terça-feira, 15 de abril de 2025

Rico aprendizado

 


#VestígiosPré-Históricos – Os incas foram uma civilização pré-colombiana que dominava vastas regiões andinas da América do Sul, cobrindo partes de países como Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Chile e Argentina. No Brasil, a história registra os indígenas como os primeiros habitantes. Porém, várias descobertas, por escavações, na região nordestina, constatam que aqui havia habitantes primitivos, da época de animais pré-históricos, como os titanossauros (imagem da iStock), que viveram há 130 milhões de anos, e posteriormente os dinossauros.

 

Pesquisadores descobriram inscrições em rochas no sítio arqueológico de Sousa/PB. Ao lado dessas gravações, chamadas de petróglifos, estavam pegadas de dinossauros, demonstrando que a relação entre as pessoas e registros fósseis é muito mais antiga do que se pensava.    

 

Segundo artigo publicado na revista Scientific Reports, em março de 2024, os petróglifos estavam no sítio Serrote do Letreiro, nome dado em alusão à quantidade expressiva dessas artes rupestres, feitas de 3 mil a 9 mil anos atrás. Eram desenhos circulares com divisões no seu interior e imitações de pegadas de dinossauros. A pesquisadora Aline Ghilardi, do Laboratório de Paleontologia do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), destaca: “A maior concentração de inscrições ocorre associada às pegadas, como se os povos antigos tivessem reconhecido a presença daquelas estruturas curiosas. E, intencionalmente, não desenharam sobre elas, mas ao seu entorno”.

 

Registros semelhantes foram encontrados também em regiões do Rio Grande do Norte e do Ceará. A presença em conjunto das pegadas e petróglifos sugere ainda que as marcas ou as criaturas que as deixaram para trás eram partes de rituais ou cerimônias do povo que ocupou todo esse território.

 

A descoberta de pegadas de dinossauros junto aos registros humanos mostra que a relação dos povos originários com os fósseis existia bem antes da chegada dos europeus e ainda bem antes dos povos indígenas. “Por essas e outras razões, os fósseis são considerados patrimônios culturais. Ajudam a contar não só a história de seres muito antigos que viveram no nosso planeta, mas também a nossa própria história e nossa própria relação com o mundo natural”, diz Aline.

 

Enorme gratidão aos arqueólogos, paleontólogos e demais pesquisadores que, com extrema dedicação e competência, escrevem a história primitiva do planeta Terra. Enfim, vivendo e aprendendo. #RicoAprendizado

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

sexta-feira, 11 de abril de 2025

O céu é o limite

 

#PonteNasNuvens – A capacidade do ser humano de alcançar resultados, outrora inimagináveis, é surpreendente. O exemplo é a internet que revolucionou o setor de comunicações de tal forma que as nações do mundo inteiro estão interligadas. Os únicos desconectados são os países que assim desejam.

 

A engenharia e a arquitetura, aliadas ao setor econômico, batem recordes com a construção de prédios cada vez mais altos. O edifício comercial Bruj Khalifa, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, tem 828 metros de altura e 163 andares. Na praia de Camboriú, em Santa Catarina, será construído o mais alto prédio de apartamentos do mundo, Senna Tower, com mais de 500 metros de altura. Suplantará o Central Park Tower, de Nova York (EUA), que tem 472 metros de altura. Nota-se a paixão humana por conquistas extremas. Ou seja, o céu é o limite. Outra novidade vem de Sorocaba/SP, onde a prefeitura, por meio de Parceria Público-Privada (PPP), deseja erguer edificação com 170 andares que baterá o recorde mundial de altura: 1 mil metros.

 

Nada contra essas construções. Mas, penso que merecem destaque as obras de infraestrutura que beneficiem a população, trazendo aproximação entre as comunidades, regiões e países. É o caso das pontes. No sul da França, foi inaugurada a ponte mais alta do mundo, segundo o Guinness World Records. Chama-se Viaduto de Millau, com extensão de 2.460 metros e 336,4 metros de altura, ultrapassando os 330 metros da Torre Eiffel.

 

Além da importância de permitir cruzar a região, até então impossível, a ponte Millau tornou-se uma atração turística, com direito ao centro de visitantes, onde se pode ver a megaestrutura estaiada (suspensa por cabo). É o ponto relevante da engenharia e da arquitetura por superar barreiras físicas em pleno ar. Ao contrário de outras pontes que interligam dois pontos de altitudes semelhantes, o Viaduto Millau é uma “montanha-russa invertida”: oferece aos carros um caminho em linha reta num terreno extremamente íngreme, com picos e vales do desfiladeiro de Gorges-du-Tarn.

 

Antes da inauguração, o local era como uma barreira intransponível para quem viajava, por conta do Maciço Central da França, região linda que representa cerca de 15% do país e é rodeada pelos Alpes, com profundos cânions e rios correndo no seu interior. Quem tentava cortar o território ou deixar o norte da Europa rumo à Espanha era obrigado a contorná-lo com muita dificuldade. “A Ponte reconectou a Europa. Este gigante reconciliou, com sua delicadeza, a Europa”, resumiu o arquiteto Norman Foster, que projetou a estrutura. #CéuÉOLimite

 


Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

terça-feira, 8 de abril de 2025

Ameaça do deserto

 

#RiscoIminente – “Gigante pela própria natureza – És belo, és forte, impávido colosso – E o teu futuro espelha essa grandeza” – “Do que a terra, mais garrida – Teus risonhos, lindos campos têm mais flores – Nossos bosques têm mais vida – Nossa vida, no teu seio, mais amores”. Essas estrofes do magistral Hino Nacional refletem a riqueza do Brasil, inigualável em todos os sentidos. Contudo, 525 anos após seu descobrimento, é alvo de questões alarmantes, como “Brasil pode ter deserto?” A reportagem mira a caatinga do nordeste brasileiro como a região mais vulnerável para a degradação ambiental. Com clima semiárido, está susceptível a um processo de desertificação que pode sacrificar uma população estimada em 38 milhões de pessoas, além de 42 regiões habitadas por povos indígenas.

 


A previsão tem amparo nos dados do cientista, professor universitário, meteorologista e fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Ufal), Humberto Alves Barbosa: “O deserto natural leva milhões de anos para encontrar um equilíbrio entre biodiversidade e vegetação. Se uma área semiárida está passando por um processo de desertificação, isso é muito mais nocivo, porque os solos não passaram por milhões de anos para chegar em uma característica de deserto. Essa nova área desertificada não teria uma autodefesa, e espécies invasoras poderiam se apropriar do cenário debilitado do ecossistema”.

 

O território brasileiro encontra-se majoritariamente numa região tropical com diversidade de biomas que lhe fornece a estabilidade da atmosfera e do solo. Porém, a desertificação pode ser resultado de vários fatores como o desmatamento, atividade de pecuária e incêndios florestais, que geram o desequilíbrio entre a atmosfera e o solo. Especialistas também destacam as mudanças de ordem climática, com o aquecimento global, como causas que aceleram a desertificação do semiárido brasileiro.

 

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) demonstram a tendência do aumento de aridez em todo o território nacional (exceto a região sul e parte do sudeste), com o norte de Minas e nordeste demonstrando aumento de área árida, semelhante aos desertos, nunca observado nas décadas passadas. 

 

Carlos Madeiro, colunista do Uol, ratifica a célere desertificação do Brasil, demonstrando que a área seca aumentou 970 hectares em dois anos, alcançando extensão equivalente ao território da Jamaica, ou duas vezes a área do Distrito Federal. Lastreia-se no estudo do MapBiomas cuja tendência observa-se desde 2009. Preocupantemente, o rico Pantanal brasileiro não escapa da nova realidade.  Em 2024, foi o bioma que mais perdeu água, com a superfície 61% menor que a média histórica da região.

 

O Brasil tem 12% da água potável do planeta, mas há uma distribuição desigual, com 61% da superfície de água na Amazônia. Tem solução? Conforme os especialistas, o solo pode retomar a fertilidade e o suprimento de água, porém, é um processo de no mínimo 30 anos, sem integração humana com o território, executando-se políticas públicas permanentes, sem desvios, com investimentos elevados. Estima-se que há 207 mil km² de solos em estado severo de degradação na caatinga.

 

A realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), em novembro próximo, em Belém/PA, será importantíssima. Na ampla discussão das mudanças climáticas de ordem mundial, os problemas da célere desertificação serão acentuadamente debatidos. #AmeaçaDoDeserto

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Viva a cachaça brasileira!

 

(Foto: Divulgação)

 

#MaravilhaDaCana – No meu tempo de criança e jovem, morador na zona rural no antigo bairro de Biritiba Ussu (atualmente, distrito), em Mogi das Cruzes/SP, a bebida mais consumida pelos homens da roça ao fim do expediente, finais de semana e feriados era a famosa pinga. A maioria se embebedava até cair e as ausências no trabalho às segundas-feiras eram constantes, por conta da grande ressaca.

 

A pinga ou cachaça é uma bebida genuinamente brasileira, descoberta de forma acidental logo nas primeiras décadas da história do País. Enfrentou preconceito das elites e a proibição de sua fabricação. Porém, como legítima representante popular brasileira, resistiu bravamente às contrariedades, atingindo os paladares mais exigentes e se popularizou no País, consolidando-se também pelo mundo como o destilado de cana de açúcar do Brasil.

 

Branquinha, amansa corno, água santa, aguardente e cachaça são as muitas denominações da pinga. No passado, foi utilizada como remédio fortificante e moeda de troca. Também foi símbolo de patriotismo, luta e resistência, além de incentivar as artes, aguçando a criatividade do povo. É um produto nacional de muitas histórias, democrático desde suas raízes. Patrimônio histórico, cultural e imaterial, representa muitas potencialidades a serem descobertas, como sua utilização na gastronomia, tanto em preparos populares quanto sofisticados, e a exploração de sua história e dos espaços de produção, assim como na preservação de suas memórias, atrativos para a prática do turismo cultural e de outras modalidades.

 

Em 2016, o Congresso Nacional decretou a cachaça brasileira como Patrimônio Histórico e Cultural do País. Em 3 de dezembro último, houve a premiação do 1º Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista, na Secretaria de Agricultura e Abastecimento paulista. A competição teve como objetivo valorizar a excelência da bebida produzida no Estado, reconhecendo as melhores cachaças em três categorias: envelhecida, armazenada e branca. Foram 87 rótulos premiados, todos com qualidade certificada.

São Paulo é o maior produtor de cachaça do Brasil, com mais de 400 produtores, representando 45% da produção nacional. Foram premiadas:  Categoria Branca: Cachaça Almeida Valente de Arthur Nogueira; Categoria Armazenada: Cachaça Santa Capela Carvalho de Santa Bárbara d’Oeste; e Categoria Envelhecida: Cachaça Taboado de Votuporanga.

 

Como tudo se transforma na sociedade, a cachaça, outrora vítima de preconceito no Brasil, é cada vez mais consumida no mundo inteiro. Independentemente de ser ou não consumidor, vale prestigiar a bebida genuinamente brasileira! #VivaCachaçaBrasileira   

  

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

terça-feira, 1 de abril de 2025

Bons tempos

 


#DiaDaMentira – Anualmente, no dia 1º de abril, o Dia da Mentira, pessoas do mundo inteiro brincavam umas com as outras, pregando peças e contando lorotas. Histórias, causos, balelas, invencionices, mentiras em geral eram celebradas. Contadas nesta data, eram consideradas inofensivas e perdoadas. Faziam parte da celebração. 

 

A tradição de 1º de abril remonta ao Calendário Gregoriano que substituiu o Calendário Juliano, por determinação do Concílio de Trento (Conselho Ecumênico da Igreja Católica). Com a instituição do novo calendário pelo Papa Gregório XIII, em 1582, parte da população francesa se revoltou contra a medida e se recusou a adotar o 1º de janeiro como início do ano. Zombados pelos demais, os resistentes às mudanças eram convidados para festas inexistentes no dia 1º de abril. Assim, nasceu a tradição de zombaria e de pregação de peças.

 

No Brasil, a tradição chegou em 1828, com o noticiário impresso mineiro “A Mentira”, que trazia na capa de sua 1ªedição, em 1º de abril, a morte de Dom Pedro I. Até empresas entenderam o potencial de marketing e a oportunidade de engajamento das pegadinhas para aumentar a visibilidade no mercado e passaram a participar da celebração no século passado.

 

A Amazon, a maior loja on-line do mundo, celebra o Dia da Mentira com brincadeiras que, muitas vezes, confundem os usuários. Em 2015, reverteu sua página principal para a versão de 1999, época em que a internet ainda era muito rudimentar. Até descobrirem a brincadeira, os usuários deveriam passar pela experiência de túnel do tempo na navegação do site.

 

As transformações da sociedade ocasionaram o distanciamento da população mais jovem das brincadeiras do Dia da Mentira, em especial com o avanço na utilização das redes sociais. Atualmente, imperam as Fake News (mentiras modernas), causando gigantescos problemas de ordem mundial. Setores de Segurança Pública, Judiciário e Imprensa são acionados sem parar para desmentir as notícias falsas, diante de graves consequências que causam à população.

 

Há ainda erros e falhas técnicas, como ocorreu em 14 de fevereiro último, quando o Google emitiu o falso alerta de um possível terremoto no mar, de magnitude 5,5 graus na escala Richter, no litoral de Ubatuba/SP. O aviso chegou para celulares com sistema operacional Android, assustando milhares de pessoas. A notícia foi posteriormente desmentida pela Defesa Civil e pelo Centro de Sismologia da USP.

 

Se outrora as mentiras de 1º de abril eram sadias, hoje não é assim com as fake news, divulgadas diariamente, demandando pesquisas e vigilância cada vez maiores da nossa parte. As fake news viraram até armas para a prática de diversos golpes. E o que dizer da Inteligência Artificial (IA) que já está sendo utilizada pelos marginais contra os incautos?

 

Diante disso, nós, da velha guarda, lembramos com saudade das saudáveis brincadeiras que pregávamos e de que também éramos fregueses em 1º de abril. E somente neste dia, o da Mentira. #BonsTempos

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

sexta-feira, 28 de março de 2025

Apoio real a mínis e pequenos

 

#AltaDePreços – Especialistas apontam como principais causas da disparada de preços dos alimentos a inflação, eventos climáticos extremos, aumento da demanda e desvalorização cambial. Com humildade, apresento soluções que entendo poderem amenizar os problemas. 

 

Inflação em alta puxa os custos de energia, combustível e logística; extremos climáticos prejudicam a produção; aumento do consumo contribui para alta de preços; desvalorização cambial, com dólar 27,34% à frente do real em 2024, estimula produtores a exportarem (recebendo em dólar) em vez de venderem no mercado interno.

 

É o caso do trigo. O Brasil importa grande quantidade do produto, que é a base para pães, massas, biscoitos, etc..., impulsionando a alta de preços. Com o dólar valorizado, sobem preços dos insumos de que a agricultura necessita, como fertilizantes, defensivos agrícolas, sementes e outros, impactando o custo dos alimentos aos consumidores.

 

Zerar a alíquota de importação de carne, café, açúcar e etc... é uma das medidas anunciadas pelo governo federal que não atinge as causas do problema. Nem mesmo o Plano Safra da Agricultura Familiar contribui para combater o desabastecimento e conter os preços. Do estímulo ao agricultor até a chegada dos alimentos aos consumidores passam-se, no mínimo, 12 meses.

 

Há alternativas para reduzir preços e garantir o abastecimento regular dos alimentos, desde que os programas sejam criados e desenvolvidos ao longo dos anos, visando sempre o futuro. Nos idos anos de 1956, foi criada a estrutura Programa de Desenvolvimento do Cerrado Brasileiro (Prodecer), com 90% do investimento bancados pelo governo japonês, que transformou o centro-oeste brasileiro no maior polo produtivo de cereais do mundo.

 

Para que o Prodecer desse certo, criou-se a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável (Emater). São estruturas fundamentais para pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico visando novos cultivares, assistência técnica integral e extensão rural aos agricultores. Com esses programas, o Brasil é autossuficiente na produção de commodities (soja, milho, arroz, feijão, algodão e etc.)

 

Já o programa para impulsionar a Agricultura Familiar não decola há décadas. É muito mais político do que produtivo. As pessoas ganham terras públicas do governo para produzir e financiamentos. Porém, totalmente despreparadas, sem vocação, sem aprendizado e sem profissionalismo, viram protagonistas de uma reforma agrária fracassada, com abundância de terras, clima favorável e condições hídricas suficientes. Cerca de 80% dos participantes da reforma agrária acabam morrendo na praia.

 

Se míni e pequenos produtores enquadrados no programa Agricultura Familiar fossem selecionados e preparados como foram os agricultores de cereais, com certeza, haveria autossuficiência na produção e abastecimento, com equilíbrio e preços estáveis o ano inteiro para hortaliças, ovos e frutas, independentemente do clima.

 

Oxalá os governantes e lideranças do setor produtivo avancem, unidos, ancorados em programas estáveis e permanentes em prol dos míni e pequenos produtores! Os resultados serão benéficos a todo País. Como referência, cito as regiões paulistas de Mogi das Cruzes e de Pilar do Sul, onde míni e pequenos produtores, sem qualquer apoio governamental, há décadas são campeões na produção de hortifrutigranjeiros. É ver pra crer! #ApoioRealAMinisEPequenos

 

(Foto: Divulgação/PMMC)

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

terça-feira, 25 de março de 2025

Drama do saneamento

 


#PelaUniversalização – “Ganhos com saneamento no Brasil podem superar R$ 816 bilhões” é a notícia, baseada na afirmação de Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil (ITB). É um dado altamente relevante, considerando que 32 milhões de brasileiros vivem sem acesso à água potável e mais de 93 milhões (43%) não têm coleta nem tratamento de esgoto. As esperanças surgiram com o lançamento do Marco Legal do Saneamento que, em 2020, estabeleceu metas ambiciosas para a universalização dos serviços até 2033.

 

Luana Pretto afirma que “é crucial compreender os impactos reais da desigualdade e explorar as soluções possíveis”. É preciso considerar “de que maneira a universalização do saneamento básico no País impacta a evolução escolar de crianças e adolescentes e as disparidades de gênero e renda, além de questões como custos na saúde e em outras pastas econômicas”.

 

Diferenças gigantescas fazem parte desse imenso Brasil. Na região norte, apenas 64% da população têm acesso à água potável e 14% à coleta e ao tratamento de esgoto, enquanto na região sul os números são 91,3% e 80,5%, respectivamente. Quanto aos investimentos, a diferença é abismal: R$ 57 por habitante/ano na região norte; e R$ 130 por habitante/ano na região sudeste.

 

A ausência de saneamento básico refletiu-se na internação de 191 mil pessoas em 2023 e em 2 mil mortes, decorrentes de lepstopirose e de outras doenças evitáveis. Os males comprometem o desenvolvimento físico, intelectual e neurológico de muitas crianças. Nos adultos é visível a falta contínua ao trabalho, prejudicando o orçamento familiar. Há de se registrar que a falta de saneamento básico atinge demais a figura feminina, porque costuma caber à mulher os afazeres domésticos e cuidados com os doentes.

 

O Marco Legal do Saneamento estabelece o investimento de R$ 111 bilhões até 2030. Porém, a presidente do ITB calcula a necessidade de, no mínimo, R$ 230 bilhões para que todas as pessoas tenham saneamento básico. Segundo ela, toda a sociedade precisa eleger o saneamento básico como prioridade governamental. No contexto, destaca a importância da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro deste ano. Além da crise climática, o saneamento básico também deverá ser discutido no evento com a amplitude que o tema e a realidade exigem. #DramaDoSaneamento 

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo