução | Instagram @garofalodebora)

#EducadoraPremiada – A professora Débora Garofalo é a primeira mulher brasileira e sul-americana que se tornou finalista do prêmio Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação. Reportagem sobre o assunto começa com uma interrogação: “Como fazer educação com qualidade em meio às constantes mudanças e transformações que desafiam cada vez mais os profissionais do setor educacional? Como engajar os alunos e fortalecer o protagonismo estudantil nesse processo?”

 

Débora afirma que “educação sem propósitos vira distração”. O estudante precisa ver sentido nesse processo e entender o seu propósito para que ele possa se engajar nas atividades. Aos gestores escolares, ela evidencia que é preciso ter escuta ativa de toda a comunidade escolar para construir um caminho possível de transformação e evolução.

 

Nesse sentido, uma das providências tomadas foi o desenvolvimento do projeto “Robótica com sucata”, que afetou diretamente a vida de 2 mil jovens e crianças da comunidade escolar da rede pública, mobilizando uma prática pedagógica formativa que fomentou a aprendizagem a partir da criatividade, experimentação de ideias e exploração de pesquisas para propor soluções à comunidade em que vivem.

 

Os alunos fizeram a reciclagem de lixo coletado pelas ruas de São Paulo e construíram robôs com placas programáveis, carrinhos motorizados, máquinas de refrigerante, aspiradores de pó, sensores de enchente e etc. O programa não contou com laboratório e nem teve orçamento. Porém, cresceu e impactou de forma positiva na redução da evasão escolar e melhora no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

 

Essa iniciativa premiou a professora Débora Garofalo, no ano de 2019, como uma das dez melhores professoras do mundo, entre mais de 10 mil candidatos de 179 países. Assim chegou à condição de finalista do Global Teacher Prize. “Participar de um prêmio desse porte é poder dar voz, realmente, à nossa educação brasileira. É mostrar que, em contexto de escassez, a gente pode inovar. E a gente pode, realmente, trazer caminhos diferenciados. Acho que a alegria do trabalho de robótica com sucata é que ele trouxe uma perspectiva mundial de democratização de acesso à tecnologia e à inovação”, interpretou Débora.

 

A professora sofreu muito preconceito e chegou a ouvir dos próprios colegas de profissão que o que estava fazendo era “artesanato”. Fato é que o projeto tornou-se política pública na rede municipal da maior cidade brasileira, São Paulo, impactando neste ano cerca de 3,7 milhões de estudantes em mais de 5.400 escolas de países como Argentina, EUA, Inglaterra e França, além do Brasil.

 

Enalteço o papel dos educadores em todos os sentidos! São eles que reduzirão os impactos das transformações decorrentes de novas tecnologias e inovações que causam tantas dificuldades para parcela significativa da população, como idosos e pessoas que acabam alijadas dos efeitos da modernidade. #NobelDaEducação

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

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