#MaiorPreocupação – Independentemente do
continente ou do nível de desenvolvimento, há um sentimento que se repete: insegurança econômica. O custo de vida, o medo
do desemprego e a dificuldade de planejar o futuro passaram a ocupar o centro
das angústias coletivas. No Brasil, é a principal fonte de inquietação. Pesquisa
do Instituto Gallup realizada em 107 países indica que,
na média global, 23% da população aponta questões econômicas como o maior
desafio enfrentado por seus países. Em 71 nações, o tema ocupa o topo das
preocupações.
Logo atrás da economia aparecem temas como mercado de trabalho (10%), política
e governança (8%) e segurança pública (7%). Em países de baixa renda, a ansiedade econômica é
ainda mais intensa. Enquanto 21% dos entrevistados em países ricos mencionam
dificuldades financeiras como principal problema, o índice sobe para 38% nas
nações mais pobres. Já em economias mais desenvolvidas, o foco recai sobre o
custo de vida elevado e a erosão do poder de compra. Embora a média global seja
de 23%, no Brasil, acentuam-se a inflação, dívida e informalidade.
Segundo pesquisa, o impacto da inflação é mais sentido quando atinge os
alimentos, energia e transporte. Mesmo que índices oficiais indiquem controle
geral, o aumento do preço do arroz ou do combustível gera sensação imediata de
empobrecimento. Isso cria um estado permanente de alerta financeiro. A informalidade, que atinge quase 40% da força de trabalho, amplia a
insegurança. Sem garantias como seguro-desemprego ou FGTS, qualquer oscilação
econômica se transforma em ameaça direta.
Há ainda uma relação estreita entre economia e segurança pública. Custos com
proteção privada, perdas por roubo e fechamento de pequenos negócios impactam
tanto trabalhadores quanto empresários, criando um ciclo de fragilidade
econômica. O recorte etário da pesquisa revela outro ponto sensível: jovens
sentem mais intensamente a ansiedade econômica. Globalmente, 34% das pessoas
entre 15 e 34 anos apontam a economia como principal problema, contra 30% entre
maiores de 55 anos. Mesmo em países desenvolvidos, jovens relatam dificuldades
de inserção no mercado, acesso à moradia e estabilidade profissional. No
Brasil, o desemprego juvenil historicamente mais alto e o crescimento de
trabalhos precarizados reforçam essa sensação. Questões relacionadas ao trabalho,
desemprego e qualidade das vagas são a segunda preocupação global mais citada.
Em economias de renda média/baixa, esse índice chega a 20%.
Outro ponto levantado é o descompasso entre indicadores macroeconômicos e a
experiência cotidiana da população. Crescimento do PIB nem sempre se traduz em
melhoria perceptível no padrão de vida. Quando moradia se torna inacessível e o
crédito imobiliário é restritivo, o crescimento agregado perde significado
prático.
Além disso, política e governança aparecem como terceira maior preocupação
global. Em países mais ricos, esse tema ganha peso à medida que necessidades
básicas são atendidas, deslocando o foco para qualidade institucional. Quando não conseguem pagar aluguel ou sentem que seus filhos terão menos
oportunidades, a ansiedade econômica deixa de ser estatística e vira
experiência cotidiana. #InsegurançaEconômica
Junji Abe, produtor e líder rural, é
ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

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