quinta-feira, 9 de julho de 2020

Revolução constitucionalista

Por quê 9 de Julho é feriado somente no Estado de São Paulo? Neste ano, houve antecipação para 25 de maio, por causa da pandemia, mas 9 de Julho é a data em que comemoramos a Revolução Constitucionalista de 1932. Foi um movimento armado que resultou da revolta generalizada neste Estado contra o governo de Getúlio Vargas. Ele assumira o poder em 1930, com golpe de Estado. Depusera o então presidente Washington Luís, legitimamente eleito pelo povo, impedindo a posse do seu sucessor. Ressalvadas as devidas diferenças, há uma certa semelhança com a Revolução de 1964, quando os militares derrubaram o governo do presidente João Goulart e implantaram o regime militar.

Naquele ano de 1932, uniram-se São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso. Entretanto, o enfrentamento com lutas e mortes, ficou praticamente sob a responsabilidade dos paulistas. Eles se insurgiram contra a ditadura Vargas que, desrespeitando a Constituição Brasileira, instalou a privação da liberdade, o desrespeito aos direitos do cidadão e a intervenção total na imprensa livre, além de destruir o regime político, sepultando a realização de eleições livres e democráticas.

Os historiadores são unânimes em afirmar que, apesar da derrota, os paulistas deixaram o grande legado da valorização dos preceitos democráticos e da participação popular. Fortaleceu-se o conceito de cidadania, assim como a vigilância mais próxima de governados sobre os governantes. A comemoração do 9 de Julho no Estado de São Paulo homenageia os milhares de mortos que, na linha de frente da batalha, enfrentaram forças poderosas da ditadura Vargas. O estado paulista se levantou em armas por uma Constituição e conseguiu, mesmo perdendo a revolução, que o caminho fosse pavimentado para a Constituição.

O espaço é minúsculo para detalhar a gloriosa luta dos paulistas em prol da democracia. Vale a lembrança! Na cidade de São Paulo e em centenas de outros municípios paulistas, a Revolução Constitucionalista de 1932 ocupa espaços físicos sob a forma de denominação de vias públicas e monumentos. São os casos das avenidas 9 de Julho e 23 de Maio, além do Obelisco que conhecemos como mausoléu do Ibirapuera, em homenagem aos combatentes, da criação do complexo Universidade de São Paulo (USP), por meio do Largo São Francisco, e da Escola Politécnica, entre outros, incluindo marcos nos Vales do Ribeira e do Paraíba, onde ocorreram ferozes combates.

Faço essas considerações porque é nossa responsabilidade, como povo e como Pátria, defendermos intransigentemente o regime democrático com eleições livres, a liberdade de expressão, a imprensa livre e os direitos sagrados dos cidadãos!


(Imagem: O Vale)

Junji Abe, produtor e líder rural, é ex-prefeito de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário