terça-feira, 7 de julho de 2020

Nuvem de gafanhotos


#NuvemDeGafanhotos – Acho que já ouviram falar dela. Por culpa do ser humano, notadamente pela devastação de florestas que, ao longo de séculos, transformaram-se em monocultura de enormes plantações. Esta é a razão primordial da invasão de bilhões de gafanhotos que atacam os cultivos para se alimentar.

Há dois meses, essa nuvem de gafanhotos invadiu as províncias argentinas de Santa Fé, Córdoba, Chico e adjacências e, em questão de dias, devorou todas as plantações de soja, trigo, arroz, milho e pastagens. Em seguida, invadiu o Uruguai e ameaça penetrar no Brasil para destruir lavouras e pastagens do Rio Grande do Sul.

Para se ter ideia, podem haver 40 milhões de gafanhotos por Km², devastando, num único dia, o equivalente ao consumo alimentar de 2 mil vacas ou 35 mil pessoas. A velocidade de locomoção dos insetos permite percorrer 150 quilômetros num único dia. É uma situação de enorme gravidade para o judiado planeta Terra, com consequências trágicas aos seres humanos.

Por outro lado, muitas nações transformam os gafanhotos em excelente ração para aves. E seria cômico se não fosse trágico! Com todo respeito às diferenças e aos diferentes, fato é que  
muitos povoados de países asiáticos consomem gafanhotos como verdadeiras iguarias.

Compartilho o vídeo, replicado pela TV Exemplo, que mostra o preparo caprichado de gafanhotos na culinária humana. Como dizia o cientista francês, Antoine Lavoisier: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.





Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

sexta-feira, 3 de julho de 2020

+Mogi EcoTietê


Em todo este longo período de enfrentamento da pandemia, pululam notícias, tristes, preocupantes e pessimistas. Na condição de cidadão mogiano, hoje, desejo amplificar uma ótima notícia! Trata-se de um enorme investimento da Prefeitura de Mogi das Cruzes/SP, de mais de R$ 365 milhões, nas áreas socioambiental, de saneamento básico e mobilidade urbana, por meio do Programa +Mogi Ecotietê.

Da série de importantes obras, destaca-se a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), no Distrito de Cesar de Souza, ao lado do Parque Centenário, que proporcionará a retomada das obras paradas de interligações da rede de esgotos do Mogilar, Ponte Grande, Rodeio e adjacências. E avançar, sistematicamente, no recolhimento e tratamento de esgotos de vastas áreas de César de Souza e Botujuru, contribuindo no esforço hercúleo de despoluir o Rio Tietê.

Lembro que a implantação da ETE e da Estação de Tratamento de Água (ETA), na Av. João XXIII, Bairro do Socorro, junto com outras obras, resultaram de um gigantesco investimento, da ordem de R$ 70 milhões, em nossa segunda gestão como prefeito (2005-2008).

Merece registro também no +Mogi Ecotietê a implantação do Corredor Nordeste da Cidade, visando a mobilidade urbana, principalmente em benefício da população do Distrito de César de Souza, extremamente sufocada de tempos para cá, em função do crescente desenvolvimento dessa região leste mogiana.



Fico imensamente feliz, visto que a elaboração do projeto do Corredor Nordeste foi bancada por meio de uma emenda parlamentar de minha autoria, enquanto deputado federal. O pedido de recursos partiu do vice-prefeito Juliano Abe, representando o prefeito Marcus Melo.

O eixo socioambiental do +Mogi Ecotietê dá continuidade aos avanços que iniciamos como prefeito. Serão dois parques: um na Av. Francisco Rodrigues Filho e o outro na Av. Antônio de Almeida, além da ampliação do Parque Centenário que implantamos em 2008. Representam mais qualidade de vida e impulso à preservação da biodiversidade.

Esse gigantesco investimento da Prefeitura também propiciará a geração de 250 empregos diretos e milhares de indiretos, numa época em que a economia nacional e mundial andam de marcha à ré. A despoluição quase total do Rio Tietê em Mogi das Cruzes será um benefício incontestável ao povo paulista, principalmente às centenas de cidades às margens dele.

Saúde, economia, meio ambiente, mobilidade urbana e área social agradecem imensamente! Felicitações e calorosos aplausos aos vereadores pelo integral apoio à iniciativa de alta sensibilidade e incrível determinação do prefeito Marcus Melo e do vice Juliano Abe! Ao lado de valorosa equipe, todos trabalham com vigor em benefício da sociedade mogiana, paulista e brasileira. Parabéns e muito obrigado! #TodaGratidão #RevolucionárioEcoTietê    

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

sexta-feira, 26 de junho de 2020

O amor não tem raça


De um lado, a quarentena traz ansiedade, vulnerabilidade e ociosidade. De outro, nos proporciona uma rica oportunidade de valorizar a paciência, a tranquilidade, a reflexão e a espiritualidade, entre outras práticas um pouco esquecidas ou fora de moda. O isolamento nos propicia navegar no mundo digital, garimpar e encontrar motivos que reforçam nossas lutas em prol do respeito à diversidade e tantas outras valorosas bandeiras. É vital reconhecer, respeitar e amar os diferentes e as diferenças!

Ouso-lhes pedir que dediquem 2’30” vendo este vídeo do @w.k.lovelybird. Vão gastar um pouco de tempo para ganhar a eternidade!

É também uma indispensável chance aos governantes, políticos, gestores públicos e lideranças de aguçarem sua sensibilidade para cuidarem de todos igualitariamente. Com justiça, paz e amor no coração!

Forte abraço e que Deus os abençoe!



Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo


terça-feira, 23 de junho de 2020

Dia do Esporte

Sou amante dos esportes – especialmente, do futebol –, não só pelas paixões que despertam, mas porque fazem um bem danado à saúde física e mental.  Mais que isso. O esporte é um instrumento poderosíssimo na formação basilar do ser humano em todos os sentidos. Unido à educação, conduz crianças e jovens à incorporação dos conceitos de caráter, honestidade, responsabilidade, disciplina, trabalho, solidariedade, espiritualidade e amor, entre outros princípios. Em resumo, transforma seus adeptos em cidadãos aptos a servir à família, à sociedade e à Pátria.

Numa visão abrangente, o esporte combate os males do mundo, como desigualdade social, intolerância racial e preconceitos de toda ordem, ajudando a disseminar a paz entre as pessoas, povos e países.

Em 2000, durante a elaboração do nosso inédito PGP – Plano de Governo Participativo, ouvimos moradores de bairros de Mogi das Cruzes para apurar anseios e debater soluções. Na condição de prefeito, transformamos o PGP em bússola das nossas duas gestões municipais, entre 2001 e 2008.

Cumprindo o PGP, implantamos secretarias inexistentes para atender áreas desprovidas de cuidados e modernizamos a máquina administrativa, além de adotar a filosofia de governo descentralizado, integrado e participativo. Como desejava a população, o esporte recebeu especial cuidado. Tanto que foi alvo de iniciativas pioneiras e muito bem-sucedidas, como o Programa de Sanção Premial, que permitiu a clubes e associações, com impagáveis dívidas fiscais (IPTU e ISS), zerarem seus débitos em troca da cessão gratuita dos seus espaços físicos  para práticas esportivas de alunos da rede municipal.  Esta ação garantiu às crianças acesso a diversas modalidades esportivas e lazer.  De quebra, demonstrou a atuação conjugada entre os diferentes órgãos municipais:  secretarias de finanças, administração, assuntos jurídicos, educação, esportes e comunicação social.

A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer seguiu a premissa que norteu sua criação. Revolucionamos o setor, com a reforma de todos os equipamentos esportivos e programas para otimizar sua utilização na semana inteira. Detectamos áreas ociosas da periferia para implantar quadras esportivas, minicampos ou espaços de lazer, além de ajudar associações comunitárias na recuperação e manutenção de campos de futebol. Em parceria com a iniciativa privada, implementamos o Projeto Esporte Mogi para contemplar pessoas de todas as idades, principalmente de famílias de baixa renda nos bairros periféricos, com a prática de esportes de sua preferência. Para a Terceira Idade, criamos o aclamado Pró-Hiper, espaço para modalidades esportivas adequadas às pessoas com mais de 60 anos, conjugado com música, dança e piscina aquecida para exercícios físicos e jogos aquáticos, entre outros atrativos. A prioridade que demos ao esporte amador foi fundamental para Mogi das Cruzes conquistar posições jamais alcançadas, até então, no ranking de competições, como os Jogos Regionais. 

Fazemos essas considerações com profunda humildade, sem ufanismo ou autopromoção. O êxito desfrutado pelo esporte e lazer em nossas gestões reflete a maciça participação de todos os funcionários municipais, independente de cargos, da iniciativa privada, de lideranças comunitárias e da população mogiana que escreveu nosso PGP.

Invoco a imagem dos cinco anéis coloridos e entrelaçados, que compõem o símbolo das Olimpíadas, para rememorar seu significado: a união dos continentes e seus povos em prol do esporte. Respeitando as diferenças e convivendo em plena harmonia. Viva o esporte e tudo que ele representa!



Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Arigatô, banza!

18 de junho de 1908, chegada histórica dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil. Sou um privilegiado filho e neto de imigrantes – Izumi e Fumica Abe (pais); Tokuji e Makie Abe (avós) – que aqui chegaram em 1928, com uma mão na frente e outra atrás, mas com imenso sonho de ter sucesso neste Brasil maravilhoso. Nasci em dezembro de 1940, no antigo bairro de Biritiba Ussu, atual Distrito de Mogi das Cruzes/SP, e pertenço à terceira geração de agricultores da família Abe.   

Graças ao importante legado familiar em áreas como educação,  trabalho e formação com responsabilidade e comprometimento, modéstia à parte, sinto-me um cidadão brasileiro à altura do que o País merece.

Hoje, mais uma vez, reforço o profundo sentimento de respeito, reconhecimento, admiração e gratidão à gloriosa história dos imigrantes. Aliás, de todos: italianos, espanhóis, alemães, árabes, chineses e japoneses, entre outros, que prestaram incontáveis serviços em prol do desenvolvimento desta Nação. 

Remonto ao ano de 2008, quando íamos comemorar o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Toda a comunidade nipo-brasileira, já em anos anteriores, vinha trabalhando com amor e dedicação para marcar a celebração com algo especialíssimo.

Em 2007, nossa 2ª gestão como prefeito de Mogi das Cruzes, com a emocionante contribuição da iniciativa privada e apoio dos abnegados funcionários da Prefeitura, começamos a planejar um símbolo que pudesse perpetuar o fato histórico. Assim, nasceu o Parque Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, inaugurado em 28 de junho de 2008. 

Construído no Distrito de César de Souza, o Parque Centenário foi eleito pela população uma das sete maravilhas da Cidade. Agasalha conceitos e significados importantíssimo. Começa pela recuperação e preservação ambiental. A área de 215 mil m² era uma várzea de degradação pela exploração mineral ao longo de décadas. Tornou-se atração turística de primeira grandeza para encantar os visitantes.

Espelha a união integral dos setores público e privado que devotaram tempo e dinheiro à construção do espaço e têm seus nomes eternizados em memorial. O aspecto social merece um destaque à parte. Não somente o povo mogiano, mas toda a Região Metropolitana de São Paulo, principalmente o Alto Tietê, são brindados pelo empreendimento. De 10 mil a 15 mil pessoas visitam o Parque Centenário nos finais de semana e feriados. Em sua maioria, são famílias que não poderiam pagar pelo acesso ao lazer de alta qualidade.    

Toda gratidão aos heroicos imigrantes japoneses que, ao adotarem o País, trabalharam incansavelmente pelo desenvolvimento, transformação e progresso do Brasil, além de deixarem um legado de nobreza incontestável para seus descendentes continuarem servindo a Pátria.

Felizes, as famílias lotam o Parque para descansar, refletir, praticar esportes, admirar as belas lagoas com marrecos, patos e gansos, além de usufruir de pedalinhos e ícones da arquitetura oriental, apesar de a réplica do histórico navio Kasato Maru haver sido consumida pelo tempo. Desfrutam da beleza do lendário Rio Tietê sem poluição, percorrendo vias e alamedas batizadas com nomes de províncias e cidades japonesas. Também fazem caminhadas numa linda trilha, observando a flora e fauna da Mata Atlântica. 



As crianças brincam nos playgrounds, enquanto pais, avós e outros familiares preparam as churrasqueiras numa prova cabal de integração familiar. Há área especial para cultura e artes, como o Espaço Bom Odori e Samba, que valoriza a miscigenação dos dois povos. 

Dois museus enriquecem os aspectos históricos. Um retrata a saga dos imigrantes japoneses no Brasil e no Município. O outro valoriza os potentes frutos do relacionamento de Mogi com suas Cidades-Irmãs japonesas de Seki e Toyama. 

É verdade que o Parque Centenário está fechado por causa da pandemia. Mas, isto vai passar e logo poderemos curtir novamente cada palmo desse espaço maravilhoso!

Neste ano em que comemoramos os 112 anos da Imigração Japonesa no Brasil, encho o peito de emoção para agradecer e gritar Banzai!  #GratidãoImigrantesJaponeses

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

terça-feira, 16 de junho de 2020

Questão de sobrevivência


Sempre defendi a importância da prevenção, individual ou coletiva, por acreditar que é muito melhor prevenir que remediar. É um conceito adquirido na infância. Vem dos ensinamentos dos meus pais e avós que, como imigrantes japoneses, conheciam bem o significado das catástrofes no Japão de tantos terremotos e tsunamis.

 

Sempre que posso, destaco minha imensa preocupação com  grande parte da população brasileira: quase 40% sem  formação profissional. Isso reflete décadas de insensibilidade e incompetência de governantes, outras autoridades do setor público e privado e até de lideranças civis que, salvo exceções, pouco fizeram pela oferta de ensino público de qualidade – base irrefutável da boa capacitação profissional.

 

A triste constatação demonstra que, com extrema crueldade, estamos perdendo o bonde da história. O que será destes milhares de crianças, jovens e adultos marginalizados pela desigualdade social, profundamente despreparados e sem oportunidades para conseguirem uma formação profissional neste mundo tão competitivo e marcado por céleres avanços tecnológicos? Uma infinidade de profissões está desaparecendo, o que escasseia oportunidades de trabalho. Tanto para os empregados como para os empreendedores não capacitados.

 

Há anos, ensino, tecnologia e trabalho já eram sinônimos das necessidades basilares da sociedade. Mas, quase nada surgiu que capacitasse com eficiência crianças, jovens e adultos mais humildes para a competitividade neste mundo globalizado.

 

 

Temos uma realidade que implica cada vez mais a consistente formação profissional em todas as atividades econômicas, inclusive nas tarefas domésticas. Em diferentes setores, centenas de empregos, ocupações e empreendimentos já foram extintos e as transformações tecnológicas não param.


 

Conforme opiniões de especialistas, o setor de saúde vem incorporando com muita rapidez o home office, a telemedicina, a personalização diagnóstica,  o uso da inteligência artificial e o cruzamento de dados. Na educação, a adoção do Ensino Remoto Síncrono Emergencial já mudou o modelo tradicional, principalmente no curso superior. Na indústria, o desenvolvimento da tecnologia 4.0, adotada pelos países mais avançados, coloca de joelhos as nações subdesenvolvidas. No Judiciário, o sistema virtual já é realidade inconteste, facilitando as relações de pessoas, juízes e servidores, com audiências por videoconferência, por exemplo. Na agricultura e pecuária, as atividades convencionais vêm sendo substituídas, até em pequenas propriedades de hortifrutiflorigranjeiros, onde avança a presença de drones no lugar de trabalhadores.

 

Aplausos para países como a China, Coreia do Sul e Japão que, décadas seguidas, investem maciçamente na educação, tecnologia e formação profissional. Precisamos aprender e imitá-los contínua e urgentemente! Sabem por quê? A resposta está em nosso mercado, onde produtos importados inundam as lojas. Desde artigos automotivos e eletrônicos de alta tecnologia até itens de R$ 1,99. A maioria tem qualidade e preço acessível.

 

É cristalino que não estamos à altura para competir. Enquanto isso, milhões de empregos são aniquilados,  empreendimentos se fecham, rendas e tributos se evaporam. Poderia classificar como tragédia anunciada, mas prefiro acreditar numa mudança de rota para fazer valer o ditado – “Antes tarde do que nunca”.

Exercitando o direito sagrado de cidadão brasileiro, lanço um fortíssimo apelo aos governantes, políticos e lideranças em geral: vamos, todos juntos, trabalhar para oferecer formação profissional qualificada aos brasileiros, antes que a nossa subserviência fique maior e irreversível!

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo


sexta-feira, 12 de junho de 2020

Meu amor por você!


Neste Dia dos Namorados, homenageio todos os casais, enfatizando que a vida a dois – sejam namorados, noivos ou casados – deve se basear em muito amor. Mas, acima de tudo, em compreensão, respeito, comprometimento, paciência, doação, afetividade e espiritualidade.

Um trecho da canção do incomparável Roberto Carlos reflete com romantismo essa magia que deve nortear o sentimento do casal:
“Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você!”

Casei-me com a amada Elza em 16 de dezembro de 1976, portanto, quase 44 anos. De tudo que menciono neste singelo texto, reafirmo o juramento que fiz perante Deus, por meio do grande amigo e missionário Padre Vicente Morlini, na Catedral de Sant’Anna, em Mogi das Cruzes, no compromisso cristã: “Até que a morte nos separe!” E acrescento, com a devida permissão: “E, mais tarde, no campo espiritual, continuarmos juntos, amando-a infinitamente!”

Te amo, minha sempre adorada Elza!


#FelizDiadosNamorados

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

terça-feira, 9 de junho de 2020

Lembrar para rir

Na condição de sãopaulino, permitam-me esquecer, por alguns momentos, as tristezas e preocupações geradas pela pandemia, trazendo-lhes uma coletânea de frases engraçadas que foram publicadas pelo jornalista, cronista e apresentador Milton Neves no seu blog (https://blogmiltonneves.uol.com.br/). Referem-se às frases que se tornaram célebres, principalmente, no mundo futebolístico. São de autoria do saudoso Vicente Matheus, sempre lembrado como um dos maiores dirigentes e uma das figuras mais ilustres do Sport Club Corinthians Paulista e do esporte nacional. 

Espanhol naturalizado brasileiro e empresário de mão cheia, o inesquecível Vicente Matheus presidiu o Corinthians por 18 anos não consecutivos, no período de 1959 a 1991, quando o time conquistou inúmeros títulos de campeão. Até hoje, as pessoas têm dúvidas se as célebres frases foram decorrentes de sua origem, que gerava dificuldade com a nossa língua Pátria, ou faziam parte da sua perspicácia para marketing.  



Vamos às frases históricas:
>- Comigo ou sem mingo o Corinthians será campeão.
>- Depois da tempestade, vem a ambulância.
>- Peço aos corintianos que compareçam às urnas para naufragar nossa chapa.
>- Tive uma infantilidade muito difícil.
>- Esse é um resultado que agradou gregos e napolitanos.
>- Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático.
>- De gole em gole, a galinha enche o papo.
>- O difícil, vocês sabem, não é fácil.
>- Vou dar uma anestesia geral para os sócios com mensalidade atrasada.
>- O jogo só acaba quando termina.
>- Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão.
>- Minha gestação foi a melhor que o Corinthians já teve.
>- Dirigir um clube de futebol é como faca de dois legumes
>- O Sócrates e inegociável, invendável e imprestável.
>- Quero agradecer à Antarctica pelas Brahmas que mandou de graça pelo meu aniversário.

(crédito da foto: Placar)

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Racismo Zero


Além da ansiedade, vulnerabilidade, tristeza e tudo de ruim que a pandemia do Covid-19 faz gritar em nossos corações, somos arrebatados pela atrocidade do racismo, pululando em suas mais macabras vertentes.

O segurança afro-americano George Floyd (46) foi cruelmente assassinado por um policial branco que, com o joelho, pressionou o pescoço da vítima até matá-la. Sem piedade, o  agressor ignorou os apelos do trabalhador negro. Ações policiais em nome da segurança nacional são justificadas e até elogiadas pelo inconsequente presidente Donald Trump.

O fato gerou comoção planetária. Como tem de ser para todos aqueles que se dizem humanos. Protestos contra o racismo cobrem os EUA.

No Brasil, a morte de negros tem sido constante, apesar dos protestos que se avolumam. Em 18 de maio, no município de São Gonçalo/RJ, um adolescente de 14 anos foi morto dentro de casa, por uma bala perdida, advinda de uma ineficiente operação policial.
Não podemos continuar com esta monstruosa intolerância racial no Brasil. Justo num país multirracial que gera a riquíssima policultura.

Não podemos esquecer a escravatura dos indígenas, logo após o descobrimento do Brasil em 1500. Nem da desumana escravidão negra, iniciada em 1539, esfacelando famílias que, presas aos milhares, eram trazidas do continente africano. A abolição só veio com a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888. Os poderosos portugueses, denominados  senhores da terra, usaram, abusaram, violentaram e mataram, secularmente, as pessoas negras escravizadas, sem sofrerem punições.

Passaram-se séculos e, infelizmente, persistem a exploração e intolerância dos ditos poderosos contra aqueles que têm cor de pele diferente da branca. Estes facínoras continuam praticando, além da degradação social, a cultura do preconceito, especialmente contra os negros.

No Brasil, a legítima revolta contra a cruel escravidão faz parte da nossa triste história. As lutas vanguardeiras de personalidades negras, políticos e intelectuais, como José do Patrocínio e Joaquim Nabuco, devem ser eternamente lembradas.

Na África do Sul, despontou o lendário Nelson Mandela na batalha hercúlea contra o Apharteid. Nos EUA, o imortal pastor negro Martin Luther King, pelas intensas lutas contra a pobreza e o racismo. Ele foi assassinado, mas deixou extraordinário legado, sintetizado na  célebre citação: “Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter”.

Conclamo todos a lutarem contra o racismo, rechaçá-lo integralmente, de forma pacífica e ordeira, mas com vigor e determinação, tendo como referência a batalha gigantesca de personalidades que a história nos mostra.



Como cidadão brasileiro, filho e neto de imigrantes japoneses agricultores, nascido em 1940, na generosa Mogi das Cruzes/SP, falo com convicção e sinceridade. Enquanto criança, jovem e até como adulto, sofri bullying. Nunca com a agressividade e intensidade que atingem quem tem pele escura, mas fui vítima de intolerância racial e social. Ouvi, por inúmeras vezes, xingamentos do tipo “japonês olho rasgado”, “japonês pixote”, “japa de merda, volta pra sua terra!” e  tantos outros que não gosto de lembrar.

Mesmo com esses ferimentos que maculam a alma, graças  à primorosa educação do lar, companhia de ótimos amigos e excelentes parceiros, superei a humilhação sofrida da barulhenta minoria racista, atravessando o mar revolto sem mágoa ou ressentimento. Com altivez, perseverança e dignidade. De ser nipodescendente humilde, que usava roupas feitas pela minha mãe com sacos de batata.

Modéstia à parte, sem falácia, cumpro e prego com fidelidade as lições de fraternidade, igualdade, paz e amor com fé cristã. #MaisAmor

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Coerência e bom senso

Meu manifesto não se baseia em sentimento bairrista, mas sim em absoluta coerência e bom senso. Refiro-me ao Programa de Retomada Consciente da Economia, lançado na quarta (27) pelo Governo do Estado. Classifica as regiões em cinco fases: 1 (vermelha), de alerta máximo, com funcionamento apenas de serviços essenciais; 2 (laranja), controle que possibilita aberturas com restrições; 3 (amarela), abertura de número maior de setores; 4 (verde), flexibilização maior em relação à etapa 3; e 5 (azul), de “normal controlado”, com todos os setores em funcionamento, mas mantendo medidas de distanciamento e higiene.

Sou integralmente a favor do isolamento social, seguindo rigidamente os preceitos das autoridades de saúde, assim como do Programa de Retomada Consciente da Economia. Acredito que se baseiam em pesquisas, dados e fatos, sob as óticas da ciência, saúde e economia, dentro de uma gestão pública responsável e transparente.

São justamente tais fatos que me levam a discordar da classificação de Mogi das Cruzes na fase vermelha, enquanto a Capital, epicentro da pandemia no Estado, avança para a etapa laranja. Tal situação só seria inteligível, se nossa Cidade tivesse indicadores piores do que os do Município de São Paulo. Não é o caso. 

O índice de isolamento social em Mogi sempre esteve acima do registrado na capital paulista. Quanto à capacidade hospitalar, na quinta-feira última, a rede mogiana registrava 57% de ocupação dos leitos de UTI e 50% das vagas nas enfermarias. Já a Capital chegava a 92% de ocupação dos leitos de UTI (hospitais públicos e privados) e lotação de 100% nos hospitais municipais.

Vale considerar que, pelo menos, 30% dos leitos mogianos estão ocupados com pacientes de municípios vizinhos, inclusive da capital paulista. Portanto, não são mogianos dependendo dessa assistência. Além disso, como medida preventiva no início da crise, Mogi das Cruzes construiu o Hospital de Campanha, com 200 leitos.   

Mogi não se encaixa na fase vermelha em nenhum dos critérios definidos pelo Estado para estabelecer as fases de cada região. E apresenta números bem mais favoráveis que os do Município de São Paulo. Logo, se o cabedal científico liberou a Capital para a etapa laranja, como justificar a permanência da nossa Cidade no estágio de restrição máxima? Das duas, uma: ou a liberação da capital paulista foi equivocada, ou foram usados desconhecidos peso e medida para classificar Mogi das Cruzes.   

Ombreio-me em total apoio às indignações do prefeito Marcus Melo, do vice Juliano Abe, dos vereadores, do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê, de entidades classistas e demais lideranças. Estou ao lado deles na cobrança por revisão urgente da classificação de Mogi das Cruzes no programa.

Afinal, os critérios definidos pelo próprio Estado colocam a Cidade na fase 2 (laranja), que permite a abertura de escritórios, concessionárias de veículos, comércio e shopping centers, sempre com os protocolos de higiene e distanciamento.  

Apelamos para o bom senso e coerência das autoridades estaduais! Nada contra o Município de São Paulo, que dista apenas 60 quilômetros da nossa Cidade e sempre esteve próximo sob os aspectos físico, econômico e emocional. A própria característica da conurbação é um fator extra para não haver classificações diferentes entre cidades vizinhas de alta interação. Caso contrário, é imenso o risco de criar corredores adicionais para a propagação do vírus.

Embora seja uma cidade de quase 500 mil habitantes, Mogi depende de São Paulo – onde trabalham milhares de mogianos – e vice-versa. Uma enorme parcela da população paulistana e de vários municípios da Região Metropolitana prescindem da água advinda das três represas localizadas no território mogiano (dos Rios Jundiaí, Taiaçupeba e Biritiba Mirim). 

Reforçando que devem prevalecer os cuidados máximos de higiene e distanciamento social, só clamamos por justiça: a ciência que vale para a Capital também tem de valer para Mogi das Cruzes! #RevisãoJá



Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Em boa hora

O recapeamento de ruas na interligação dos bairros Jardim Layr e Jardim Aeroporto, assim como a nova cobertura asfáltica da Avenida Anchieta, em Braz Cubas, no trecho entre a passagem de nível e a Avenida Gaspar Vaz, estão garantidos em Mogi das Cruzes com a liberação de quase R$ 2,4 milhões. O dinheiro corresponde a emendas impositivas (de repasse obrigatório) que apresentei ao Orçamento da União, enquanto deputado federal.  A Prefeitura já tem aval da Câmara Municipal para receber os recursos do Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio da Caixa Econômica Federal.

Outra boa notícia é que a Prefeitura concluiu a licitação para construção do Centro de Convenções no Parque Leon Feffer e pretende iniciar as obras em cerca de 30 dias. Enquanto deputado, conseguimos recursos extraorçamentários, da ordem de R$ 2,5 milhões, do Ministério do Turismo para viabilizar esse investimento. Com a concorrência pública, o valor da obra caiu para cerca de R$ 2,025 milhões. O novo espaço permitirá fortalecer atividades socioculturais, esportivas e de negócios no primeiro parque urbano da Cidade que implantamos em 2002, enquanto prefeito mogiano.

Nossa movimentação no Congresso para beneficiar Mogi das Cruzes responde aos pedidos do vice-prefeito Juliano Abe que, representando a Municipalidade, cobrava recursos federais para a Prefeitura concretizar os necessários avanços em infraestrutura urbana e potencial turístico.



É um momento importantíssimo assegurar os investimentos em meio à pandemia que barbariza toda a sociedade, castigando os setores produtivos. Afinal, a execução de obras movimenta a economia e gera empregos, além de trazer a necessária elevação da qualidade de vida.  Em boa hora!

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Dignidade da moradia


“Sem moradia, não há dignidade” é uma frase que, desde a juventude, ecoa em meu coração.  A falta de habitação para milhares de famílias brasileiras é uma triste e cruel realidade.
Dados recentes do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da ONU demonstram que aproximadamente 40 milhões de brasileiros não têm onde morar, número correspondente a mais de 8 milhões de famílias. Além disso, 47,5% da população brasileira vivem em moradias inadequadas.

Para agravar a situação, a Fundação Getúlio Vargas e o Instituto Trata Brasil mostram que 35 milhões de brasileiros (16% da população) não têm abastecimento de água e 100 milhões (47% da população) carecem de coleta de esgoto.



É o retrato do cotidiano de milhares de brasileiros que habitam  favelas nas periferias das cidades do Brasil afora. E evidente, isso estimula as invasões de áreas públicas ou privadas desocupadas, assim como de prédios abandonados, como ocorreu com o Edifício Wilton Paes de Almeida, no centro Capital, que desabou após um incêndio, ceifando numerosas vidas.

Em que pese serem práticas ilegais, longe de mim julgar os autores. Ao contrário, temos de trabalhar intensamente para reduzir a desigualdade social. Significa incentivar os governantes na consolidação de políticas públicas em prol das oportunidades que os desfavorecidos necessitam, como formação humana, profissional e intelectual. Os brasileiros são criativos, dedicados, solidários e batalhadores. Não precisam de esmolas. Não se trata de oferecer peixes, mas sim varas de pesca e aprendizado de como fisgar.

Falo de lições e iniciativas provenientes dos conhecimentos adquiridos num ensino público de qualidade que, estamos cansados de repetir, permanecem ausentes dos programas governamentais. Com a oferta contínua desses instrumentos, as conquistas sociais como saúde, transporte e moradias dignos serão decorrentes das próprias iniciativas da brava gente brasileira.

Além do mais, estaríamos consolidando o importante regime democrático, extirpando de vez as participações e vitórias eleitorais dos nefastos espertalhões, oportunistas e populistas, que se locupletam com a miséria derivada da elevada desigualdade social.

Enquanto não alcançamos o nível de uma sociedade mais equilibrada, homogênea e justa, indubitavelmente, compete ao governo, em parceria com o setor privado, oferecer às famílias de baixa renda acessos plausíveis e muito mais céleres aos programas de moradias dignas. E sem paternalismo. É o mínimo para o resgate da justiça social!

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Consciência e Denúncia



É abominável o crescimento da violência de toda ordem. Mais revoltantes são os estupros e agressões, entre outros crimes, contra mulheres, crianças e pessoas vulneráveis. Lamentavelmente, essas ocorrências aumentaram ainda mais ao longo destes primeiros meses de 2020, quando vigora o isolamento social para conter a disseminação de Covid-19.

Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. É uma alusão ao Caso Araceli. Em 18 de maio de 1973, uma menina de 8 anos, residente em Vitória-ES, foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada. O corpo foi encontrado carbonizado, seis dias depois.

O episódio dantesco me fez lembrar as acaloradas discussões na tribuna da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes, onde eu debutava como vereador naquele ano de 1973. A indignação de outrora perdura até hoje, porque os criminosos, de classe média, jamais foram identificados. O máximo a que se chegou foi à promulgação da Lei Federal (nº 9.970/2000), criando a data.

Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em 2018, foram 76.216 crianças e adolescentes vítimas desses crimes odiosos. Isto, sem considerar os milhares de casos que, sem denúncias, acabaram fora das estatísticas.

Mesmo com o rigor das punições penais – oito a 30 anos de reclusão (Lei Federal nº 12.015/2009) –, os agressores agem sem receio de nada. Nem da Justiça dos homens e nem da divina. Mais doloroso é saber que a maioria dos crimes ocorre no seio familiar.

Evidente que a prevenção é a melhor medida para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes. É necessário um trabalho informativo junto aos pais e responsáveis, sensibilização da população e dedicação de profissionais de diversas áreas na identificação de potenciais vítimas para eliminar situações de risco.

Enquanto as medidas preventivas são insuficientes, faço um vigoroso apelo à população para denunciar com rigor e agilidade toda e qualquer violência. Vamos acionar o Conselho Tutelar, as Polícias, Guarda Municipal e demais órgãos de segurança pública. Temos o serviço gratuito Disque Denúncia Nacional, pelo telefone 100. Não vamos deixar barato! Nada de condescendência com essa escória! #ConsciênciaEDenúncia

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Carregando o Brasil


Dentre tantas medidas necessárias para construir saídas desta catástrofe secular, decorrente da pandemia de Covid-19, está a retomada gradual da economia. O Brasil está de joelhos, como efeito do esfacelamento industrial e de sucessivos prejuízos desabando sobre comércio e serviços. Lamentamos profundamente! A timidez de boas políticas públicas que espelhou governos despreparados produziu, há décadas, o atraso injustificável, responsável por fragilizar ainda mais os setores produtivos frente ao vírus mortal.

Projeção anunciada pelo Banco Central (Boletim Focus) aponta que o PIB brasileiro deve fechar 2020 com 3,34% negativos. E a tendência é de queda maior, podendo atingir a marca histórica de 10%. O mínimo necessário para sustentabilidade social equivale ao PIB positivo de 3% a 4%.

Existe farta riqueza mineral, no subsolo, que ajuda, mas é finita. Para piorar, o Brasil exporta quase tudo como commodities (matéria bruta), sem agregar valores.

O único alento é a agropecuária. Ainda bem que o Brasil, de clima tropical, abençoado pela fabulosa dimensão territorial e recursos hídricos exuberantes, proporciona a atividade agropecuária de forma excepcional, cultivando tão somente 7,6% da área agricultável e com uma reserva gigantesca de 66% sob proteção ambiental. É o inverso do que ocorre em países como a Dinamarca, que utiliza 76,85% da sua área; a Irlanda, 74,7%; e o Reino Unido, 63,9%.

Estimativas de 2020, lastreadas em informações do Ministério da Agricultura, IBGE e Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, dão conta de a agropecuária brasileira aumentará 9,8% em relação a 2019, com faturamento estimado em R$ 667,7 bilhões. Isso, só no Valor Bruto de Produção (VBP), dentro da porteira. Portanto, sem contar os dividendos gerados nas aquisições de insumos, na comercialização e na industrialização. Igualmente, sem computar as cifras envolvidas com recursos humanos e agregação de valores.

Com essa espetacular performance, o PIB da agropecuária brasileira deve atingir este ano, no mínimo, um crescimento de 3%, o que significa a contribuição de 21,4% na formação do PIB nacional.

É uma façanha que devemos aos míni, pequenos, médios e grandes produtores de alimentos! São os salvadores parciais da nossa economia, que seguram as engrenagens contra a trajetória de ladeira abaixo, puxada pela pandemia. 



Merecem destaque a força de heroicos produtores de soja, café, arroz, trigo, feijão, algodão, de pecuária de corte e leite, da avicultura (corte e ovos), de frutíferas, como manga e melão, cultivados em grandes áreas, assim como a batalha dos olericultores em pequenas glebas, cultivando hortifrutiflorigranjeiros (verduras, legumes, tubérculos, bulbos, frutas, flores e plantas ornamentais), entre outras culturas, além da crescente aquicultura nacional.

Renomados economistas pontuam que, além da extraordinária contribuição para o reerguimento da nossa fragilizada economia, a agropecuária nacional garante o abastecimento interno e de dezenas de outros países, estimulando o crescimento sustentável com segurança alimentar.

Como líder rural, produtor e profundo conhecedor da agropecuária nacional, tenho orgulho de enaltecer e agradecer o desempenho dos dedicados produtores rurais. Como costumo dizer, eles carregam o Brasil nas costas, saciando a fome do País e do mundo. Fazem tudo isso, sem o devido acesso à tecnologia e à formação profissional, assim como longe dos necessários apoios logístico e tributário. #ObrigadoProdutorRural #ForçaAgro

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Eterna gratidão


Hoje é Dia da Vitória e Dia Internacional da Cruz Vermelha. O primeiro faz referência  ao fim da 2ª grande Guerra Mundial (08/05/1945), o mais sangrento conflito de ordem planetária. Já o segundo homenageia a maior organização humanitária do mundo, criada em 1863 pelo suíço Henry Dunant, que nasceu em Genebra, em 8 de maio de 1828.

Fascinante a missão desempenhada pela Cruz Vermelha, que cuida de comunidades afetadas por catástrofes naturais, doenças, pobreza, fome, guerras e violência de toda ordem. O olhar da organização recai sobre todas as vítimas – crianças, mulheres, idosos, vulneráveis, pessoas portadoras de deficiências, todos – no sentido de atenuar o sofrimento humano, sem distinção de raça, religião, gênero, ideologia política e condição social.

Gigantesco, o trabalho benemérito da Cruz Vermelha Internacional abrange mais de 190 países, com a dedicação dos  aproximadamente 100 milhões de voluntários, guiados pelos princípios sagrados da organização: Humanidade, Imparcialidade, Voluntariedade, Unidade e Universalidade.



No Brasil, a organização foi fundada em 5 de dezembro de 1908, pelo saudoso médico Oswaldo Cruz, mundialmente conhecido em razão do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz). Na Cidade de São Paulo, o Hospital da Cruz Vermelha também está na linha de frente do combate à Covid-19.

A Cruz Vermelha Internacional é conhecida como a primeira a chegar e última a sair, com acesso livre em todos os países para o enfrentamento de quaisquer males. Sejam quais forem. Decorrentes de doenças, pobreza e calamidades públicas até o  auxílio das vítimas de conflitos tribais, revoluções e  guerras.
Com justiça e integral merecimento pelos relevantes serviços prestados, o fundador Henry Dunant recebeu em 1901 o Prêmio Nobel da Paz e a Organização Cruz Vermelha Internacional, da mesma forma, foi condecorada duas vezes com o Prêmio Nobel da Paz, em 1917 e 1944.  #CruzVermelhaInternacional #GratidãoEterna



Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo


segunda-feira, 4 de maio de 2020

O dia seguinte

É prematuro desejar saber como será nossa vida após a pandemia de Covid-19, sem conhecer os meios de superar o vírus? Pelo atual estado de espírito, a maior aspiração é a descoberta da vacina para o novo coronavírus. A pandemia gera, continuamente, notícias trágicas. São crianças que ficaram órfãs, avós sofrendo a partida dos netos e vice-versa, o médico que não conseguiu salvar a mãe, a enfermeira que sucumbiu cuidando de pacientes, a esposa grávida que enviuvou e terá de cuidar dos filhos sozinha... Há ainda os médicos de UTI tendo de escolher quem viverá por falta de estrutura para todos os doentes.  Além dessas agruras, a dor do adeus que não se pode dar.

Nos últimos anos, cresceram muito as agressões de toda ordem, assim como a intolerância racial, social, religiosa e de gênero, o uso e tráfico de drogas, as fake news, a corrupção, a violência. Ainda assim, a maioria da população mundial, e notadamente a brasileira, prega e pratica a solidariedade, a caridade, o respeito e o amor a Deus. São sentimentos fundamentais na construção da paz e da felicidade.

Sem demérito de outros povos, creio que o Brasil, por ser um país inigualável, plurirracial e multicultural, abriga habitantes com sentimentos de solidariedade e gratidão mais latentes.

Temos o dever de respeitar as pessoas, os outros seres vivos, todo o meio ambiente! Nunca praticando abusos por mais que nosso regime democrático proporcione liberdade quase total.

Abomino a atuação de uma minúscula parcela, extremamente radical, do povo paulistano que, dias atrás, promoveu um protesto contra o isolamento social – medida imperiosa para reduzir a disseminação da Covid-19. Desprovidas de civilidade e alheias à legislação, essas pessoas deram um odioso show de abusos e ignorância. Com buzinaço em frente a hospitais, afrontaram o sofrimento de doentes e seus familiares, além de desrespeitar dedicados profissionais de saúde e voluntários. A selvageria incluiu o bloqueio à circulação de ambulâncias nas vias centrais da Capital, impedindo o transporte de vítimas. 

Respeito o direito às manifestações, desde que ordeiras e pacíficas. Igualmente, condeno a postura dessa meia dúzia de extremistas, que impõem seus pontos de vista, sem considerar a existência dos demais habitantes do planeta. Agridem e agem maldosa e criminalmente. A indiferença é a banalização da desgraça alheia.

Apesar dessa triste demonstração, tenho convicção de que, superados a pandemia e o rastro de sofrimento, dor e saudade, ressurgirão fortalecidos em nosso povo os sentimentos dignos e cristãos. Isso impulsionará ainda mais a bondade, a solidariedade, o respeito e a caridade que são, sem sombra de dúvida, nossa marca registrada! #EuAcreditoNoBem 



Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Hospital de Campanha


As tantas necessidades para o enfrentamento da Covid-19 impulsionam autoridades a clamarem pelo rigoroso cumprimento do isolamento social. É essencial para reduzir a propagação do vírus, além de permitir enfrentar a desproporcionalidade entre a quantidade de pessoas infectadas, que precisam de internação hospitalar, e o número de vagas disponíveis. Mesmo deixando em plano secundário os pacientes de outras doenças, os hospitais estão lotados com vítimas da Covid-19.

O sistema já entrou em colapso em muitos estados e seus municípios, apesar de o Brasil não haver atingido o pico da pandemia, previsto para maio e junho. Pior, em milhares de cidades brasileiras sequer existem hospitais.  O isolamento social é fundamental para reduzir a disseminação do vírus e retardar a demanda por internações, assim como dar tempo de viabilizar estruturas capazes de ampliar a oferta de leitos hospitalares.

Nesse contexto, Mogi das Cruzes, com aproximadamente 500 mil habitantes, dá o exemplo de proatividade. De forma rápida e objetiva, a administração municipal tomou as providências para instalar um hospital de campanha. Com 200 leitos, a unidade começa a funcionar no final do mês, na Avenida Cívica.

O Hospital de Campanha mogiano é direcionado a pacientes com casos leves e moderados de Codiv-19, que tiveram alta da Unidade de Terapia Intensiva e devem permanecer em observação em leitos de enfermaria, ou aqueles que precisam ser hospitalizados sem necessidade de ficar em UTI. Eles serão encaminhados pelos hospitais públicos e privados referenciados pela Secretaria Municipal de Saúde.

Como cidadão brasileiro, conhecedor profundo das dificuldades que os administradores públicos enfrentam no Brasil, agradeço o prefeito Marcus Melo e o vice Juliano Abe pela iniciativa, coragem e competência na implantação desse Hospital de Campanha. Aproveito a oportunidade para, na pessoa do secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel, homenagear a dedicada equipe de colaboradores da administração municipal, assim como todos os profissionais da saúde de Mogi e do mundo inteiro, que devotam as próprias vidas para resguardar a população na guerra contra o novo coronavírus. #TodaGratidão

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo


sexta-feira, 17 de abril de 2020

Valor da ciência


Em tempos normais, o papel da ciência, pesquisa, tecnologia e inovação já é indiscutivelmente importante. Nesta era de pandemia, torna-se fundamental. Está nas mãos dos cientistas a urgente descoberta de uma vacina contra a Covid-19.

No dicionário, sinônimo de cientista é sábio, pesquisador, observador, investigador, especialista, etc. É aquele que se dedica a ciência. É aquele que, a partir de uma espécie criada de alguma forma, a estuda e desenvolve testes que permitem sua evolução.

Todas as pessoas são imprescindíveis numa sociedade. Porém, creio que os cientistas nasceram com um dom divino, concedido à minúscula parcela da humanidade. Foram os cientistas que descobriram as vacinas em todas as pandemias causadoras de milhões de mortes, como a peste negra, gripe espanhola, tuberculose, varíola, febre amarela e tifo, entre outras.

Existem cientistas biólogos, de computação e tecnologia, nucleares e médicos, entre outros. Atuam em todas as áreas do conhecimento humano. Basta olhar a fantástica recuperação do Japão, Coréia do Sul, Alemanha, Inglaterra, EUA e Rússia, todos envolvidos na catastrófica 2ª Guerra Mundial. O trabalho científico também está na qualidade de vida dos povos do hemisfério norte, como da Finlândia, Dinamarca, Noruega e Suécia, com atividades econômicas prejudicadas pelo rigoroso inverno de seis meses no ano. Está ainda na melhoria constante da condição dos povos do continente africano, vítimas de desertos e altíssimas temperaturas. E também na extraordinária performance da China que,  libertando-se de ideologia comunista, se tornou a segunda potência econômica mundial.

Todas as conquistas, melhoramentos e superações contínuas são fruto do dedicado trabalho dos cientistas. Evidente, com o devido apoio de governantes sensíveis, dotados do espírito de estadista, que investem maciçamente em ciência, pesquisa, tecnologia e inovação. Oferecem educação cidadã e profissional de alto quilate, além de fomentar o integral amparo dos setores público e privado, após a formação e ao longo da carreira.

Os cientistas são missionários que inventam, criam e implementam instrumentos para ajudar empreendedores, empregadores e trabalhadores, atuam na redução das desigualdades sociais e na elevação da qualidade de vida dos povos.

Em contraste com o cenário de apoio aos cientistas em diversas nações, nossos governantes, salvo raras exceções, nunca tiveram essa sensibilidade e visão. O renomado neurocientista Sidarta Ribeiro, fundador do Instituto de Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e membro efetivo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, denuncia a grave fuga de cérebros do Brasil, e sem perspectiva de retorno. A prova está no prejuízo sem precedentes causado pelo governo federal ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, uma das principais fontes de financiamento da pesquisa no País, com arrecadação superior a R$ 4 bilhões por ano. Em 2019, o orçamento das agências custeadas pela União caiu de R$ 13,9 bilhões para R$ 6 bilhões, em relação a 2015. Representa um trágico recuo de 56,5%. Há previsão de queda maior neste ano de 2020. Sidarta diz mais: “A ciência virou vilã. Enquanto o governo sul coreano investe 5% do PIB em ciência, pesquisa, tecnologia e inovação, o Brasil aplica menos de 1%. Não há como competir com grandes players”.

Inspirado na frase “Gigante pela própria natureza”, que emoldura o Hino Nacional, digo que Deus foi brasileiro ao nos presentear com um país fantástico. Porém, sem governantes com espírito de estadista, somos obrigados a concordar com o cientista Sidarta Ribeiro. Não podemos ficar deitados eternamente em berço esplêndido. Afinal, o nosso povo não foge à luta.

Como cidadão brasileiro, faço um veemente apelo às lideranças em prol da nossa ciência: Apoiem sistematicamente os pesquisadores e cientistas, que se dedicam de corpo e alma às inovações e à alta tecnologia em benefício da população!



Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo