sexta-feira, 17 de abril de 2020

Valor da ciência


Em tempos normais, o papel da ciência, pesquisa, tecnologia e inovação já é indiscutivelmente importante. Nesta era de pandemia, torna-se fundamental. Está nas mãos dos cientistas a urgente descoberta de uma vacina contra a Covid-19.

No dicionário, sinônimo de cientista é sábio, pesquisador, observador, investigador, especialista, etc. É aquele que se dedica a ciência. É aquele que, a partir de uma espécie criada de alguma forma, a estuda e desenvolve testes que permitem sua evolução.

Todas as pessoas são imprescindíveis numa sociedade. Porém, creio que os cientistas nasceram com um dom divino, concedido à minúscula parcela da humanidade. Foram os cientistas que descobriram as vacinas em todas as pandemias causadoras de milhões de mortes, como a peste negra, gripe espanhola, tuberculose, varíola, febre amarela e tifo, entre outras.

Existem cientistas biólogos, de computação e tecnologia, nucleares e médicos, entre outros. Atuam em todas as áreas do conhecimento humano. Basta olhar a fantástica recuperação do Japão, Coréia do Sul, Alemanha, Inglaterra, EUA e Rússia, todos envolvidos na catastrófica 2ª Guerra Mundial. O trabalho científico também está na qualidade de vida dos povos do hemisfério norte, como da Finlândia, Dinamarca, Noruega e Suécia, com atividades econômicas prejudicadas pelo rigoroso inverno de seis meses no ano. Está ainda na melhoria constante da condição dos povos do continente africano, vítimas de desertos e altíssimas temperaturas. E também na extraordinária performance da China que,  libertando-se de ideologia comunista, se tornou a segunda potência econômica mundial.

Todas as conquistas, melhoramentos e superações contínuas são fruto do dedicado trabalho dos cientistas. Evidente, com o devido apoio de governantes sensíveis, dotados do espírito de estadista, que investem maciçamente em ciência, pesquisa, tecnologia e inovação. Oferecem educação cidadã e profissional de alto quilate, além de fomentar o integral amparo dos setores público e privado, após a formação e ao longo da carreira.

Os cientistas são missionários que inventam, criam e implementam instrumentos para ajudar empreendedores, empregadores e trabalhadores, atuam na redução das desigualdades sociais e na elevação da qualidade de vida dos povos.

Em contraste com o cenário de apoio aos cientistas em diversas nações, nossos governantes, salvo raras exceções, nunca tiveram essa sensibilidade e visão. O renomado neurocientista Sidarta Ribeiro, fundador do Instituto de Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e membro efetivo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, denuncia a grave fuga de cérebros do Brasil, e sem perspectiva de retorno. A prova está no prejuízo sem precedentes causado pelo governo federal ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, uma das principais fontes de financiamento da pesquisa no País, com arrecadação superior a R$ 4 bilhões por ano. Em 2019, o orçamento das agências custeadas pela União caiu de R$ 13,9 bilhões para R$ 6 bilhões, em relação a 2015. Representa um trágico recuo de 56,5%. Há previsão de queda maior neste ano de 2020. Sidarta diz mais: “A ciência virou vilã. Enquanto o governo sul coreano investe 5% do PIB em ciência, pesquisa, tecnologia e inovação, o Brasil aplica menos de 1%. Não há como competir com grandes players”.

Inspirado na frase “Gigante pela própria natureza”, que emoldura o Hino Nacional, digo que Deus foi brasileiro ao nos presentear com um país fantástico. Porém, sem governantes com espírito de estadista, somos obrigados a concordar com o cientista Sidarta Ribeiro. Não podemos ficar deitados eternamente em berço esplêndido. Afinal, o nosso povo não foge à luta.

Como cidadão brasileiro, faço um veemente apelo às lideranças em prol da nossa ciência: Apoiem sistematicamente os pesquisadores e cientistas, que se dedicam de corpo e alma às inovações e à alta tecnologia em benefício da população!



Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

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