terça-feira, 13 de agosto de 2024

Grandes fusões

 

#Mercado – Ciclicamente, poderosas organizações empresariais anunciam fusões e se tornam gigantes. No passado, as instituições financeiras se fundiram e já, há anos, a quantidade de bancos diminuiu. Igualmente, o número de agências foi reduzido, com impressionante diminuição de funcionários, em função do avanço tecnológico. 

                          

A Arezzo e a Soma, dois dos maiores grupos empresariais da moda brasileira, iniciaram em fevereiro último a transição oficial, prevendo um faturamento combinado de R$ 12 bilhões. A transação baseia-se em dois motivos principais:

- Primeiro: ganhar valor que as duas marcas perderam na pandemia e se tornar o maior conglomerado de moda do Brasil.

A fusão envolve mais de 20 marcas que funcionarão sob o mesmo guarda-chuva, com 2 mil lojas próprias e franqueadas. O mercado reagiu favoravelmente, em razão de ambas terem boas marcas e condições financeiras.

“É importante entender que tem um lado de buscar valor para as duas marcas, para que elas retomem os seus valores originais. O que imagina é que essa fusão vai potencializar o valor de ambas as companhias e que possa então recuperar o montante perdido durante o período da pandemia”, afirma Ana Paula Tozzi, CEO da Achieving Great Results.

 


- Segundo: a complementariedade do portfólio de produtos da marca também é outro fator que motiva a fusão. A Arezzo é forte no setor de calçados, enquanto o grupo Soma tem mais destaque em vestuário. Isto fará o grupo se tornar o 2º com o maior faturamento do País no segmento de modas, atrás apenas da Renner que vale R$ 15 bilhões.

O grupo se tornará a maior multinacional de varejo de moda brasileira, como afirmam especialistas: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2024/02/06/fusao-arezzo-e-soma.htm

 

A outra fusão envolve a Petz e a Cobasi, duas redes de produtos e serviços para animais de estimação. A Cobasi possui 234 megalojas em 18 estados e no DF, enquanto a Petz tem 249 unidades em 23 estados e no DF. Com a fusão terão uma rede com 483 lojas, com faturamento bruto de R$ 6,9 bilhões e um indicador financeiro ajustado de R$ 464 milhões. A Cobasi tem faturamento de R$ 3,1 bilhões, enquanto a Petz registra R$ 3,8 bilhões.

A negociação foi acertada com a troca de ações entre as empresas. Como  resultado, serão 50% de acionistas da Cobasi e outros 50% da Petz, além do pagamento em dinheiro de R$ 450 milhões para acionistas da Petz, sujeito a ajustes: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2024/04/19/mais-de-480-lojas-qual-o-tamanho-da-fusao-entre-petz-e-cobasi.htm

 


Do ponto de vista dos consumidores, o que se espera são preços acessíveis e qualidade dos produtos, com atendimento de responsabilidade, alicerçado em simpatia e confiabilidade dos colaboradores da rede. #GrandesFusões

 

(Fotos: Divulgação)

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Sincomércio 40 Anos

 


#ReconhecimentoEGratidão – O Sincomércio de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê celebrou o aniversário de 40 anos de fundação, no salão social do Clube Náutico Mogiano. O evento de 16 de julho coroou uma série de outras atividades comemorativas, como “Novos Tempos do Comércio Rumo ao Futuro e Destaque Empreendedor –  Prêmio Airton Nogueira”. Tive a honra de comparecer com o meu amigo Edson Camillo, em resposta ao convite do presidente Valterli Martinez, um verdadeiro guerreiro que, ao lado de sua fabulosa equipe, conduz magistralmente a entidade em defesa dos micro, pequenos e médios comerciantes da Região.

 


Foi uma noite fantástica, onde os convidados conheceram um pouco mais das atividades do Sincomércio, vendo o vídeo institucional exibido no evento e muito aplaudido. Em seguida, houve a premiação de dez empreendedores de categorias diferentes representando os oito municípios (Mogi das Cruzes, Suzano, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Biritiba Mirim e Salesópolis), que constituem a base de representação da entidade.

 


Com suprema honra, coube a mim, como padrinho, entregar o prêmio para o jovem empreendedor Gianfranco Colacioppo, da Loja das Alianças de Mogi, em companhia da notável líder e amiga Fádua Sleiman, presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC). Não bastasse a emoção, recebi o sublime convite do presidente Valterli para fazer uma saudação.

 

Quebrando o protocolo, convidei ao palco a amiga Beth Nogueira, viúva de Airton Nogueira, fundador do Sincomércio em 1984. Em nome do povo do Alto Tietê, agradeci o pioneirismo do saudoso Airton, que foi um visionário e já havia presidido a ACMC. Cumprimentei Valterli e a competente diretoria do Sincomércio pela iniciativa do Prêmio Airton Nogueira, que perpetua a luta do patrono em prol dos comerciantes.

 


O Sincomércio conta com o inestimável apoio de instituições como o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac), além de programas como o Talentos do Comércio (TC), patrocinando ações de qualificação aos comerciantes e colaboradores. 

 

Registro o extraordinário trabalho desenvolvido por Valterli e sua dedicada equipe, à frente do Sincomércio, que atua em prol dos micro, pequenos e médios empreendedores comerciais do Alto Tietê, legítimos protagonistas da geração de empregos, tributos e renda para o engrandecimento do Brasil. Juntos, são uma verdadeira máquina em prol da justiça social! #Sincomércio40Anos

 


Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

 

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Promissora parceria

 

#CamatENiterra – Caso não conheçam, creio que já ouviram falar de duas empresas sobre as quais escrevo hoje. Uma é a Cooperativa Agrícola Mista do Alto Tietê (Camat), sediada em Salesópolis/SP, que movimenta a economia regional há 100 anos, na área de reflorestamento (por meio de eucaliptos), comercialização e uma infinidade de embalagens de madeira, com a participação de 200 cooperados. A outra é a multinacional japonesa NGK, sediada no bairro do Cocuera, em Mogi das Cruzes/SP, que há cerca de um ano trocou o nome para Niterra, tradicional fabricante de velas de ignição para veículos, que edifica o futuro ampliando seu portfólio de negócios em cinco diferentes áreas: Mobilidade, Saúde, Meio Ambiente/Energia, Agronegócio e Comunicação.

 

Fui procurado pelo presidente da Camat, Antonio Camargo Neto, que me questionou sobre a possibilidade de intermediar uma reunião com a diretoria da Niterra, a fim de apresentar a proposta de oferta de produtos da cooperativa, notadamente da área de embalagens.

 

Entrei em contato com meu amigo, vice-presidente da Niterra, Dr. Eduardo Tsukahara, que nos atendeu generosamente na sede da indústria. Com Camargo e  dois diretores da Camat, tivemos uma reunião muito produtiva. Além de nos mostrar os setores mais importantes da Niterra, o executivo da indústria trocou ideias com os convidados e colocou-se à inteira disposição para levar adiante o assunto dos pallets e de outras variedades de embalagens que a Camat poderá fabricar em atendimento às especificações da multinacional.

 


O assunto ainda terá desdobramentos com os diretores e diversos setores da Niterra, mas ambas as partes estão profundamente otimistas. Caso a parceria se concretize, engrossará a contribuição da Camat ao povo e ao município de Salesópolis, que abriga a nascente do Rio Tietê e represas para abastecimento de água e controle de enchentes da região metropolitana de São Paulo. Portanto, tem 90% do seu território sob rígidas restrições ambientais, concentrando esperanças de ordem econômica no reflorestamento de eucaliptos e comercialização da madeira e seus derivados.

 

Para a Niterra, a viabilização do negócio descortina mais crescimento, com boas transações comerciais acontecendo entre dois municípios vizinhos, que significarão incremento na geração de empregos, tributos e renda. Em outras palavras, “uma mão lava a outra”, tendo o povo como grande beneficiado. #PromissoraParceria.

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Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Exemplo de mãe

 


#Tetra-Amelia – “Ser mãe é ter a força de uma leoa e um coração que bate para fora de seu próprio peito”. Escolhi essa frase de autor desconhecido para ilustrar o texto de hoje. Emanoela Pereira da Rosa (29) descobriu, aos 3 meses de gravidez, que sua filha nasceria sem os braços e as pernas. Sua filha foi diagnosticada com síndrome de Tetra-amelia. É um caso raríssimo que só acontece uma vez a cada 5 milhões de gestações. Após três meses do nascimento, Emanoela decidiu dividir a rotina do bebê no Tik-Tok e, atualmente, é uma inspiração para inúmeras mães que enfrentam os mesmos desafios.

 

Emanoela conta que sempre teve vontade de ser mãe. “E, apesar da Ayla não ter sido planejada, fiquei feliz desde o primeiro momento que soube que ela estava vindo. Minha gravidez foi muito tranquila, nem parecia que estava grávida, Não sentia enjoos, não sentia nada. Mas descobri que algo não estava bem, quando fui fazer o ultrassom morfológico com 12 semanas. Durante o exame, a médica me informou que não conseguia ver o rosto da Ayla e me solicitou que voltasse após uma semana. Na semana seguinte, a médica comprovou e me disse que o bebê não tinha desenvolvido os membros, nem os braços e nem as pernas. E que não desenvolveria mais, porque isto ocorre no início da gestação. Não foi fácil receber o diagnóstico, mas as presenças da minha mãe e do meu noivo foram fundamentais”.

 

A partir de então, o pré-natal sofreu total modificação. Ela precisava fazer um acompanhamento para gestantes de alto risco e, conforme a orientação da médica, Emanoela precisava ir para Tubarão/SC, porque sua cidade não tinha recursos para o procedimento.

 

A dedicada Emanoela não se abateu e se inteirou do mal de Tetra-amelia, fazendo profundas pesquisas na internet, conversando com pessoas portadoras dessa deficiência e compreendendo mais a síndrome. Ayla nasceu e ficou 15 dias na UTI para ganhar peso. Foi transferida para o quarto quando atingiu 1,8 kg. Além da Tetra-amelia, Ayla tinha a síndrome de Pierre Robin, que causa fenda palatina, língua para trás e retrognatia. Com o tratamento, a médica garantiu que a língua funcionaria normalmente.

 

Emanoela vem superando os tantos desafios com dedicação, fé e amor. Aos mais de 100 mil seguidores no Tik-Tok, ela fala sobre Ayla e conecta-se com pessoas com a mesma síndrome, mostrando que sua filha é normal e capaz, independentemente da deficiência. Matéria na íntegra: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2024/01/17/descobri-com-13-semanas-que-minha-filha-nasceria-sem-os-bracos-e-pernas.htm


Emanoela e sua filha Ayla tornaram-se referência para pessoas com a mesma deformidade. Ela é, inquestionavelmente, um exemplo de mãe, que tudo faz para a perpetuação da divina vida. #ExemploDeMãe

 

(Imagem: Acervo Pessoal)

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

 

terça-feira, 30 de julho de 2024

Amizades verdadeiras

 


#FelizReencontro – Rever os velhos amigos, principalmente com boa saúde, é uma alegria contagiante! Tive a dádiva divina de reencontrar meu amigão Miguel Nagib. Estava eu fazendo compras num supermercado do Centro de Mogi, quando vejo o amigo Ediel Braz Soares, presidente da Legião Mirim, entidade sem fins lucrativos que acolhe jovens de famílias humildes, priorizando os deficientes, e atua para integrá-los à sociedade por meio da formação cívica e profissional. Foi ele quem me disse que havia acabado de cumprimentar o Miguel. Olhei para a direção apontada e lá estava meu companheirão de tantas jornadas. Sem me preocupar com o entorno, gritei: Miguel, Miguel, Miguel!

 

Fomos um ao encontro do outro num demorado abraço fraternal, de quem não se via há mais de dez anos. Senti uma emoção indescritível, principalmente por vê-lo forte e saudável, com 94 anos bem vividos.

 

Para sintetizar invejável história de Miguel Nagib, destaco que ele é um ícone mogiano de repercussão nacional, apesar de ser modesto e discreto. Numa entrevista à imprensa local, Miguel falou das lembranças felizes de tempos atrás e de como se emocionava bastante “ao lembrar como era a minha cidade antigamente e dos meus amigos do passado”. Dentista por vocação e talento indiscutível como empreendedor, no passado remoto, Miguel Nagib atendia os funcionários da empresa Elgin, parcelando em várias vezes as despesas do tratamento dentário. Essa dificuldade que os trabalhadores enfrentavam levou o visionário Miguel a implantar, em 1976, a Clínica Mogidonto que se transformou, pioneiramente no Brasil, na maior instituição privada da época em firmar convênios com diversas empresas paulistas para assistência odontológica. O sucesso estrondoso fez a Mogidonto ser adquirida pela Odontoprev que se tornou a maior empresa operadora de plano odontológico do País. “Eu me emociono muito até hoje, quando entro na sala de espera e vejo pessoas que jamais tratariam os dentes antes, se não fossem as condições que as operadoras de plano odontológico têm para os seu clientes”, contou Miguel, na entrevista.

 

Além da infinita admiração e respeito pelos dois velhos amigos, registro minha eterna gratidão ao querido Miguel Nagib. Nas eleições de 1982,  constituímos a chapa Junji/Miguel para concorrermos a prefeito e a vice-prefeito de Mogi. Não fomos felizes quanto ao resultado das urnas, mas a nossa sincera devoção ao significado do slogan “Mogi, acima de tudo” foi de fundamental importância e trouxe reflexos posteriores.

 

Fui eleito deputado estadual por três mandatos, a partir de 1990, e deixei a Assembleia Legislativa em 2000, quando o povo mogiano me escolheu para ser o prefeito municipal, cargo que ocupei honrosamente de 2001 a 2008. Mais tarde, de 2011 a 2018, exerci dois mandatos como deputado federal. São fatos da minha trajetória política que foi construída com o fundamental apoio do Miguel.

 

Segundo o dito popular, contamos os verdadeiros amigos nos dedos de uma só mão. Pois eu tenho a honra e o privilégio de conviver com amigos do naipe de Miguel e Ediel, com a Graça de Deus! #AmizadesVerdadeiras

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

 

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Vencendo a solidão

 


#ConexõesSociais – Outrora, a solidão era vista como problema pessoal, porém, tornou-se assunto de saúde pública por gerar muitas doenças. Pesquisas mostram que a falta de conexões sociais está associada a diversas enfermidades e vem sendo considerada fator de risco comparável aos danos do fumo e da obesidade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a solidão é capaz de aumentar em 25% o risco de morte; 50% o de demência; e 30% o de doença cardiovascular. A OMS criou uma Comissão de Conexões Sociais para reconhecer o tema como prioridade global e propor soluções.

 

O impacto da solidão na saúde ganhou mais visibilidade após a publicação de um artigo, mostrando que o fenômeno atinge jovens e idosos, mundialmente, dos países mais ricos aos mais pobres, em zonas urbanas e rurais. A ausência de contatos familiares ou a participação em atividades grupais, entre outros fatores, foi associada ao aumento da mortalidade, de doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral e pneumonias.

 

Em 2023, uma megarrevisão de estudos, envolvendo mais de 1 milhão de pessoas e publicada no “PLOS One”, revelou o aumento de 33% de mortalidade por todas as causas em pessoas solitárias. O dado é reforçado pelo estudo do Journal of Aging and Health, com aproximadamente 8 mil idosos. Pesquisas indicam que as pessoas com pouco contato social apresentam elevado índice de comportamentos não saudáveis: fazem menos atividades físicas; se alimentam mal; consomem álcool e cigarro em excesso; não tomam os medicamentos corretamente; e não realizam consultas médicas corretamente. Além do mais, há impacto na autoestima e maior risco de problemas mentais, como depressão e ansiedade.

 

Países mais ricos estão na frente com políticas públicas para o enfrentamento do problema, com iniciativas como Campanha para o fim da solidão, lançada na Inglaterra, como também na Espanha, que tem um plano com estratégias bem definidas para os próximos anos. O Brasil envelheceu, mas somente agora estamos dando conta do problema. O cenário só vai mudar quando os mais velhos puderem se inserir mais e participar de diversas atividades.

 

Embora parecidos, solidão e isolamento social não são a mesma coisa. A pessoa pode se sentir sozinha, mesmo rodeada de muita gente. Quanto mais interações sociais, menos solidão. Quanto mais a pessoa se arrisca, maior a chance de encontrar afinidades e de se sentir acolhida, com estímulo para novas oportunidades.

 

Enquanto prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008), encaramos como prioridade a figura da mulher, posteriormente, as crianças e, ao final, os idosos. Para os veteranos, implementamos o Pró-Hiper, um centro de bem-estar com equipamentos para práticas esportivas (inclusive, com piscina aquecida para hidroginástica); espaço cultural (música, dança, cantos e jogos); computadores com acesso à internet; núcleo para bate-papo, tudo com supervisão de profissionais de saúde. O projeto mogiano é uma referência nacional em qualidade de vida na terceira idade e alcançou a longevidade de mais de 20 anos como iniciativa perfeita para rechaçar a solidão e o isolamento social entre os idosos. #VencendoASolidão

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

terça-feira, 23 de julho de 2024

Questão de humanidade

 

#DefasagemDeMédicos – A saúde no Brasil é uma das áreas que deve ser tratada como prioridade em termos de investimento público. Infelizmente, estamos a léguas desta medida. São 389 instituições de ensino superior formando médicos, contra as 180 de 2014 e as 78, de 1990. Contudo, a pesquisa Demografia Médica 2024, divulgada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), comprova situação caótica:

 

Há sete médicos para cada mil habitantes nas capitais, contra menos de dois para cada mil habitantes nas cidades do Interior. O CFM revela um boom de novos profissionais, porém prevalece a desigualdade demográfica na distribuição dos profissionais de saúde pelo País. Segundo o CFM, o Brasil possui 575.930 médicos, sendo que 330.278 trabalham nas capitais, onde estão menos de 25% da população, contrastando com 77% da população interiorana que conta com somente 299.789 médicos.

 

Os números mostram a grande disparidade entre grandes e pequenos municípios. A cada dez médicos, seis estão em cidades com mais de 500 mil habitantes, contra a soma de todas as cidades com menos de 100 mil, que contam com tão somente 15% dos profissionais em atividade no País. O panorama atual significa que em cidades com mais de 500 mil habitantes, a proporção é de 6,2 profissionais para cada mil pessoas, contra 0,48 para cidades com até 5 mil pessoas.

 

Os locais longe dos grandes centros urbanos “enfrentam desafios consideráveis para reter e atrair os profissionais” (Foto em Novo Hamburgo/RS: Reprodução/Internet). A significativa concentração de médicos nos grandes centros econômicos, aglomerações populacionais e locais onde se agrupam instituições de ensino superior e uma vasta gama de serviços de saúde, explica-se a uma oferta maior de oportunidades aos profissionais.

 


De 1990 a 2023, o número de médicos aumentou cerca de 5% ao ano, enquanto o crescimento populacional foi de 42%. Porém, o CFM taxativamente afirma: “Não basta ter um crescimento no número de profissionais se a desigualdade na distribuição territorial também aumenta”. Para o conselheiro federal e supervisor do censo, Doutor Donizetti Giamberardino, a explosão de novas escolas de medicina atende a “interesses políticos e motivação mercantil” e continua com uma afirmativa relevante e corretíssima: “ao formarmos mais médicos, estamos concentrando-os mais em capitais e centros urbanos e não conseguimos ainda fixá-los nas cidades de difícil provimento”.

 

Há necessidade de uma política de interiorização e fixação desses profissionais. Clamamos aos governantes, políticos e lideranças da sociedade civil para estimularem as mudanças nos rumos dos profissionais de saúde, visando o atendimento às populações das cidades interioranas. É uma questão de humanidade proporcionar condições adequadas para superação dos desafios de assistência médica nessas localidades. #QuestãoDeHumanidade

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo