terça-feira, 31 de março de 2026

Insegurança econômica

 


#MaiorPreocupação – Independentemente do continente ou do nível de desenvolvimento, há um sentimento que se repete: insegurança econômica. O custo de vida, o medo do desemprego e a dificuldade de planejar o futuro passaram a ocupar o centro das angústias coletivas. No Brasil, é a principal fonte de inquietação. Pesquisa do Instituto Gallup realizada em 107 países indica que, na média global, 23% da população aponta questões econômicas como o maior desafio enfrentado por seus países. Em 71 nações, o tema ocupa o topo das preocupações.


Logo atrás da economia aparecem temas como mercado de trabalho (10%), política e governança (8%) e segurança pública (7%). Em países de baixa renda, a ansiedade econômica é ainda mais intensa. Enquanto 21% dos entrevistados em países ricos mencionam dificuldades financeiras como principal problema, o índice sobe para 38% nas nações mais pobres. Já em economias mais desenvolvidas, o foco recai sobre o custo de vida elevado e a erosão do poder de compra. Embora a média global seja de 23%, no Brasil, acentuam-se a
 inflação, dívida e informalidade.


Segundo pesquisa, o impacto da inflação é mais sentido quando atinge os alimentos, energia e transporte. Mesmo que índices oficiais indiquem controle geral, o aumento do preço do arroz ou do
combustível gera sensação imediata de empobrecimento. Isso cria um estado permanente de alerta financeiro. A informalidade, que atinge quase 40% da força de trabalho, amplia a insegurança. Sem garantias como seguro-desemprego ou FGTS, qualquer oscilação econômica se transforma em ameaça direta.


Há ainda uma relação estreita entre economia e segurança pública. Custos com proteção privada, perdas por roubo e fechamento de pequenos negócios impactam tanto trabalhadores quanto empresários, criando um ciclo de fragilidade econômica. O recorte etário da pesquisa revela outro ponto sensível: jovens sentem mais intensamente a ansiedade econômica. Globalmente, 34% das pessoas entre 15 e 34 anos apontam a economia como principal problema, contra 30% entre maiores de 55 anos. Mesmo em países desenvolvidos, jovens relatam dificuldades de inserção no mercado, acesso à moradia e estabilidade profissional. No Brasil, o desemprego juvenil historicamente mais alto e o crescimento de trabalhos precarizados reforçam essa sensação. Questões relacionadas ao trabalho, desemprego e qualidade das vagas são a segunda preocupação global mais citada. Em economias de renda média/baixa, esse índice chega a 20%.


Outro ponto levantado é o descompasso entre indicadores macroeconômicos e a experiência cotidiana da população. Crescimento do PIB nem sempre se traduz em melhoria perceptível no padrão de vida. Quando moradia se torna inacessível e o crédito imobiliário é restritivo, o crescimento agregado perde significado prático.


Além disso, política e governança aparecem como terceira maior preocupação global. Em países mais ricos, esse tema ganha peso à medida que necessidades básicas são atendidas, deslocando o foco para qualidade institucional. Quando não conseguem pagar aluguel ou sentem que seus filhos terão menos oportunidades, a ansiedade econômica deixa de ser estatística e vira experiência cotidiana
. #InsegurançaEconômica

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

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