terça-feira, 13 de julho de 2021

Destaque Agro

 

Quem dera só houvesse boas notícias... Eis uma ótima: a agropecuária brasileira continuamente bate recordes de produção, abastecendo o consumidor no mundo todo, além de ser o alicerce da economia nacional. Sou suspeito para elogiar porque atuo como pequeno produtor rural do Cinturão Verde de Mogi das Cruzes/SP e líder rural que, modéstia à parte, conhece muito bem o setor.



A retrospectiva de 2019 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento destaca que, nos últimos 40 anos, enquanto a área ocupada pela agricultura aumentou 33%, a produção de alimentos no Brasil cresceu aproximadamente 386%. São dados reconfortantes, se levarmos em consideração a irresponsabilidade do governo atual que, por falta de fiscalização e punição, deixou o desmatamento na Amazônia subir 30%, somente em 2020. Foram 8.058 km² de floresta destruída, o maior índice dos últimos 10 anos, creditado aos madeireiros ilegais, e contribuinte de estiagem sem precedentes no País.

 

Apesar das irresponsabilidades, vale registrar que o Brasil possui 60% de sua área coberta de florestas naturais (97%) e florestas plantadas (3%). É o 2º país que mais protege as florestas.

 

A correlação entre a área cultivada e o aumento vertiginoso de produção de alimentos se deve aos esforços dos produtores rurais que, apoiados por centros de pesquisas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), incorporam cada vez mais modernas tecnologias. É o caso do programa ABC do Cerrado (política agropecuária focada na preservação ambiental e na redução de gases de efeito estufa); o forte incentivo aos orgânicos (principalmente no setor de verduras, legumes, tubérculos e bulbos) e aos bioinsumos (que melhora a oferta de insumos biológicos, com suporte técnico e fomento às pesquisas de manejo sustentável nas lavouras).

 

Portanto, com pesquisa, tecnologia e inovação; acesso fácil ao crédito rural; avanço da infraestrutura e logística; fortalecimento do cooperativismo, sindicalismo e associativismo; e assistência técnica adequada, o Brasil produzirá cada vez mais alimentos de qualidade e com custos baixos, visto que possuímos extensão territorial, clima e capacidade hídrica inigualáveis.

 

Todavia, é fundamental diminuirmos o descarte e a perda de alimentos. No mundo, a marca atinge 17%, ou seja, 931 milhões de toneladas de alimentos que vão ao lixo. O Brasil está na lista dos dez países que mais desperdiçam alimentos, alcançando a marca de 30% de tudo que produzimos. Significa um prejuízo de US$ 940 bilhões por ano. As informações constam do Índice de Desperdício de Alimentos 2021.

 

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2020, a população mundial  era de 7,79 bilhões de habitantes. Daqui a 29  anos, em 2050, seremos 9,70 bilhões na Terra. Portanto, precisamos avançar diuturnamente no fortalecimento da agropecuária mundial, principalmente, a brasileira. Hoje,  821,6 milhões de pessoas no mundo passam fome e, se considerarmos aquelas em condição moderada de insegurança alimentar, o total atinge 2 bilhões, o equivalente a 26,4% da população mundial, ainda conforme a ONU.

 

Além das providências contra o infame desperdício de alimentos, fazemos um veemente apelo às lideranças internacionais, notadamente às brasileiras, para que, unidos, possamos combater a fome e, assim, melhorar a justiça social. Afinal, todos são iguais perante a Lei e, em especial, perante a Deus. #MenosDesperdício #MaisJustiçaSocial

 

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

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